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Dos cortiços à neofavela: uma evolução literária em Cidade de Deus

Termpaper, 2007, 22 Pages
Author: Student Turian da Silva
Subject: Romance Languages - Portuguese Studies

Details

Category: Termpaper
Year: 2007
Pages: 22
Grade: 1,7
Language: Portugues
Archive No.: V137101
ISBN (E-book): 978-3-640-44514-1
ISBN (Book): 978-3-640-44499-1

Abstract

Partir de uma visão da sociedade Brasileira do século XX e com uma lupa que se foca na história da favela para obervar a evolucao de uma literatura que, iniciada com o naturalismo, vai se transformar nos contos de Rubem Fonseca e se modificar ainda mais no romance Cidade de Deus. Na análize literária, sempre unida da visao social, é comentada a distância estética utilizada tanto por Fonseca quanto por Paulo Lins, mostrando as igualdades e as diferencas entre os dois. Plavras chave: sociedade, favela, literatura, naturalismo, narracao, Cidade de Deus.


Excerpt (computer-generated)

Philosophische Fakultät

Institut für Romanistik

Cidade de Deus: Geschichten aus der Favela

Sommersemester 2007

Hausarbeit

Dos cortiços à neofavela: uma evolução literária em Cidade de Deus

Vorgelegt von:

Turian da Silva

HF: Auslandsgermanistik (5)

NF: Spanisch (4)

NF: Portugiesisch (5)

1


Resumo

Partir de uma visão da sociedade Brasileira do século XX e com uma lupa

que se foca na história da favela para obervar a evolucao de uma literatura que,

iniciada com o naturalismo, vai se transformar nos contos de Rubem Fonseca e se

modificar ainda mais no romance Cidade de Deus. Na análize literária, sempre unida

da visao social, é comentada a distância estética utilizada tanto por Fonseca quanto

por Paulo Lins, mostrando as igualdades e as diferencas entre os dois.

Plavras chave: sociedade, favela, literatura, naturalismo, narracao, Cidade de Deus.

2


Sumário

Resumo 2

Sumário 3

1 - Introdução 4

2 - Com uma lupa social focada na favela 5

2.1 - Um pouco de história 6

3 - Do naturalismo à Rubem Fonseca: o brutalismo e o caminho livre para

Cidade de Deus. 9

3.1 - Feliz ano novo (1975) 10

4 - O Brutalismo e a narracao de Cidade de Deus 13

5 - O Narrador de Cidade de Deus 15

6 - Conclusão 19

7 - Referências 21

3


1 - Introdução

Este trabalho tem como objetivo observar a literatura de Paulo Lins mantendoo

em vista a questão social. Para tanto, endenti ser necessário falar sobre a sociedade

Brasileira e, também, de certa forma, a mundial, no que diz respeito aos avanços do

capitalismo, para poder revelar os efeitos colaterais e negativos que ocorre nas

periferias do sistema capitalista mundial. Com este intuito, observar a história do

Brasil no século XX torna-se importante.

Outro objetivo do trabalho é analisar a narração da obra Cidade de Deus. Esta

narrativa, como veremos nos capítulos seguintes, relaciona-se com a realidade dos

marginalizados da sociedade brasileira, representando, de um lado, a história à qual a

matéria está ligada, e, de outro, a vida dos personagens, a vida crua dos moradores da

favela. Paralelamente, esta representação do cotidiano violento da favela feita através

de um romance, quer dizer, através de uma história fictícia, é realizada através de

uma narração que procura de um lado relatar a realidade da favela, história e

violência, e, de outro, pretende apresentar-se como obra literária.

No que diz respeito à narração, considerei importante situá-la em um contexto

literário contemporâneo como um seguinte passo em relacao a literatura iniciada no

período militar brasileiro. Assim, observo a narrativa de Paulo Lins relacionando-a

com literatura de Rubem Fonseca e, mais distante, relaciono essas duas formas

narrativas com a literatura naturalista.

Para tanto, escolho duas maneiras de observar a literatura de Rubem Fonseca.

A primeira vem a ser a literatura deste como uma evolução do naturalismo, a

segunda a partir da crítica ao seu tempo formulada por Bosi, cujo termo

Brutalista

desenvolve a observação da obra relacionando-a com a sociedade. Seguindo, entro

em uma análise um pouco mais detalhada da narração de Cidade de Deus,

entendendo o discurso do narrador como sendo apresentado de uma forma

ambivalente, o que caracteriza a novidade em relação a literatura de seu antecessor, a

literatura Brutalista.

4


2 - Com uma lupa social focada na favela

O livro que aqui vamos estudar tem uma grande ligação com a realidade

Brasileira do século XX. O romance destaca a vida dos moradores da favela Cidade

de Deus, dos bandidos, dos trabalhadores, dos malandros e dos bixo-soltos. Em uma

visão geral, poderíamos dizer que mostra a vida daqueles que estão isolados em

sociedade; os favelados, os pobres.

Difícil começar um trabalho sobre o romance Cidade de Deus sem mencionar

que seu autor, Paulo Lins, tem origens no local onde o espaço narrativo se encontra.

Paulo Lins cresceu na favela Cidade de Deus, onde uma tia lhe havia apresentado à

arte da leitura. Lins deve haver sido deveras influenciado pelos textos que lhe dava

sua tia, pois acaba iniciando os estudos na Faculdade de Letras da Universidade

Federal do Rio de Janeiro. Lins viria a participar ali como bolsista em um projeto

realizado pela antropóloga Alba Zaluar. Por ser morador e participar de alguns

blocos de samba na favela Cidade de Deus, tinha acesso à vida dos bandidos do

local, o que facilitava as entrevistas que deveria realizar para a pesquisa

antropológica. Quando a antropóloga Alba Zaluar pediu a Lins que escrevesse um

texto sociológico ou antropológico, este respondeu que escreveria, no máximo, um

poema. Vejamos um trecho de sua entrevista com a revista Caros Amigos:

"Fiz um poema, demorei três meses para fazer, e ela [Zaluar]

mostrou ao Roberto Schwartz, aqui em São Paulo. Ele ligou pra

mim, fiquei todo contente, "pô, o Roberto ligou pra mim", era um

crítico, eu estava na faculdade, já tinha lido quase a obra toda dele,

na faculdade você é obrigado a ler o Roberto. E ele perguntou:

"Permite publicar o poema na revista do Cebrap?" Publicou o

poema e deu o aval pra eu escrever um romance. Aí, minha vida

complicou. Escrever um romance não é brincadeira, não."1

Paulo Lins já era um poeta e acabava de ganhar apoio de um crítico de peso, o

que lhe impulsionaria ao início da sua obra literária. Ele mistura então diversos

elementos para escrever sua obra de ficção: a experiência obtida como morador da

Cidade de Deus, a proximidade que tinha com os bandidos e as entrevistas

realizadas; o trabalho como pesquisador, que tinha como objetivo estudar as

organizações populares e o significado que elas atribuíam à pobreza; e, por fim, o

1 Lins, 2003

5



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