O conjunto de textos que ora se apresenta ao público é o resultado das pesquisas desenvolvidas no Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Católica de Pernambuco, Brasil, no ano de 2021, em especial no contexto de seu cluster de pesquisadores em torno do eixo linguagem, sentido e ação.
Os pesquisadores do núcleo ou linha de pesquisa Linguagem, sentido e ação se propõe ao estudo e investigação de conceitos e temas fundamentais do fenômeno humano da linguagem e dos seus desdobramentos no agir e fazer humanos, tal como esses são apresentados e discutidos sobretudo, mas não exclusivamente, a partir da tradição filosófica resultante da virada linguístico-pragmática.
Pretende, pois, investigar as diversas correntes filosóficas que tratam do sentido e da significação linguística em sua interface com a existência e ações humanas, tratando de problemas relacionados tanto ao âmbito sintático-semântico quanto ao âmbito pragmático da filosofia da linguagem.
Índice
Linguagem
Linguagem intencional e sua relação com a ação humana - Ítalo Rafael França Rio Tinto, p. 06-27
“Lebensform” (forma de vida): pressuposto essencial para compreender o “Meinen” (ter em mente) como negação do ato mental nas investigações filosóficas - José Maria da Silva Filho e Eleonoura Enoque da Silva, p. 28-41
Linguagem: questões filosóficas e relações com a linguística contemporânea - John Hélio Porangaba de Oliveira, p. 42-57
Sentido
Da importância do pensamento ético de Hans Jonas - Ivan Wilson Porto, p. 58-68
A dissolução de narciso na tradição filosófica ocidental da linguagem - Ialley Lopes da Silva e Eleonoura Enoque da Silva, p. 69-87
A teoria da Justiça de John Rawls e sua concepção de pessoa - Bianca Metódio Beserra, p. 88-111
Linguagem e sentido do conceito de Família na Filosofia do Direito de Hegel – Danilo Vaz-Curado R. M. Costa e Agemir Bavaresco, p. 112-135
Ação
As incertezas da pandemia e a crise humana - Moiseth Neves Nascimento, p. 136-149
A tecnologia não substitui o pensar: provocações acerca da validade da filosofia em sociedades hipertecnológicas. Bruno Simões Costa Guimarães e Gerson Francisco de Arruda Júnior, p. 150-170
A banalização do mal na definição arendtiana frente ao contexto ético contemporâneo - Joaquim Rafael Lima do Couto Soares, p. 171-193
Racionalidade e comunicação: um olhar Habermasiano sobre a ação comunicativa - Adelvando Pereira de Souza e José Marcos Gomes de Luna, p. 194-205
Objetivos e Temáticas da Obra
Esta publicação reúne pesquisas do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Católica de Pernambuco, explorando a intersecção entre a linguagem, a produção de sentido e as ações humanas no mundo contemporâneo. A obra busca fornecer chaves interpretativas sobre como essas três dimensões se articulam para construir a realidade social e a subjetividade.
- Investigação filosófica da linguagem, intencionalidade e ação humana.
- Análise da ética e da responsabilidade em sociedades tecnocientíficas.
- Estudos sobre a estrutura da família e a justiça na filosofia do direito.
- Reflexões sobre a crise humana e a racionalidade na comunicação.
- Diálogo interdisciplinar entre a filosofia, a linguística e as ciências humanas.
Auszug aus dem Buch
LINGUAGEM INTENCIONAL E SUA RELAÇÃO COM A AÇÃO HUMANA
O presente texto propõe-se a fazer uma investigação acerca da Linguagem, Intencionalidade e Ação humana numa perspectiva filosófica. O intuito dessa investigação é argumentar em favor de uma possível relação vinculativa entre a Linguagem Intencional e a Ação humana. Dentro desse tema estão contidas três importantes áreas do saber filosófico: a Filosofia da Linguagem, a Filosofia da Mente e a Filosofia da Ação. Apesar da complexidade, essas áreas são marcadas pelo excelente trabalho lógico e conceitual que são desenvolvidos. Alguns filósofos importantes trabalharam debruçados sobre os temas propostos neste trabalho, dentre esses, alguns nomes serviram de base para o desenvolvimento da investigação, como é caso de Frege, Wittgenstein, Searle e Miller.
Para alcançar o que é proposto, este trabalho divide-se em três partes concatenadas, mas divididas em capítulos. O primeiro capítulo busca expor a visão filosófica de Intencionalidade a partir da Filosofia da Mente, tentando explicar os dados constitutivos desse conceito. O segundo capítulo traz os elementos principais da Filosofia da Linguagem e da Ação, justamente, para analisar e evidenciar os conceitos filosóficos de Linguagem e Ação, bem como suas atuações no mundo. Para tanto, o segundo capítulo se divide em duas seções, cada uma delas dedicada aos respectivos temas. Vale ressaltar que esses três temas trazidos nos dois primeiros capítulos não têm como compromisso uma exposição profunda como seria o caso de um tratado sobre o assunto; mas tão somente fazer com que o leitor entenda do que se trata e quais são as indagações que cada um deles carrega. E, por fim, o último capítulo visa defender e argumentar a existência de um vínculo entre a Linguagem Intencional e a Ação humana.
Resumo dos Capítulos Principais
Linguagem intencional e sua relação com a ação humana: Explora o vínculo conceitual entre intencionalidade, mente e ação, utilizando autores como Searle e a tradição analítica.
“Lebensform” (forma de vida): pressuposto essencial para compreender o “Meinen” (ter em mente) como negação do ato mental nas investigações filosóficas: Investiga a crítica de Wittgenstein ao mentalismo, propondo a "forma de vida" como base para o significado.
Linguagem: questões filosóficas e relações com a linguística contemporânea: Analisa a interface entre a filosofia da linguagem e os estudos de gênero, focando na função social da comunicação.
Da importância do pensamento ético de Hans Jonas: Discute a responsabilidade ética diante das ameaças da tecnociência à existência humana.
A dissolução de narciso na tradição filosófica ocidental da linguagem: Examina como a tradição filosófica frequentemente ignora a alteridade em nome de um universalismo excludente.
A teoria da Justiça de John Rawls e sua concepção de pessoa: Analisa as bases do contratualismo rawlsiano e o papel central do indivíduo na justiça como equidade.
Linguagem e sentido do conceito de Família na Filosofia do Direito de Hegel: Demonstra a relevância da análise hegeliana da família para interpretar os arranjos familiares contemporâneos.
As incertezas da pandemia e a crise humana: Reflete sobre a fragilidade humana e os desafios existenciais impostos pela pandemia sob o pensamento de Edgar Morin.
A tecnologia não substitui o pensar: provocações acerca da validade da filosofia em sociedades hipertecnológicas: Provoca debates sobre a autonomia do pensamento crítico diante da dominação das tecnologias e algoritmos.
A banalização do mal na definição arendtiana frente ao contexto ético contemporâneo: Aplica o conceito de Arendt para criticar atitudes indiferentes e autoritárias no cenário político moderno.
Racionalidade e comunicação: um olhar Habermasiano sobre a ação comunicativa: Detalha a importância da racionalidade comunicativa contra o agir estratégico no diálogo moderno.
Palavras-chave
Filosofia, Linguagem, Ação humana, Intencionalidade, Ética, Tecnocinência, Justiça, Teoria política, Família, Wittgenstein, Hannah Arendt, Habermas, Racionalidade, Sociedade, Responsabilidade.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Qual o objetivo central desta obra?
O livro visa investigar as articulações entre a linguagem, a produção de sentido e as ações humanas, oferecendo perspectivas teóricas e práticas para compreender os desafios do mundo atual.
Quais são as principais áreas de saber contempladas?
A obra abrange especialmente a filosofia da linguagem, a filosofia política, a ética, a filosofia do direito e interfaces com a linguística e a sociologia contemporânea.
Qual é a importância da filosofia na era tecnológica?
A filosofia é apresentada como uma ferramenta essencial para o pensamento crítico, permitindo que o indivíduo não se mecanize completamente diante das opções tecnológicas impostas.
Quais filósofos são centrais nas discussões?
O livro estabelece diálogos marcantes com Wittgenstein, Hans Jonas, Hannah Arendt, John Rawls e Jürgen Habermas, além de comentadores contemporâneos.
Como o conceito de família é abordado no volume?
A obra busca, através de Hegel, extrair o potencial hermenêutico da família para analisar modelos familiares diversos, superando visões tradicionais e restritivas.
O que significa "banalização do mal" neste contexto?
O termo refere-se à análise de casos contemporâneos — muitas vezes mediados por tecnologia — à luz do pensamento de Arendt sobre como a omissão e o conformismo facilitam ações destrutivas.
Como a pandemia impactou as discussões sobre o humano?
A pandemia é usada como um catalisador de crise que revela a fragilidade humana e a necessidade de repensar nossas formas de vida e o sentido de nossa interação social.
Qual a proposta da teoria de Habermas discutida no livro?
O foco reside na distinção entre ação comunicativa, voltada para o entendimento mútuo, e ação estratégica, que visa fins particulares à custa da compreensão dialógica.
É necessário ser filósofo para compreender a obra?
Não, embora os textos possuam profundidade acadêmica, eles buscam oferecer chaves de interpretação úteis tanto a especialistas quanto a qualquer leitor interessado na análise de questões humanas atuais.
Como a obra aborda a relação entre indivíduo e sociedade?
Através da investigação da intersubjetividade e da estrutura dos contratos sociais, a obra questiona como a autonomia do sujeito se constrói e é limitada pelas instituições e culturas em que está inserido.
- Quote paper
- Danilo Vaz-Curado Ribeiro de Menezes Costa (Author), 2022, Linguagem, Sentido e Ação. Estudos contemporâneos de filosofia, Munich, GRIN Verlag, https://www.grin.com/document/1262771