Partir de uma visão da sociedade Brasileira do século XX e com uma lupa que se foca na história da favela para obervar a evolucao de uma literatura que, iniciada com o naturalismo, vai se transformar nos contos de Rubem Fonseca e se modificar ainda mais no romance Cidade de Deus. Na análize literária, sempre unida da visao social, é comentada a distância estética utilizada tanto por Fonseca quanto por Paulo Lins, mostrando as igualdades e as diferencas entre os dois.
Plavras chave: sociedade, favela, literatura, naturalismo, narracao, Cidade de Deus.
Índice
1 - Introdução
2 - Com uma lupa social focada na favela
2.1 - Um pouco de história
3 - Do naturalismo à Rubem Fonseca: o brutalismo e o caminho livre para Cidade de Deus.
3.1 - Feliz ano novo (1975)
4 - O Brutalismo e a narracao de Cidade de Deus
5 - O Narrador de Cidade de Deus
6 - Conclusão
Objetivos e Temas
O presente trabalho tem como objetivo principal analisar a obra "Cidade de Deus" de Paulo Lins, observando a representação da realidade social e a violência nas favelas brasileiras. A investigação explora a evolução literária que parte do naturalismo, passa pelo brutalismo de Rubem Fonseca e culmina na narrativa ambivalente de Paulo Lins, que utiliza a oralidade e a linguagem cotidiana para retratar a vida marginalizada.
- A evolução da literatura brasileira do naturalismo ao contemporâneo.
- O conceito de "brutalismo" na obra de Rubem Fonseca.
- A análise da narração e da distância estética em "Cidade de Deus".
- A influência do contexto sociopolítico na formação da favela e sua representação literária.
- A ambiguidade do narrador como elemento inovador na ficção de Paulo Lins.
Auszug aus dem Buch
3.1 - Feliz ano novo (1975)
Como no naturalismo, este conto de Rubem Fonseca vai mostrar a vida e o comportamento de personagens marginalizados. Aqui a narração vai passar à primeira pessoa, e a linguagem utilizada é direta e carregada de expressões vulgares, assimilando a linguagem dos marginalizados. O narrador (cujo nome não nos é revelado), Pereba e Zequinha vão formar um trio de bandidos que irão sair pelo rio de Janeiro a procura de uma casa para assaltar.
No início da obra, os personagens mostram-se frustrados com as condições de miséria e baixíssima higiene nas quais são obrigados a viver, e enfatizam todo o tempo o abismo que os separa do universo em que vivem as pessoas de classe alta:
As madames granfas tão todas de roupa nova, vão entrar o ano novo dançando com os braços pro alto. Já viu como as branquelas dançam? Levantam os braços pro alto, acho que é pra mostrar o sovaco, elas querem mesmo é mostrar a boceta mas não têm culhão e mostram o sovaco. Todas corneiam os maridos. Você sabia que a vida delas é dar a xoxota por aí? Pena que não tão dando pra gente, disse Pereba (...) Pereba, você não tem dentes, é vesgo, preto e pobre, você acha que as madames vão dar pra você?
Neste trecho fica evidente o uso das gírias e palavrões, que vão formar o discurso ao longo de toda a obra. O fator que move a ação do conto é a violência, assim saem os bandidos com armas em punho para realizar assaltos. Acabam por encontrar, em um bairro do Rio de Janeiro onde vive a classe mais abastada, uma casa que seria perfeita para um assalto. Eles entram com meias no rosto pela porta principal, dizendo: “É um assalto! Se vocês ficarem quietos ninguém se machuca. Você aí, apaga essa porra de vitrola!” (Fonseca, 1999, p.17).
Resumo dos Capítulos
1 - Introdução: Apresenta o objetivo de observar a literatura de Paulo Lins sob a ótica social e a relação entre ficção e a realidade da violência nas favelas.
2 - Com uma lupa social focada na favela: Discute a origem de Paulo Lins e sua experiência como pesquisador, fundamentando a relação entre a vivência do autor e a construção do espaço narrativo.
2.1 - Um pouco de história: Contextualiza o surgimento dos cortiços e favelas no Rio de Janeiro, abordando políticas urbanas e higienistas do século XX.
3 - Do naturalismo à Rubem Fonseca: o brutalismo e o caminho livre para Cidade de Deus.: Analisa a linhagem estética que liga o naturalismo ao brutalismo de Rubem Fonseca, preparando o terreno para a análise de Lins.
3.1 - Feliz ano novo (1975): Examina o conto de Rubem Fonseca como exemplo de narrativa direta, marginalizada e violenta que antecipa elementos de "Cidade de Deus".
4 - O Brutalismo e a narracao de Cidade de Deus: Relaciona a literatura de Paulo Lins ao conceito de brutalismo, destacando a modernização da sociedade brasileira e o uso de uma linguagem "impura".
5 - O Narrador de Cidade de Deus: Analisa a ambiguidade do narrador, que alterna entre a linguagem culta e a coloquial, conferindo originalidade e mobilidade estética à obra.
6 - Conclusão: Sintetiza a tese de que a literatura, ao renunciar a certas estruturas poéticas, torna-se capaz de representar a agonia de uma sociedade alienada pela desigualdade.
Palavras-chave
sociedade, favela, literatura, naturalismo, brutalismo, Cidade de Deus, Paulo Lins, Rubem Fonseca, violência, narração, desigualdade social, marginalidade, oralidade, distância estética, contemporaneidade.
Perguntas Frequentes
Sobre o que é essencialmente este trabalho acadêmico?
O trabalho investiga a representação social na obra literária "Cidade de Deus" de Paulo Lins, comparando-a com tradições literárias anteriores como o naturalismo e o brutalismo de Rubem Fonseca.
Quais são os principais temas abordados no texto?
Os temas centrais incluem a evolução do discurso literário sobre a pobreza e a marginalidade, o papel da violência urbana, a influência do capitalismo no desenvolvimento das favelas e a construção técnica do narrador.
Qual é o objetivo central ou a pergunta de pesquisa?
O objetivo é compreender como Paulo Lins utiliza técnicas narrativas ambivalentes e a oralidade para retratar de forma crua a realidade dos moradores da favela, diferenciando sua obra dos modelos anteriores.
Qual metodologia científica é utilizada pelo autor?
O autor utiliza uma abordagem de crítica literária sociológica, recorrendo a conceitos de autores como Bosi e Schwarz, e analisando o contexto histórico, social e literário da produção da obra.
O que é tratado no corpo principal do texto?
O corpo principal detalha o contexto histórico da favela carioca, a transição do naturalismo para o brutalismo, uma análise do conto "Feliz Ano Novo" e, finalmente, o estudo da ambiguidade narrativa em "Cidade de Deus".
Quais são as palavras-chave que caracterizam esta pesquisa?
As palavras-chave incluem sociedade, favela, literatura, naturalismo, brutalismo, Cidade de Deus, Paulo Lins, Rubem Fonseca, violência e narração.
Como a experiência pessoal de Paulo Lins influenciou a obra?
O trabalho destaca que Lins, tendo crescido na Cidade de Deus e atuado como pesquisador antropológico, utilizou sua vivência direta e o acesso aos moradores e bandidos como matéria-prima para a construção do romance.
O que define o "narrador ambíguo" mencionado no trabalho?
O narrador ambíguo é definido pela alternância técnica: ele ora utiliza uma linguagem culta e distanciada para refletir sobre os fatos, ora internaliza a linguagem vulgar e as gírias do meio marginalizado para aproximar-se da realidade narrada.
Qual a relevância do conceito de "brutalismo" para esta análise?
O brutalismo é fundamental para compreender a carga ideológica e a narrativa direta que visam "agredir" o leitor e expor a violência social sem filtros, servindo como base estética para a evolução literária que culmina em Paulo Lins.
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- Student Turian da Silva (Author), 2007, Dos cortiços à neofavela: uma evolução literária em Cidade de Deus, Munich, GRIN Verlag, https://www.grin.com/document/137101