Prevalencia de anemia no Concelho do Porto Novo-Ilha de Santo Antão


Bachelor Thesis, 2011
29 Pages

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Índice

Agradecimentos

Resumo

Abstract

Lista de figuras

Lista de tabelas

1. Introdução
1.1. Deficiência de ferro em Cabo Verde
1.2. Alguns aspectos sobre o metabolismo do ferro
1.3. Necessidades diárias de ferro
1.4. Objectivos
1.5. Objectivo geral
1.6. Objectivos específicos

2. Metodologia

3. Resultados

4. Discussão

5. Conclusões e Recomendações

6. Referências Bibliográficas

Anexos

Agradecimentos

Ao Dr. Peter Ubah Okeke, técnico do Laboratório de Análises Clínicas da Delegacia de Saúde do Porto Novo, pela orientação e ajuda disponibilizada, sempre que necessário, os quais foram cruciais para a realização deste trabalho.

À Dra. Mara Abu-Raya, Docente do Departamento de Engenharias e Ciências do Mar (DECM) da Universidade de Cabo Verde (UNICV), pela coordenação, apoio transmitido durante o estágio.

Um agradecimento especial aos meus pais queridos, Joana Júlia Rodrigues e Manuel José Santos Pires, pelo afecto, amor, compreensão, dedicação e apoio ao longo de todos esses anos de estudo.

Ao meu tio Manuel Lizardo, pelo apoio e incentivo durante os meus estudos.

A todos os meus colegas de curso, especialmente Ijasilton Fortes pelo respeito, carinho e boa convivência ao longo do curso.

A todos os meus professores, pela seriedade e conhecimentos transmitidos ao longo do curso.

Aos meus irmãos e amigos um muito obrigado pelo apoio e incentivo que sempre me deram.

À minha querida Zuleica Baptista pelo amor, carinho e afecto que fazem de mim uma pessoa cada vez melhor.

A Deus, pela força e coragem de continuar a lutar pelos meus sonhos.

Resumo

A anemia é definida como processo patológico no qual a concentração de hemoglobina (HB), contida nos glóbulos vermelhos, encontra-se anormalmente baixa, respeitando-se as variações segundo idade, sexo e altitude em relação ao nível do mar, em consequência de várias situações como infecções crónicas, problemas hereditários sanguíneos, carência de um ou mais nutrientes essenciais, necessários na formação da hemoglobina, como ácido fólico, Vitaminas B12, B6 e C e proteínas. Segundo estimativas da OMS, nos países subdesenvolvidos, a anemia afecta cerca de 36% da população, enquanto nos desenvolvidos sua ocorrência permanece em torno de 8%. Dentre as anemias nutricionais, a anemia ferropriva é a mais comum, seguida pela anemia megaloblástica, causadas pela deficiência de ferro e de vitamina B12 ou ácido fólico, respectivamente, os quais são elementos essenciais para a eritropoiese. O presente trabalho teve como objectivo analisar a prevalência de anemia no concelho do Porto Novo, ilha de Santo Antão, além de descrever a prevalência de anemia em termos de sexo, idade, morfologia das células vermelhas. Foram analisadas 473 amostras de sangue colhido com EDTA, utilizando o contador hematológico SYSMEX KX- 21N, entre os meses de Maio e Julho de 2010. A classificação das anemias foi realizada com base nos valores de referência determinados pela OMS para a contagem de Hemoglobina, enquanto que os valores de normalidade para VGM foram estabelecidos com base na literatura pesquisada. Os resultados mostraram que, do total de amostras, 159 foram do sexo masculino e 314 do sexo feminino, sendo que, 41,01% (n=194) apresentaram anemia enquanto 58,99 (n=279) apresentaram normalidade. Esta foi mais prevalente no sexo feminino, onde observamos que 27,48% das mulheres eram anémicas. Nas grávidas a prevalência foi de 8,88%. A anemia normocítica foi a mais prevalente (52,06%), seguida da microcítica (45,36%) e macrocítica (2,58%). Estatisticamente, não foi observada diferença entre os sexos para a ocorrência de anemia, enquanto que, para as faixas etárias estudadas foi encontrada diferença estatística significativa. Observou-se que a faixa etária com mais casos de anemia situa-se entre 1 e 40 anos. Constatou-se que a prevalência de anemia no estudo foi alta e apresentou uma relação inversa com a idade.

Palavras-chave: prevalência; anemia; deficiência de ferro; anemias nutricionais.

Abstract

Anaemia is defined as a patologic process in which the hemoglobin concentration, present on the red blood cells is normally low, concerning the variations according to age, sex and altitude in relation to the sea level, in consequence of many situations as chronic infections, hereditary blood problems, lack of one of the essential nutrients, necessary in the formation of the hemoglobin, as folic acid, vitamin B12, B6 e C and proteins. According to the OMS estimation, on the developing countries the iron deficiency anaemia affects close to 36% of the population, as long as on the developed countries its occurrence remains round 8%. Amongst the nutritional anaemias , iron deficiency anaemia is the most common, followed by megaloblastica anaemia , caused by , vitamin B12 or folic acid deficiency, that are essential for erythropoiesis. The present work had as the prime objective, analyse the prevalence of anaemia in Porto Novo, Santo Antão Island, besides describe the prevalence of anaemia according to sex, age and red blood cell morphology.In this study, a total of 473 blood samples collected in EDTA, routine anticoaguta were analysed, using the haematologic automatic counter SYSMEX KX-21N, between May and July 2010. The classification of anaemias was realized, according to the reference values determined by OMS to hemoglobin counting, so also the values of reference to MCV was established with support on researched bibliography and that of local reference values.The results indicated that, in the whole samples, 159 was male and 321 was female, in what, 41,01% (n=194) has presented anaemia, as long as 58,99 %(n=279) has presented normality. This was more prevalente on female, where we observed that 27,48% of women where anaemic. In pregnant the prevalence was 8,88%. The normocitic anaemia was the most prevalent (52, 06%), followed by microcitic (45,36%) and macrocitic (2,58%). statistically , was not observed diferences between male and female in occurrence for anaemia, while, in the studied age groups,was found significative statistic differences. It has observed that the age group with more cases of anaemia is situated in 1-40 years. It has seen, the prevalence of anaemia in the study was high and it has inverse relationship with age.

Keywords: prevalence; anaemia; iron-deficiency; nutritional anaemias.

Lista de figuras

Figura 1: contador hematológico tipo Sysmex KX-21N

Figura 2: Amostras de sangue colheitadas em tubos EDTA para hemograma

Lista de tabelas

Tabela 1: Percentagem em função do sexo dos pacientes atendidos

Tabela 2: Distribuição da percentagem dos pacientes com ou sem anemia de acordo com o sexo

Tabela 3: Distribuição dos pacientes anémicos segundo morfologia das células vermelhas

Tabela 4: Distribuição da morfologia das células vermelhas em pacientes anémicos de acordo com o sexo

Tabela 5: Distribuição da morfologia das células vermelhas na amostra total de acordo com o sexo

Tabela 6: Percentagem de anemia normocítica, microcítica e macrocítica por sexo relacionada a faixa etária na amostra estudada

Tabela 7: Resumo da ANOVA para os efeitos do sexo e faixa etária no diagnóstico de anemia na amostra em estudo

Tabela 8: Diagnóstico de anemia nas grávidas baseada no número de grávidas e do número de grávidas na amostra total

Tabela 9: Distribuição das grávidas segundo morfologia das células vermelhas na amostra

1. Introdução

A anemia é definida como processo patológico no qual a concentração de hemoglobina

(HB), contida nos glóbulos vermelhos, encontra-se anormalmente baixa, respeitando-se as variações segundo idade, sexo e altitude em relação ao nível do mar, em consequência de várias situações como infecções crónicas, problemas hereditários sanguíneos, carência de um ou mais nutrientes essenciais, necessários na formação da hemoglobina, como ácido fólico, Vitaminas B12, B6 e C e proteínas (WHO, 1968).

Para o diagnóstico da anemia, a clínica revela-se subjectiva e inespecífica e, portanto, é necessário recorrer aos indicadores laboratoriais (hematológicos), além do consumo alimentar. Existe, actualmente, uma gama de exames laboratoriais sofisticados e específicos, estendendo-se desde exames hematológicos mais simples como a dosagem de hemoglobina, até as dosagens do ferro sérico, ferritina sérica, saturação de transferrina, protoporfirina eritrocitária, eletroforese das hemoglobinas, etc. (Dacie et al., 1984).

O nível de hemoglobina é um dos indicadores que tem sido mais amplamente utilizado em inquéritos epidemiológicos por ser considerada adequada para um diagnóstico preliminar para levantamento no terreno. Este indicador é essencial para a avaliação da anemia, muito embora não permita identificar e diferenciar sua origem entre a anemia nutricional (ferropriva, por deficiência de folato ou de vitamina B12), ou anemia genética, etc (DeMayer et al., 1989).

Do ponto de vista da morfologia dos eritrócitos, a anemia poderia ainda ser classificada em normocítica, microcítica ou macrocítica. Com o advento dos contadores electrónicos de células, critérios mais apropriados foram acrescentados na avaliação morfológica dos eritrócitos sendo que o VGM, por não estar tão intimamente relacionado com deficiências agudas de ferro, torna-se o índice de excelência para definição morfológica. Uma vez que a anemia por deficiência de ferro é, em geral, do tipo microcítica ou seja, um VGM abaixo de 80 fentolitros (fl), seria conveniente associá-lo à hemoglobina para firmar o diagnóstico, particularmente na gestação, devido à já referida hemodiluição fisiológica que por si só alteraria os valores da hemoglobina (Souza, A.L& Batista Filho, M., 2003).

Segundo estimativas da OMS, nos países subdesenvolvidos a anemia afecta cerca de 36% da população, enquanto nos desenvolvidos sua ocorrência permanece em torno de 8%. Dentre as anemias nutricionais, a anemia ferropriva é a mais comum, seguida pela anemia megaloblástica, causadas pela deficiência de ferro e de vitamina B12 ou ácido fólico, respectivamente, os quais são elementos essenciais para a eritropoiese (Fujimori et al., 1996).

A anemia causada pela deficiência de ferro é o resultado de um desequilíbrio entre a quantidade do mineral biologicamente disponível e a necessidade orgânica. Assim sendo, entre suas causas mais comuns destacam-se as dietas pobres em ferro biodisponível e o aumento da demanda, como as que ocorrem na infância, adolescência, gravidez e lactação e aquelas decorrentes de perdas tanto fisiológicas (menstruação), como patológicas (Fujimori et al., 1996).

A anemia, principalmente por carência alimentar de ferro biodisponível, representa o problema nutricional hegemónico em nível de saúde colectiva, no mundo actual, estimando-se sua ocorrência em 2.100.000.000 de casos, ou seja, mais de 1/3 de toda a população mundial (Souza, A.L & Batista Filho, M., 2003).

A anemia por deficiência de ferro, tem maior prevalência em mulheres no período reprodutivo, particularmente durante a gestação e crianças, principalmente nos países em desenvolvimento. Crianças entre 6 e 24 meses apresentam risco duas vezes maior para desenvolver a doença do que aquelas entre 25 e 60 meses (Regina Esteves Jordão et al, 2009).

A deficiência de ferro desenvolve-se no organismo em três estágios. No primeiro estágio, há diminuição da ferritina sérica, que está directamente relacionada com as reservas de ferro. No segundo estágio, há um declínio da concentração de ferro sérico e aumento da capacidade de ligação do ferro. Quando há restrição na síntese de hemoglobina, ocorre o terceiro estágio, podendo-se instalar a anemia (Hadler et al., 2002).

As gestantes representam um dos grupos populacionais mais vulneráveis às anemias nutricionais, em função da baixa ingestão de ferro relacionada ao aumento do requerimento neste estado fisiológico, que está associada a maiores riscos de morbidade e mortalidade maternal e fetal, além de crescimento intra-uterino retardado (WHO, 2001). Estima-se que quase a metade das gestantes no mundo seriam anémicas, apresentando uma prevalência de 52% em países subdesenvolvidos e 23% em países desenvolvidos (WHO, 2001).

Nas gestantes, embora parte dessa elevada demanda seja compensada pela amenorreia e pelo aumento na absorção intestinal do ferro, a necessidade é tão elevada que dificilmente pode ser preenchida apenas pelo ferro alimentar (INACG, 1981).

Diversos estudos têm evidenciado a relação entre anemia durante a gestação e um resultado gestacional deficiente, destacando-se maior risco de prematuridade, baixo peso ao nascer, mortalidade perinatal e menor concentração de hematócrito e hemoglobina no recém-nascido (Garn et al., 1981; Arruda, 1997)

1.1. Deficiência de ferro em Cabo Verde

O arquipélago de Cabo Verde situa-se na zona tropical do Atlântico Norte e suas condições de solo e clima impõe numerosas restrições ao desenvolvimento agrícola; o país, portanto, precisa recorrer à importação de grão e outros géneros para garantir a segurança alimentar da população. Somada à falta de recursos, a elevada taxa bruta de natalidade torna a situação social e económica ainda mais preocupante. Vários destes factores e suas consequências na população materno-infantil, foram analisados em profundidade em 1993 quando da realização da “análise de situação” (Ministério da Saúde/UNICEF, 1996). São escassos os estudos sobre a carência de micronutrientes em Cabo Verde.

Um estudo efectuado em Cabo Verde em 1996 encontrou que a situação é grave em termos de saúde pública, pois as taxas de anemia são de 42% nas grávidas e de 70% em menores de 5 anos (Ministério da Saúde, 2007).

1.2. Alguns aspectos sobre o metabolismo do ferro

O ferro pode ser encontrado sob 2 formas: ferrosa (Fe++) e férrica (Fe+++) e seu conteúdo corpóreo é de 3 a 5g, sendo que parte desempenha funções metabólicas e oxidativas (70% a 80%) e outra encontra-se sob a forma de armazenamento como ferritina e hemossiderina no fígado, baço e medula óssea (20% a 30%). Mais de 65% do ferro corporal encontra-se na hemoglobina, cuja principal função é o transporte de oxigénio e gás carbónico. Na hemoglobina, um átomo de ferro bivalente encontra-se no centro do núcleo tetrapirrólico (protoporfirina IX), formando-se o núcleo heme. O ferro, portanto, é indispensável na formação da hemoglobina (Queiroz, S.S et al., 2000).

1.3. Necessidades diárias de ferro

Dada a grande importância do ferro, o organismo apresenta um mecanismo bastante eficaz, no sentido de serem evitadas perdas desse micronutriente. Dessa forma, seu teor é mantido dentro de determinados limites, com o objectivo de adequar a sua utilização. Até mesmo o ferro proveniente das hemáceas retiradas da circulação, cuja meia vida é de 120 dias, é reaproveitado. As perdas diárias do ferro situam-se em torno de 1 mg em decorrência, principalmente, da descamação celular. Além disso, pequenas quantidades são também perdidas pela urina, suor e fezes. Outras situações como menstruação, lactação e parasitoses, podem determinar perdas adicionais de ferro (Queiroz, S.S et al., 2000).

Como as necessidades de ferro corporal estão relacionadas às diversas etapas da vida, o grau de absorção intestinal de ferro também está vinculado à faixa etária. Exemplificando, uma criança de 12 meses apresenta absorção quatro vezes maior do que outras de diferentes grupos etários (Dallman, P.R.,1989).

Levando-se em consideração esses aspectos, pode-se entender que as necessidades diárias de ferro são pequenas e variam conforme a fase da vida. Dessa forma, considerando-se absorção de 10%, a RDA (Recommended Dietary Allowances) preconiza ingestão diária de 10mg de ferro elementar para crianças de 6 meses à 3 anos; 12 à 15mg, para adolescentes do sexo masculino e feminino, respectivamente; 10mg para adultos masculinos e femininos após cessarem as perdas menstruais; 15mg para o sexo feminino em idade reprodutiva e nutrizes; e para gestantes as necessidades diárias são de 30mg (Dallman, P.R.,1985).

1.4. Objectivos

1.5. Objectivo geral

- Analisar a prevalência de anemia no concelho do Porto Novo, ilha de Santo Antão, além de descrever a prevalência de anemia em termos de sexo, idade, morfologia das células vermelhas.

1.6. Objectivos específicos

- Dar a conhecer os dados relativos à prevalência de anemia no concelho do Porto Novo.
- Aprendizagem de técnicas de hematologia.
- Contribuir para estudos epidemiológicos relativos a anemia a nível nacional.

[...]

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Details

Title
Prevalencia de anemia no Concelho do Porto Novo-Ilha de Santo Antão
College
Reitoria da Universidade de Cabo Verde
Course
Bacharelato Biologia Marinha e Pescas
Author
Year
2011
Pages
29
Catalog Number
V165371
ISBN (eBook)
9783640813810
ISBN (Book)
9783640814107
File size
673 KB
Language
Portugues
Tags
prevalencia, concelho, porto, novo-ilha, santo, antão
Quote paper
Helder Pires (Author), 2011, Prevalencia de anemia no Concelho do Porto Novo-Ilha de Santo Antão, Munich, GRIN Verlag, https://www.grin.com/document/165371

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