As Faces Da Comunicação


Literature Review, 2012
32 Pages

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AS FACES DA COMUNICAÇÃO

Marcelo Mendonça Teixeira [1]

Resumo

Um dos aspectos mais notáveis observados na “sociedade da informação” é a convergência tecnológica dos meios de comunicação de massa, através de um longo processo de adaptação de seus recursos comunicativos às mudanças evolutivas. Logo, as novas mídias tornam-se (pluralmente) uma extensão das mídias tradicionais, possibilitando ao público o acesso as informações numa grande variedade de dispositivos digitais. Contudo, o que distingue ambos os formatos é, primordialmente, a digitalização de conteúdos em bits. Comenta-se, ainda, a flexibilidade de horários, o custo reduzido e a democratização no processo de produção, edição e distribuição das informações em tempo real. Outra seja, a passagem de um modelo unidirecional para um modelo multidirecional de comunicação, que estimula, efetivamente, a troca colaborativa de mensagens. O sociólogo Marco Silva reconhece que é uma nova relação entre a emissão-mensagem-recepção diferente daquela que caracteriza o modelo unidirecional próprio dos meios de comunicação de massa, baseados, exclusivamente, na transmissão de informações. Sob uma perspectiva empírico-descritiva, abordaremos, no presente trabalho, questões conceituais inerentes ao processo comunicativo humano; a evolução dos meios de comunicações enquanto interfaces mediadoras da comunicação; e a convergência midiática para o universo virtual, considerando, ainda, as transformações na cultura da comunicação de massas.

Palavras-Chave: Sociedade da Informação, Convergência, Meios de Comunicação, Interatividade, Colaboração.

Introdução

O século XX será o século das revoluções, previram Karl Heinrich Marx e Friedrich Engels, e duas áreas do conhecimento concretizaram o pensamento dos teóricos, contribuindo decisivamente para a revolução comunicativa e educacional da humanidade – as telecomunicações e a informática. Após o Governo Norte Americano ter criado a “Advanced Research and Projects Agency” (Agência de Pesquisas em Projetos Avançados), em 1958, a ideia da comunicação em rede surge em Março de 1960, no artigo do Cientista Joseph Carl Robnett Licklider “Man-Computer Symbiosis” (Simbioses Homem-Computador) publicado na revista Transactions on Human Factors in Electronics. Na década seguinte, Vinton Cerf cunha o termo “Internet” (sistema global de redes interligadas de computadores) oferecendo a sociedade uma vasta gama de recursos e serviços. Com a informatização generalizada das mídias de massa e perda de audiência para as novas tecnologias de informação e comunicação, muitas passaram a optar pela extensão dos pólos de emissão ou pela extinção das estruturas físicas e migração para o universo virtual. Os benefícios da convergência vieram em seguida, ampliando-se a oferta de gêneros e serviços, reduzindo custos e passando a interagir em outras áreas do conhecimento, além do entretenimento, do jornalismo e da publicidade. Os meios de comunicação de massa foram reformulados e redefinidos, e as novas tecnologias de informação e comunicação passaram a ser utilizadas em todos os campos do saber. É neste contexto que se estabelece uma pluralidade de convergências – da comunicação humana a comunicação em rede. Aqui, apresentamos uma investigação empírico-descritiva para conhecermos a extensão desta problemática.

1. A Comunicação

Fazemos referência aos meios de comunicação de massa como instrumentos que intermediam o processo comunicacional, mas regularmente confundimos com o canal de comunicação. Etimologicamente, a palavra “Comunicação” tem origem no Latim “Communicatio” que significa “ação de tornar algo comum a muitos” (POYARES, 1970). A comunicação ocorre quando o emissor traduz a sua ideia para uma linguagem ou código que possa ser compreendido pelo receptor. Jean Cloutier, autor que destaca o papel do ser comunicante enquanto “EMEREC”, atesta que o homem possui duas características distintas (o de emissor e receptor), num processo não linear e nem estático, encontrando-se este em movimento e variando conforme as diferentes formas de comunicação. Como forma de ampliar o conceito e determinar assertivamente as fases da comunicação humana, muitos estudiosos têm formulado teorias[2] e modelos de representação gráfica. O esquema proposto pelos norte-americanos Claude Elwood Shannon e Weaver Warren (conhecido como mother of all models), tornou-se o escopo da investigação epistemológica no campo das Ciência Sociais:

Figura 1. O Processo Comunicativo

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Fonte: Adaptado de Shannon e Weaver (1949).

O canal de comunicação refere-se ao meio onde a mensagem é transmitida (do emissor ao receptor) caracterizando-se em três aspectos: Visual – Auditivo – Cinestésico. Neste sentido, o processo de comunicação decorre da seguinte estrutura: O código, é um sistema de significados comuns aos membros de uma cultura ou subcultura. O resultado dessa codificação é a mensagem, seja ela verbal ou não verbal, onde qualquer acontecimento, comportamento ou objeto pode ser percepcionado, a qual pode ser emitida e/ou interpretada independentemente da vontade. A linguagem engloba os diferentes sinais corporais e, quando fala do sistema “não verbal” aponta os seguintes canais: Expressão facial – olhar – gestos e movimentos posturais – contato corporal – comportamento espacial – e aspectos físicos. Ou seja, o código é constituído por um conjunto de sinais de natureza distinta entre o emissor e o receptor da mensagem (CUNHA; REGO; CUNHA & CABRAL-CARDOSO, 2003).

Ao receber uma mensagem, o receptor a descodifica, o que consiste na tradução dos seus aspectos verbais e não verbais, de forma que lhe é atribuída um determinado significado (percepção). Esta aparente simplicidade é, todavia, permeada por inúmeras dificuldades inerentes aos sistemas de significação, uma vez que tais significados são muito mais o produto de uma cultura particular do que os significantes (ibidem). Desse modo, as pessoas diferem em suas maneiras de perceber, pensar, sentir e agir, e essas diferenças individuais influenciam a dinâmica interpessoal, a formação de grupos e a própria cultura das instituições (SILVA, 2000). Soares (2006, p.1), recorda que as “mensagens são documentos, registos e atestados do que efetivamente é importante e fundamental para a vida em sociedade. Não importando qual seja seu conteúdo, toda mensagem é sempre uma prova, um testemunho, na medida em que torna público um pensamento, traduz e confirma ideias, transformando-as em palavras, sons e imagens”.

Ainda no processo comunicativo, temos “a resposta” ou “feedback”, também conhecido como “retroinformação”. O feedback é um elemento importante no sistema de informação e, quando se encontra presente no processo de comunicação, é nomeado de bilateral, pois ocorre em dois sentidos, ou seja, além do envio da mensagem original, a informação retorna descodificada pelo receptor à fonte ou emissor, para que este possa conhecer o resultado de sua mensagem (CHIAVENATO, 1999). O feedback ajuda a melhorar o desempenho e a comunicação das pessoas na medida que é fundamental para o desenvolvimento da competência interpessoal no sentido da comunicação, com o intuito de fornecer-lhes uma resposta e constitui-se em um processo de ajuda para mudanças de comportamento (MOSCOVICI, 2002).

Por fim, as barreiras de comunicação (ruídos) estão associadas a diferenças de repertórios; rede de referências, valores, conhecimentos históricos, espaciais, afetivos, científicos, profissionais presentes em cada indivíduo, entre o emissor e o receptor (MOTTA & CALDAS, 1997). Os ruídos distraem, confundem, bloqueiam e interferem diretamente no processo de comunicação. Como parte integrante do processo, chegamos as funções da linguagem, que são recursos utilizados pelo emissor ou destinatário (pessoa que fala ou escreve) no momento de transmitir uma mensagem, com o intuito de que ela seja compreendida pelo receptor ou destinatário (aquele quem ouve ou lê a mensagem), explicam Diniz e Borin (2010). Esses recursos podem ser utilizados como forma de reforçar algum elemento linguístico para que facilite a compreensão do receptor quando em contato com um determinado efeito (ibidem). O pensador russo Roman Jakobson amplia, reformula e determina uma tipologia para as funções da linguagem, baseado no modelo triádico da linguagem do psiquiatra alemão Karl Bühler, estabelendo a: Função Emotiva ou Expressiva – Função Referencial ou Denotativa – Função Apelativa ou Conotativa – Função Fática – Função Poética – e a Função Metaliguística. As funções da linguagem de Jakobson tornaram-se um marco na história da linguística e não apenas se limita aos estudos da linguagem. Camocardi e Flory (2003), sob a égide da obra “Linguística e Comunicação”, detalham as funções da linguagem:

- Função Emotiva ou Expressiva: Ocorre quando há ênfase no emissor e na expressão direta de suas emoções e atitudes, num contexto subjetivo e pessoal;
- Função Referencial ou Denotativa: Privilegia o contexto e evidencia o assunto, o objeto, os fatos, os juízos. É a linguagem da comunicação, das descrições objetivas, das narrativas convencionais, das dissertações, dos ensaios científicos, entre outros;
- Função Apelativa ou Conotativa: Orientada para o destinatário, é a função que busca mobilizar a atenção do receptor, produzindo um apelo;
- Função Fática: Quando a ênfase está no canal, para conferir sua recepção ou para manter a concexão entre os falantes, bem como prolongar ou interromper a comunicação, temos a função fática;
- Função Poética: Dar-se quando a mensagem se volta para os seus próprios constituintes, tendo em vista produzir efeito estético, através da ruptura da norma linguística ou de combinatórias inovadoras da linguagem;
- Função Metaliguística: É a função que visa à tradução do código ou à elaboração do discurso, seja ele linguístico (escrito ou oral) ou extralinguístico (música, cinema, pintura, gestualidade…, também conhecidos como códigos complexos.

“A classificação das funções da linguagem depende das relações estabelecidas entre elas e os elementos do circuito da comunicação”, advogam Camocardi e Flory (2003, p.20), e cada um dos seis fatores de Jakobson determina diferentes funções da linguagem verbal. Deste modo, temos:

Figura 2. Circuito da Comunicação

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Fonte: Baseado em Camocardi e Flory (2003).

Emissores, receptores, canais, sinais e mensagens verbais e não verbais, simétricas e assimétricas, convergentes ou não no ato comunicativo, fazem parte da comunicação humana.

2. Os Tipos de Comunicação

Na literatura de Straubhaar e LaRose (2004) encontramos uma classificação da comunicação delimitada em categorias, que incluem a comunicação intrapessoal – interpessoal – pequenos grupos, grandes grupos e a comunicação de massa. Segundo os autores, cada modo de comunicação pode envolver ou não o uso dos meios de mecânicos ou eletrônicos para a transmissão do fluxo de comunicação e quando esses meios são utilizados, dizemos que a comunicação é mediada. A comunicação intrapessoal é aquela que a pessoa tem consigo própria no âmbito de seu diálogo interior, enquanto a comunicação interpessoal caracteriza-se pela troca de informações entre duas ou mais pessoas durante o ato comunicativo. Na sequência, a comunicação em grupos (pequeno ou grande) geralmente se refere a situações nas quais três ou mais pessoas estão em processo comunicativo. Categorizamos a comunicação de massa como “um para muitos ou ponto a multiponto”. “Nesse caso, uma mensagem é comunicada de única fonte para centenas de milhares de receptores, com relativamente poucas oportunidades para a audiência comunicar-se de volta com a fonte” (STRAUBHAAR & LAROSE, 2004, p.9).

Numa abordagem complementar, entendemos os meios de comunicação de massa como instrumentos mediadores da transmissão de mensagens escritas, sonoras, visuais, textuais. Meios, denota significados e significantes (o ar e a água, por exemplo, são meios), esclarecem Raboy e Solervincens (2005). Desse modo, um meio de transmissão ou comunicação é um agente neutro. Podemos observar facilmente que, apesar de seu estado aparentemente objetivo, a natureza de um meio determina o tipo e a qualidade da informação que pode passar por ele. Ainda que atualmente considerássemos o livro ou a imprensa como meios, o termo tomou relevância com o surgimento da comunicação a longa distância mediante desenvolvimento das telecomunicações (ibidem). Massa, assim como o Meio, são difícies de definir por causa de suas variáveis conotações. No sentido da comunicação social, tem uma referência pública, para todos, massificada. Santaella (2008) revela que no início da década de 90, com um sentido mais estrito, Mídia referia-se especificamente aos meios de comunicação de massa, especificamente aos que transmitiam notícias e informações, tais como jornais, revistas, rádio e televisão, bem como os meios de que a publicidade se serve (de outdoors a mensagens publicitárias).

[...]


[1] Doutorando em Tecnologia Educativa no Instituto de Educação da Universidade do Minho (Portugal). Bolsista da Fundação para a Ciência e a Tecnologia de Portugal (FCT).

[2] Teoria dos Efeitos Ilimitados ou Teoria Hipodérmica – Modelo de Lasswell - Teoria da Persuasão – Teoria Funcionalista – Teoria Empírica de Campo – Teoria Crítica – Teoria Cultorológica – Teoria do Agendamento.

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Details

Title
As Faces Da Comunicação
Course
Comunicação
Author
Year
2012
Pages
32
Catalog Number
V202741
ISBN (Book)
9783668155671
File size
600 KB
Language
Portugues
Tags
faces, comunicação
Quote paper
Marcelo Mendonça Teixeira (Author), 2012, As Faces Da Comunicação, Munich, GRIN Verlag, https://www.grin.com/document/202741

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Title: As Faces Da Comunicação


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