Intervenção Ergonômica na COLISEU

Companhia de Limpeza e Serviços Urbanos de São Luís; agentes de limpeza


Bachelor Thesis, 2005
51 Pages, Grade: 9,5

Excerpt

SUMÁRIO

AGRADECIMENTOS

RESUMO

LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS

1. INTRODUÇÃO
1.1 JUSTIFICATIVA
1.2 OBJETIVOS
1.2.1 Geral
1.2.2 Específicos
1.2.3 Operacionais
1.3 Estrutura do trabalho

2. LIMPEZA URBANA MUNICIPAL
2.1 A Coliseu
2.2 O Trabalho dos Agentes de Limpeza Urbana

3. INTERVENÇÕES ERGONÔMICAS
3.1 Intervenções ergonômicas no trabalho de limpeza urbana.

4. MÉTODOS E TÉCNICAS
4.1 Intervenção Ergonomizadora - MORAES & MONT´ALVÃO (1998)
4.1.1 FASE I – Levantamento ou Apreciação Ergonômica
4.1.2 FASE II – Diagnose Ergonômica
4.1.3 FASE III – Projetação ergonômica

5. RESULTADOS E DISCUSSÕES
5.1 FASE I: Apreciação ergonômica
5.1.1 Sistematização do SHTM
5.1.2 Entrevista Aberta
5.1.3 Entrevistas Estruturadas
5.1.4 Problematização do Sistema Homem-Tarefa-Máquina (SHTM)
5.1.5 Parecer ergonômico

6. Considerações finais
6.1 Sugestões de pesquisas

Referência bibliográfica

ANEXO

AGRADECIMENTOS

Antes de tudo, agradeço a Deus, por tudo que Ele permite acontecer em minha vida e por permitir a conclusão dessa pesquisa.

Agradeço a minha mãe, Maria Ivanilde por ser sempre tão compreensiva e estar sempre disposta a me ajudar e por sua preocupação a respeito da minha vida e desde trabalho.

Ao meu querido pai Ridvan, por ter sido sempre muito presente em minha vida, por me dar tanto amor, tanto carinho e lições de vida.

Ao meu orientador, DSc. Raimundo Lopes Diniz pela competência, disposição e por seus ensinamentos.

Agradeço a minha irmã gêmea Fernanda por ser sempre tão prestativa e se preocupar com meu futuro.

Agradeço também ao meu namorado Carlos Renan, pelo apoio, incentivo, paciência, dedicação a mim e ao meu projeto. Por me tranqüilizar nos momentos difíceis e por seu amor.

Obrigada também as minhas amigas de faculdade, Kerly Araújo, Aline Vale pelos momentos vividos juntos na universidade, atividades realizadas junto, pela preocupação e incentivos dados a mim.

Obrigada também a toda equipe do Núcleo de Ergonomia em Processo e Produto – NEPP da Universidade Federal do Maranhão - UFMA, onde juntos realizamos o projeto de pesquisa como um todo, que resultou na presente monografia.

Agradeço ao Norberto (supervisor operacional da COLISEU) por estar sempre bastante disposto a me ajudar na pesquisa, pelas informações e materiais a mim concedidos e tempo gastos com a minha pesquisa.

Agradeço a Sr. Paulino e todos da COLISEU que permitiram que este trabalho fosse realizado.

Agradeço a todos que de alguma forma, direta ou indireta, proporcionaram para que chegássemos ao final desse Trabalho.

Só tenho a agradecer a todos vocês!

Todas as situações da vida, sejam positivas ou negativas, podem oferecer uma útil lição ao atento observador e intérprete (Silva Filho)

RESUMO

Esta monografia apresenta uma Intervenção Ergonômica, na COLISEU - Companhia de Limpeza e Serviços Urbanos em São Luís – MA, no trabalho dos agentes de limpeza urbana. O método utilizado foi a Intervenção Ergonomizadora, proposta por MORAES E MONT´ALVÃO (1998), onde foi abordada apenas a fase I – Apreciação. Foram realizadas observações assistemáticas, entrevistas abertas, onde os resultados das mesmas serviram de base para formulação da entrevista estruturada aplicada aos agentes de limpeza urbana, em sua maioria analfabeta. As entrevistas e as observações forneceram informações inerentes às tarefas, ao ambiente, a organização e constrangimentos ergonômicos.

Palavras Chave: Ergonomia, agente de limpeza, limpeza urbana.

Ke y Words: Ergonomics, cleanness agent, urban cleanness.

LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS

illustration not visible in this excerpt

1. INTRODUÇÃO

Desde a sua origem, o homem busca meios de otimizar a adequação de seus objetos de uso, visando a amenização de seus esforços durante o desempenho de suas funções. Com o desenvolvimento da tecnologia, esta busca continua a requerer a atenção do homem, pois este parece jamais deixar de ser um ser ocupado. De acordo com MORAES (1994), paradoxalmente, a evolução tecnológica, com suas maravilhosas máquinas operatrizes informacionais, voadoras e inteligentes, exigiu e enfatizou a necessidade de conhecer o homem. Depois de contínuos avanços da engenharia, onde o homem se adaptou, mal ou bem, às condições impostas pelos maquinismos e automatismos, evidenciou-se que os fatores humanos são primordiais. Mais ainda, em sistemas complexos, onde parte das funções classicamente executadas pelos homens pode ser alocada às máquinas, uma incorreta adequação às capacidades humanas pode invalidar a confiabilidade de todo o sistema. Assim, faz-se necessário conhecer, a priori, os fatores determinantes da melhor adaptação de produtos, máquinas, equipamentos, trabalho e ambiente, ao homem.

A ergonomia é a ciência que estuda a interação entre o homem e o seu universo de trabalho, tal como máquinas, equipamentos, mobiliário, ambiente físico e organizacional, visando segurança, eficiência e uma melhor qualidade de vida. Segundo o Conselho da International Ergonomics Association (IEA) (2003), a ergonomia (ou fatores humanos) é a disciplina científica dedicada ao conhecimento das interações entre o ser humano e outros elementos de um sistema, e a profissão que aplica teorias, princípios, dados e métodos para o projeto, de modo a otimizar o bem-estar do ser humano e o desempenho do sistema como um todo. O ergonomista contribui para a projetação e avaliação de tarefas, trabalhos, produtos, meio ambientes e sistemas para torná-los compatíveis com as necessidades, habilidades e limitações das pessoas. CHAPANIS (1994) afirma que a ergonomia é um corpo de conhecimentos sobre as habilidades humanas, limitações humanas e outras características humanas que são relevantes para o design. Projeto ergonômico é a aplicação da informação ergonômica ao design de ferramentas, máquinas, sistemas, tarefas, trabalhos e ambientes para o uso humano seguro, confortável e efetivo. O autor afirma, ainda, que a palavra significativa nestas definições é design, porque ela separa a ergonomia de disciplinas puramente acadêmicas como antropologia, fisiologia e psicologia. PHESANT (1997) argumenta que a abordagem ergonômica em relação ao design pode ser resumida como o princípio do design centrado ao usuário, ou seja, se um objeto, um sistema ou um ambiente é projetado para o uso humano, então seu design deve se basear nas características físicas e mentais do seu usuário humano, assim, o objetivo é alcançar a melhor integração possível entre o produto e seus usuários, no contexto da tarefa (trabalho) que deve ser desempenhada. Finalmente, conforme MORAES & MONT’ALVÃO (1998), o objetivo da ergonomia, seja qual for a sua linha de atuação, ou as estratégias e os métodos que utiliza, é o homem no seu trabalho trabalhando, realizando a sua tarefa cotidiana, executando as suas atividades do dia-a-dia. Segundo MORAES (1993), a ergonomia traz para o processo de projeto um enfoque mais sistemático para a análise, a especificação e a avaliação dos requisitos de usabilidade. A ergonomia traz técnicas e conhecimento que aumentam a habilidade do designer para projetar interfaces com usuários bem sucedidas. O projeto ergonômico segue um desenvolvimento sistêmico e sistemático que se inicia com a delimitação do problema, segue com o diagnóstico ergonômico a partir da análise da tarefa, continua com o projeto ergonômico de alternativas e termina com testes e avaliações ergonômicas. São as exigências e constrangimentos da tarefa que propiciam a concepção do sistema – a configuração do produto em termos das funções a serem desempenhadas pelo homem ou pela máquina.

Os profissionais que são encarregados pela coleta de lixo e limpeza urbana são denominados de garis (ou lixeiros). Nome dado quando os irmãos Garis assumiram a companhia industrial do Rio de Janeiro (empresa privada), por autorização do governo municipal para a coleta de lixo domiciliar.

Em muitos países desenvolvidos a coleta de lixo não é feita mais de porta-a-porta, por ser considerada ultrapassada. A existência de cotainers em pontos estratégicos nos logradouros públicos permite a economia e rapidez do serviço de coleta feita através de veículos quer trabalham apenas com o motorista. RIBEIRO & LIMA (2000).

No Brasil o sistema mais utilizado continua sendo o de porta-a-porta, composta normalmente pelo motorista e mais quatro coletores.

Os garis, em estudo, são funcionários da COLISEU , responsável pela limpeza urbana e coleta de lixo em São Luís-MA. Um grupo de garis realiza a tarefa de varrer ruas, pintar meio fios, cortar gramas, que é chamada de limpeza urbana e outro grupo é responsável por coletas de lixo.

Segundo VELLOSO et al (1997), esse profissional está exposto a seis tipos de fatores de riscos (físicos, químicos, mecânicos, ergonômicos, biológicos e sociais), além de realizarem tarefas que demandam esforços físicos na presença de ruídos em ritmo acelerado.

Nesta pesquisa foi realizada uma intervenção ergonômica, através da Intervenção Ergonomizadora de MORAES & MONT´ALVÃO (1998) na etapa de apreciação - no trabalho dos agentes de limpeza urbana em uma empresa de coleta de lixo e limpeza urbana de São Luís (MA). Foram realizadas visitas à empresa, entrevistas estruturadas, observações assistemáticas em situação real de trabalho, com o objetivo de mapear os constrangimentos ergonômicos, tendo em vista a melhoria das condições de trabalho dos funcionários em estudo. Foi feita uma parceria com o Núcleo de Ergonomia em Processo e Produto – NEPP, do Departamento de Desenho e Tecnologias – DeDET, da Universidade Federal do Maranhão – UFMA e a referida empresa para diagnóstico ergonômico e a proposição de soluções preliminares.

1.1 JUSTIFICATIVA

DUARTE (1998) afirma que são raros os estudos em coletores de lixo no Brasil e ainda afirma que devido a dificuldades instrumentais e operacionais, pouco se conhece da intensidade em que muitos trabalhadores realizam suas atividades. E ainda relata que existe consciência da importância da coleta de lixo e do seu destino nas grandes cidades, mas ainda não se conhece a real intensidade em que trabalham os coletores de lixo e as repercussõe4s deste trabalho na saúde dos garis.

VELLOSO et al (1997) relatam que alguns estudos sobre o assunto (coleta de lixo e limpeza urbana) foram encontrados na literatura (Robazzi, 1991; Ilário, 1989; Pereira, 1978; Silva, 1973), entretanto eles não fazem uma descrição sistemática das várias etapas que compõem este processo.

Por existir essa falta de “conhecimento ergonômico” sobre o trabalho dos coletores de lixo e agentes de limpeza urbana, não só em São Luís como no Brasil, é que se sentiu a necessidade de fazer essa intervenção ergonômica na COLISEU.

Por isso, na tentativa de melhorar a qualidade no trabalho executado pelos profissionais de limpeza urbana de São Luís-MA, viu-se necessário à execução de uma Intervenção Ergonômica nesse posto de trabalho, a fim de propor sugestões preliminares de melhorias.

1.2 OBJETIVOS

1.2.1 Geral

A presente pesquisa visa observar e avaliar a atividade dos trabalhadores de limpeza urbana da COLISEU, no município de São Luís - MA, durante a realização de suas atividades das tarefas, visando conhecer melhor a relação do Sistema-Homem-Tarefa-Máquina no trabalho dos agentes de limpeza urbana e gerar subsídios para o conforto, segurança, eficiência e qualidade de vida no trabalho destes profissionais.

1.2.2 Específicos

- Realizar uma Intervenção Ergonômica de acordo com MORAES & MONT´ALVÃO (1998), no trabalho de limpeza urbana na COLISEU;
- mapear constrangimentos ergonômicos;
- verificar os fatores relacionados à carga de trabalho;
- propor soluções preliminares de melhorias.

1.2.3 Operacionais

- Fazer levantamento bibliográfico sobre o assunto;
- Construir uma estrutura hierárquica para elaboração de uma entrevista estruturada e aplicação deste;
- Realizar observações assistemáticas por meio de registros fotográficos e/ou em vídeo;

1.3 Estrutura do trabalho

Esta monografia está estruturada em 6 capítulos. No capítulo 1 apresenta-se a introdução, a justificativa e os objetivos. No capítulo 2, descreve-se brevemente sobre a COLISEU, citando algumas intervenções ergonômicas realizadas no trabalho dos garis e de limpeza urbana, trabalho em estudo. No capítulo 3, descreve-se o trabalho dos agentes de limpeza urbana, mostrando como é o posto de trabalho e narrando como é o serviço executado pelos funcionários. No capítulo 4, trata-se dos métodos e técnicas utilizados para realização dessa pesquisa, justificando o uso dos mesmos e as estratégias de pesquisas para coleta de dados. O capítulo 5 refere-se aos resultados e discussões, e por fim o capítulo 6 que trata das considerações finais.

2. LIMPEZA URBANA MUNICIPAL

Segundo a cartilha de Limpeza Urbana WEB RESOL (norteada pela metodologia de trabalho desenvolvida, desde 1982, pelo IBAM, através do CPU - Centro de Estudos e Pesquisas Urbanas e da ENSUR - Escola Nacional de Serviços Urbanos, e utilizados nos livros que compõem a Coleção Alternativa Urbanística), o sistema de limpeza urbana deve estar organizado de acordo com as peculiaridades da cidade ou região, apoiando-se em dados estatísticos, cadastros, plantas e outros instrumentos de controle que permitam sua atualização.

A organização do serviço é uma tarefa cujo desenvolvimento se fará basicamente em função do tamanho de cada cidade, ou seja, pelo número de habitantes se verificará o montante de serviços a executar, o que por sua vez indicará a estrutura organizacional a ser estabelecida. Por ser uma atividade eminentemente técnica, a limpeza urbana deverá estar subordinada preferencialmente a Secretaria de Serviços Públicos ou de Obras.

O serviço deverá contar com o apoio, se possível, de um engenheiro, já que no dia-a- dia da limpeza urbana e comum a necessidade de aplicação de conhecimentos de mecânica, terraplenagem e outras técnicas.

Como nem todas as Prefeituras poderão atender a essa imposição técnica, em termos gerais pode ser estabelecido a seguinte orientação para cidades de menor porte:

- Para cidades com menos de 10 mil habitantes, a limpeza urbana pode ficar sob a direção de um encarregado de seção (que pode ter outros encargos), com um mínimo de treinamento e acesso a informações, que devera atuar com supervisor e “fiscal” rigoroso para o bom andamento dos serviços;
- Para cidades com população na faixa de 10 mil a 40 mil habitantes, o ideal é que o encarregado do serviço seja pelo menos um técnico de nível médio, que deverá ser especialmente treinado através de cursos, estágios, etc.;
- Para cidades entre 40 mil e 100 mil habitantes, o responsável pelo serviço terá problemas mais complexos a resolver dentro de sua rotina diária de trabalho, exigindo-se, neste caso, que o serviço seja chefiado por um técnico especializado em limepza urbana, que poderá ser de nível médio, desde que esteja subordinado a um departamento de obras e ou serviços públicos que conte com apoio técnico de um profissional de engenharia.

A limpeza urbana devera ter uma estrutura para cidades de maior porte, pelo menos, os seguintes setores específicos:

- Setor de administração: responsável pelas tarefas relativas e expediente, protocolo, arquivo, comunicação, controle de material, pessoal, além de auxiliar na preparação e divulgação de regulamentações e posturas, bem como promover campanhas de educação sanitária junto à população.
- Setor técnico: encarregado de efetuar estudos, projetos e pesquisas no campo da limpeza urbana.
- Setor de coleta e limpeza: responsável direto pela execução e fiscalização deste serviços, pela implantação de metodologias desenvolvidas pelo setor técnico e pela utilização de pessoal e material, em face dos serviços rotineiros ou ocasionais.
- Setor de transporte: tem como atribuição a distribuição, operação e manutenção da frota de veículos e equipamentos, constituindo-se, portanto, no suporte de todas as atividades operacionais do sistema de limpeza urbana.
- Setor de destinação do lixo: sua atribuição é dispor de forma sanitária e econômica os resíduos coletados.
Outras formas de organizar um serviço de limpeza pública serão determinadas em função das características e recursos humanos e financeiros de cada cidade.

De qualquer forma, organizados em grandes ou pequenas estruturas, diferenciados ou agrupados, todos os setores anteriormente descritos deverão existir, ainda que pensados e planejados por um único homem, pois são eles que formam o conjunto da organização de um sistema de limpeza urbana.

2.1 A Coliseu

A COLISEU é a companhia de limpeza urbana e coleta de lixo vinculada a Prefeitura que também terceriza este trabalho com mais duas empresas, que são privadas, a LIMPEL e a LIMPEFORT.

Uma empresa possui na parte administrativa, diretor presidente, diretor administrativo e financeiro e na parte operacional diretor técnico, supervisor operacional que é responsável por dois gerentes. Cada gerente é responsável por um número de encarregados e cada encarregado é responsável por 15 homens (de limpeza ou coleta).

[...]

Excerpt out of 51 pages

Details

Title
Intervenção Ergonômica na COLISEU
Subtitle
Companhia de Limpeza e Serviços Urbanos de São Luís; agentes de limpeza
Course
Design
Grade
9,5
Author
Year
2005
Pages
51
Catalog Number
V215532
ISBN (eBook)
9783656458012
ISBN (Book)
9783656458050
File size
3010 KB
Language
Portugues
Tags
ergonomic, design, intervation
Quote paper
Master Fabiane Rodrigues Fernandes (Author), 2005, Intervenção Ergonômica na COLISEU, Munich, GRIN Verlag, https://www.grin.com/document/215532

Comments

Read the ebook
Title: Intervenção Ergonômica na COLISEU


Upload papers

Your term paper / thesis:

- Publication as eBook and book
- High royalties for the sales
- Completely free - with ISBN
- It only takes five minutes
- Every paper finds readers

Publish now - it's free