Our major aim here was to research the philosophical relations of logic as tool according to the ancient Aristotelians untill Alexander of Aphrodisias. After our critical assessments of recent interpretations, it is even clearer that Aristotle had not any idea of logic as tool. Since Aristotle could not have argued for such doctrine, our research focused on one of the most significative contexts in which it appears, namely, in a debate with the Stoics; contrary to the ones who said logic is no part, but an instrument of philosophy, the Stoics themselves sustained that logic is part of philosophy and we assessed their arguments for this. It is true that these two theses are not throughout contradictory between them, in so far as, in the period between Aristotle and Alexander, there are signals of a compatibilist thesis, i.e. that the logic had been regarded as part and tool. May as it be, the Aristotelians criticized the arguments for logic as part, which we analyzed, as well as some positive arguments of the Aristotelian school; accordingly, the meaning of some discipline as an instrument (in Greek organon) was clear. That means: a discipline-organon implied relations with the concept of architectonicity; for, according to texts of Aristotle, objects and even technicians of some disciplines could be used as tools by other more architectonic disciplines; that is why later Peripateticians named the subordinate disciplines themselves tools; the concept of instrumental discipline implies that it helps to the finality of its superior. That in mind, we could see the specific case of logic which, as at least Alexader of Aphrodisias clearly regarded, helps to the contemplation, the utmost finality of man.
Índice
1 ALEXANDRE DE AFRODÍSIA E A LÓGICA
1.1 VIDA E OBRA DE ALEXANDRE DE AFRODÍSIA: BREVE RESUMO
1.2 LÓGICA E SILOGÍSTICA
1.3 LÓGICA COMO OBRA DA FILOSOFIA
1.4 ANÚNCIO DA DISCUSSÃO
2 LÓGICA COMO PARTE DA FILOSOFIA
2.1 AUTORIA DOS ARGUMENTOS DA LÓGICA COMO PARTE DA FILOSOFIA
2.2 A FILOSOFIA, SER PARTE E SER PARTE DA FILOSOFIA
2.3 ARGUMENTOS DA LÓGICA COMO PARTE FILOSÓFICA: CHAVES INTERPRETATIVAS
2.4 ARGUMENTO DO OCUPAR-SE
2.4.1 Versão endóxica
2.4.2 Versões unilaterais
2.4.3 Lado Estoico
2.5 ARGUMENTO DA UTILIZAÇÃO
2.5.1 Exclusão dos trechos C e D do argumento estoico
2.5.2 Avaliação e Lado Estoico
2.6 ARGUMENTO DA LÓGICA COMO NÃO SUBPARTE
2.7 AVALIAÇÃO GERAL DOS ARGUMENTOS ESTOICOS
3 LÓGICA COMO ÓRGANON
3.1 QUEM DIZ QUE A LÓGICA É UM ÓRGANON?
3.2 O QUE SIGNIFICA “ÓRGANON” PARA UM ARISTOTÉLICO?
3.3 ENTRE CRÍTICAS, ARGUMENTOS CONSTRUTIVOS E FALSAS ATRIBUIÇÕES
3.4 CRÍTICA AO ARGUMENTO DO OCUPAR-SE
3.5 CRÍTICA ARQUITETÔNICA AO ARGUMENTO DA UTILIZAÇÃO
3.5.1 Versões mitigadas
3.6 O ÓRGANON NO CONTEXTO DAS RELAÇÕES ARQUITETÔNICAS
3.7 AVALIAÇÃO
3.8 ANEXO: DOIS ARGUMENTOS CONSTRUTIVOS PERIPATÉTICOS
4 O CLÁSSICO ARISTÓTELES
4.1 QUE SIGNIFICA OS ARKHAIOI EM ALEXANDRE
4.2 ALEXANDRE, EXEGETA DA INSTRUMENTALIDADE
4.2.1 Comentários a AAn I 1 e Top. I 1
4.2.2 Comentários a Top. I 11 e 14
4.2.3 Avaliação
4.3 A AUSÊNCIA DA LÓGICA COMO DISCIPLINA EM ARISTÓTELES
4.4 CIÊNCIA COMO INSTRUMENTO NA OBRA PROBLEMAS
4.5 O CASO PAIDEIA
4.5.1 Paideia como lógica?
4.5.2 Analítica como educação geral
4.5.3 Educação e metodologias científicas
4.5.4 Metodologia científica e analítica
4.6 AVALIAÇÃO
5 ELEMENTOS PARA UMA HISTÓRIA DA INSTRUMENTALIDADE ANTIGA
5.1 ARISTOTÉLICOS ANTERIORES A ALEXANDRE TOMAVAM A LÓGICA COMO PARTE DA FILOSOFIA?
5.2 INDÍCIOS FRACOS DA EXISTÊNCIA DA INSTRUMENTALIDADE DA LÓGICA ANTES DO SÉC. II D.C.
5.2.1 Andrônico e o argumento da classificação das obras aristotélicas
5.2.2 Andrônico e a questão propedêutica
5.3 INDÍCIOS FORTES DA RETIRADA DA LÓGICA DA FILOSOFIA PELOS PERIPATÉTICOS
5.4 COMPATIBILIZAÇÃO: LÓGICA COMO PARTE E INSTRUMENTO DA FILOSOFIA
5.5 ALEXANDRE E CRÍTICAS À COMPATIBILIZAÇÃO
5.6 AVALIAÇÃO
6 VALOR E USO DA LÓGICA
6.1 LÓGICA E FINALIDADE DO SER HUMANO
6.1.1 Esforço Derivado
6.1.2 Estabelecimento da Função Contemplativa do Homem
6.2 UTILIDADES DA LÓGICA
6.2.1 Utilidades da dialética
Objetivos e Temas da Pesquisa
Esta tese investiga profundamente as relações filosóficas da lógica como instrumento (*órganon*) entre os antigos aristotélicos, focando no período compreendido entre Aristóteles e Alexandre de Afrodísia. O objetivo central é compreender a gênese e o desenvolvimento da doutrina da lógica como disciplina instrumental, confrontando-a com as interpretações estoicas que a consideravam uma parte da filosofia.
- O status da lógica na filosofia antiga (parte ou instrumento).
- A análise crítica das interpretações aristotélicas de Alexandre de Afrodísia.
- O conceito de arquitetonicidade nas relações entre ciências e disciplinas.
- A distinção terminológica entre *meros* (parte) e *morion* (subparte).
- O papel da educação científica e da lógica na finalidade última do homem.
Auszug aus dem Buch
Lógica como Órganon no Aristotelismo Antigo
Investigar as relações filosóficas da lógica como instrumento segundo os antigos aristotélicos, até a época de Alexandre de Afrodísia, é o objeto principal de nosso trabalho. Ora, após avaliarmos criticamente algumas interpretações recentes, é ainda mais claro que uma lógica-instrumento não se encontra em Aristóteles. Como não pôde ter sido Aristóteles o primeiro a defender essa doutrina, nossa investigação se concentrou, então, num dos contextos mais significativos em que ela aparece, a saber, em uma polêmica com os estoicos; em contraste com os que defendiam que ela não era parte mas instrumento, estoicos argumentavam que a lógica é parte da filosofia, os quais argumentos nós analisamos aqui.
É verdade, porém, que essas duas teses não são completamente contraditórias entre si, na medida em que, no período entre Aristóteles e Alexandre, há sinais de uma tese compatibilista, ou seja, de que a lógica seria considerada tanto parte quanto instrumento. Seja como for, nos debruçamos sobre as críticas dos aristotélicos contra uma lógica-parte, bem como sobre eventuais argumentos positivos dos peripatéticos, deixando claro o significado de uma determinada disciplina ser instrumento, órganon em grego. No aristotelismo antigo, disciplina-órganon implicava relações com o conceito de arquitetonicidade; segundo trechos de Aristóteles, objetos e, inclusive, técnicos de determinadas disciplinas podem ser utilizados como instrumentos por outras, mais arquitetônicas em relação às primeiras; daí peripatéticos posteriores denominarem as próprias disciplinas subordinadas de instrumentos; o conceito de disciplina instrumental, então, implica que ela contribui para a finalidade de sua superior. Com isso em mente, voltando-nos especificamente à lógica, Alexandre de Afrodísia considerava claramente que a lógica contribui para a contemplação, finalidade última do homem.
Resumo dos Capítulos
1 ALEXANDRE DE AFRODÍSIA E A LÓGICA: Apresenta a figura de Alexandre de Afrodísia como comentador e estabelece sua obra como fio-condutor para a investigação da lógica como instrumento.
2 LÓGICA COMO PARTE DA FILOSOFIA: Analisa os argumentos estoicos que defendiam a lógica como parte integrante e necessária do sistema filosófico.
3 LÓGICA COMO ÓRGANON: Examina as críticas aristotélicas à posição estoica, desenvolvendo o conceito de lógica como instrumento arquitetonicamente subordinado.
4 O CLÁSSICO ARISTÓTELES: Investiga se Aristóteles defendeu a instrumentalidade da lógica, concluindo pela ausência de tal doutrina no corpus original do filósofo.
5 ELEMENTOS PARA UMA HISTÓRIA DA INSTRUMENTALIDADE ANTIGA: Discute a evolução histórica da tese instrumentalista entre Aristóteles e Alexandre, abordando a possibilidade de posições compatibilistas.
6 VALOR E USO DA LÓGICA: Explora a serventia e a importância da lógica para a finalidade humana, ligando-a ao esforço contemplativo e ao conhecimento da verdade.
Schlüsselwörter
Aristóteles, Órganon, Alexandre de Afrodísia, Lógica Estoica, Partes da Filosofia, Arquitetonicidade, Instrumento, Dialética, Silogística, Propedêutica, Filosofia Antiga, Peripatéticos, Demonstração, Teoria da Ciência, Contemplação.
Häufig gestellte Fragen
Sobre o que trata fundamentalmente este trabalho?
A tese examina a origem e a sustentação filosófica da ideia de que a lógica deve ser considerada um instrumento (órganon) em vez de uma parte da filosofia, uma posição defendida pelos aristotélicos antigos em contraposição aos estoicos.
Quais são os eixos temáticos centrais?
Os eixos centrais incluem o debate entre peripatéticos e estoicos, a análise exegética das obras de Alexandre de Afrodísia, o conceito de arquitetonicidade das ciências e a investigação histórica da relação entre lógica, educação e filosofia.
Qual é o objetivo principal do autor?
O objetivo é demonstrar que a concepção da lógica como instrumento não é originária de Aristóteles, mas consolidou-se no aristotelismo tardio através de uma interpretação específica e um debate polêmico com a escola estoica.
Qual metodologia foi utilizada?
O autor utiliza uma análise hermenêutica e histórico-filosófica, examinando comentários antigos (especialmente de Alexandre de Afrodísia) em diálogo crítico com a produção acadêmica moderna sobre o tema.
O que é abordado no desenvolvimento central?
O desenvolvimento percorre a estrutura argumentativa dos estoicos sobre a lógica como parte da filosofia, contraposta às críticas arquitetônicas aristotélicas, além de investigar o papel da lógica na educação científica e seu valor para a finalidade contemplativa humana.
Quais palavras-chave melhor definem a obra?
Aristóteles, Órganon, Alexandre de Afrodísia, Lógica Estoica, Arquitetonicidade, Instrumento, Dialética, Silogística e Propedêutica.
Por que a distinção entre "parte" e "instrumento" é tão crucial para este estudo?
Porque essa distinção define o valor e a autonomia da lógica; tratar a lógica como parte implica considerá-la um fim em si mesma, enquanto tratá-la como instrumento a subordina à busca de fins superiores, como a contemplação da verdade.
Qual o papel de Alexandre de Afrodísia na tese?
Alexandre serve como a fonte privilegiada e o fio-condutor da análise, uma vez que é o comentador antigo que mais detalhadamente expõe e defende a lógica como instrumento, consolidando o pensamento peripatético nesse sentido.
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- Hugo Bezerra Tiburtino (Author), 2014, Lógica como órganon no Aristotelismo Antigo, Munich, GRIN Verlag, https://www.grin.com/document/311776