Urban Park in Ponta Grossa - Paraná: A Bacia Hidrográfica do Arroio Olarias


Bachelor Thesis, 2014
139 Pages, Grade: 89

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO

2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 O RIO E A CIDADE
2.1.1 O RIO, A BACIA HIDROGRÁFICA E A PAISAGEM URBANA
2.1.2 OS RIOS E AS ÁREAS URBANAS BRASILEIRAS
2.2. PAISAGEM PÓS INDUSTRIAL E BROWNFIELDS
2.3 PARQUES URBANOS: CONCEITOS E DEFINIÇÕES
2.3.1 HISTÓRIA DOS PARQUES URBANOS
2.3.2 PARQUES URBANOS NO BRASIL

3 ANÁLISE DA REALIDADE
3.1 HISTÓRICO DO MUNICÍPIO E INFORMAÇÕES GERAIS
3.2 A RELAÇÃO DE PONTA GROSSA COM OS RIOS
3.3 PONTA GROSSA E OS PARQUES URBANOS
3.4 A BACIA HIDROGRÁFICA DO ARROIO OLARIAS
3.4.1 PROJETOS INCIDENTES NA BACIA HIDROGRÁFICA DO ARROIO OLARIAS
3.5 O BAIRRO OLARIAS E A ATIVIDADE INDUSTRIAL
3.5.1 ANÁLISE SENSORIAL DA PAISAGEM DO BAIRRO OLARIAS

4 ANÁLISE DE CASOS CORRELATOS
4.1 BRONX RIVER GREEN WAY – NOVA IORQUE – EUA – 1999
4.1.1 Histórico
4.1.2 Setorização
4.1.3 Conceito
4.1.4 Soluções técnicas e materiais
4.1.5 Sustentabilidade
4.1.6 Conclusões
4.2 LANDSCHAFTSPARK DUISBURG NORD – DUISBURGO – ALEMANHA. LATZ AND PARTNERS – 1994
4.2.1 Histórico
4.2.2 Conceito e Setorização
4.2.3 Edifícios
4.2.4 Conclusões
4.3 PARQUE SÃO LOURENÇO – CURITIBA – BRASIL. 1972
4.3.1 Histórico
4.3.2 Setorização e Programa de Necessidades
4.3.3 Vegetação e Fauna
4.3.4 Conclusões

5 DIRETRIZES PROJETUAIS
5.1 ANÁLISE E DELIMITAÇÃO DO TERRENO
5.2 PÚBLICO ALVO, SETORIZAÇÃO E PROGRAMA DE NECESSIDADES PRELIMINAR

6 CONCLUSÃO

7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

8 REFERÊNCIAS WEBGRÁFICAS
8.1 REFERÊNCIAS DAS FIGURAS

AGRADECIMENTOS

Primeiramente, agradeço à minha mãe, pelo apoio e por me incentivar a sempre continuar.

Ao meu orientador, Alessandro Filla, por compartilhar seu tempo, conhecimento e bibliografia.

Aos amigos e colegas, em especial aos Arquitetos e Urbanistas Débora Luiza Schumacher Furlan, Flávio Egydio de Carvalho, Simone Carolina Dias e Débora Alice Pauluk, pelos conselhos e incentivos.

RESUMO

Esta pesquisa explora conceitos e metodologias para o desenvolvimento de diretrizes de projeto de um parque urbano na bacia hidrográfica do Arroio Olarias, no Município de Ponta Grossa. Essa bacia hidrográfica é uma das responsáveis pela drenagem da área urbana do município e suas águas estão contaminadas. Sendo assim, a proposta de um espaço livre público de lazer na área visa contribuir na sua preservação. Na primeira parte deste trabalho, são explorados conceitualmente e historicamente, temas relacionados à paisagem de rios urbanos e sua influência nas cidades brasileiras, à paisagens pós-industriais e a parques urbanos. Em seguida, é feita a análise do município e da área urbana de Ponta Grossa e, de maneira mais especifica da bacia hidrográfica do Arroio Olarias, área da intervenção proposta. A seleção de três casos correlatos para análise procura reunir referencial estético, metodológico, técnico e conceitual para a proposta. Por fim, a pesquisa culmina na delimitação da área de intervenção, na elaboração de diretrizes de anteprojeto e em um programa de necessidades preliminar para o parque urbano.

Palavras-chave: paisagem; parque urbano; Ponta Grossa; Arroio Olarias.

ABSTRACT

This research explores concepts and methodologies for the development of design guidelines for an urban park in the Arroyo Olarias watershed. The Arroyo Olarias watershed is located in the municipality of Ponta Grossa (PR) and is responsible for part of the drainage its urban area. Its current state of contamination has led to the the proposal of an open public space that can contribute to its preservation. Initially, the research explores conceptually and historically themes related to urban rivers and the landscape they compose in the Brazilian cities, which include post-industrial landscapes and urban parks. In line with this investigation the research also analyses the municipality and urban area of Ponta Grossa and its relation to the watershed area. The research also studies three correlate cases in order to gather esthetic, methodological, technical and conceptual references for the proposal. Finally, the research culminates in the delimitation of the intervention area, in the elaboration of design guidelines and in a preliminary program for the urban park.

Key-words: landscape; urban park; Ponta Grossa; Arroio Olarias

LISTA DE FIGURAS

FIGURA 1 - SEÇÃO COM COMPONENTES FÍSICOS DE UM CÓRREGO

FIGURA 2 - POÇO, BARRANCO E VÁRZEA, COMO COMPONENTES DE UM CÓRREGO

FIGURA 3 - PLANTA DOS COMPONENTES FÍSICOS DE UM CÓRREGO

FIGURA 4 - INSERÇÃO DA PRAÇA VICTOR CIVITA NO MEIO URBANO

FIGURA 5 -IMAGEM DA COOPERATIVA DE RECICLAGEM

FIGURA 6 - SOLO SENDO ACRESCENTADO E ÁREAS COBERTAS POR DECKS DE MADEIRA NA PRAÇA VICTOR CIVITA

FIGURA 7 - SISTEMA TECGARDEN

FIGURA 8 - IMPLANTAÇÃO DOS TRILHOS DA FERROVIA NAS PROXIMIDADES DE PONTA GROSSA E ESTAÇÃO CENTRAL DE PONTA GROSSA

FIGURA 9 - VISTA DA IGREJA DA MATRIZ DEMOLIDA

FIGURA 10 - EXPANSÃO URBANA DE PONTA GROSSA DE 1930 A 1980

FIGURA 11 - MAPA DA LOCALIZAÇÃO E LIMITES DAS BACIAS HIDROGRÁFICAS DE PONTA GROSSA

FIGURA 12 - VISTA DO COMEÇO DO SÉCULO XX, COMO ARROIO PILÃO DE PEDRA AINDA NÃO CANALIZADO E PESSOAS QUE BEBEM ÁGUA DA BICA. À DIREITA, IMAGEM ATUAL DA REGIÃO

FIGURA 13 - ESPAÇOS LIVRES PÚBLICOS CENTRAIS E ARROIO PILÃO DE PEDRA CANALIZADO

FIGURA 14 - ESPAÇOS LIVRES PÚBLICOS DE LAZER DA ÁREA CENTRAL

FIGURA 15 - RIO SÃO JORGE E CACHOEIRA DE SANTA BÁRBARA EM PONTA GROSSA

FIGURA 16 - CACHOEIRA NO BURACO DO PADRE EM PONTA GROSSA

FIGURA 17 - ÁREAS VERDES URBANAS DE PONTA GROSSA

FIGURA 18 - LOCALIZAÇÃO DO PARQUE MARGHERITA SANNINI MASINI

FIGURA 19 - TRECHOS DO COMPLEXO AMBIENTAL GOVERNADOR MANOEL RIBAS

FIGURA 20 - PARQUE BALNEÁRIO RIO VERDE, COM RECENTE REVITALIZAÇÃO

FIGURA 21 - LOCALIZAÇÃO DA BACIA HIDROGRÁFICA DO ARROIO OLARIAS

FIGURA 22 - PADRÃO DE OCUPAÇÃO URBANA DA BACIA DO ARROIO OLARIAS

FIGURA 23 - LOCALIZAÇÃO DOS PONTOS DE COLETA DE ÁGUA PARA ANÁLISE

FIGURA 24 - IMAGEM AÉREA DA SITUAÇÃO PREVISTA PARA O "PARQUE DA CIDADE", COM AS REPRESAS, E PROCESSO DE EUTROFIZAÇÃO

FIGURA 25 - DIVISÃO DE BAIRROS DE PONTA GROSSA

FIGURA 26 - LOCALIZAÇÃO DO BAIRRO OLARIAS

FIGURA 27 - INDÚSTRIA DE ÓLEOS E CEREAIS ABANDONADA E CHAMINÉ DE ANTIGA OLARIA

FIGURA 28 - VISTAS DAS COTAS MAIS ALTAS DO BAIRRO OLARIAS. COMPOSIÇÃO COM O CÉU E OS CAMPOS GERAIS E VISTA DO BAIRRO FONTE: A AUTORA, 2014

FIGURA 29 - PANORAMA A PARTIR DOS FUNDOS DE VALE. VISTA DO CENTRO DA CIDADE

FIGURA 30 - RUAS E PASSEIOS PRECÁRIOS E EXEMPLARES DE ARQUITETURA EM MADEIRA

FIGURA 31 - JARDINS NOS PASSEIOS E VEGETAÇÃO DOS FUNDOS DE VALE

FIGURA 32 - REMANESCENTES INDUSTRIAIS NO BAIRRO: ANTIGA OLARIA E FÁBRICA ABANDONADA DE MADEIRA LAMINADA

FIGURA 33 - PLANTA GERAL DA REGIÃO DA GREENWAY RIVER BRONX

FIGURA 34 - DEGRADAÇÃO DO RIO BRONX E SEGREGAÇÃO FÍSICA COM OS EDIFÍCIOS DO ENTORNO

FIGURA 35 - SEGMENTO A DO PLANO

FIGURA 36 - ANTIGO ATERRO SENDO RESTAURADO E SITUAÇÃO ATUAL DO PARQUE SOUNDVIEW

FIGURA 37 - PROJETO PROPOSTO PARA O PARQUE SOUNDVIEW

FIGURA 38 - SEGMENTO B DO PLANO

FIGURA 39 - SITUAÇÃO ANTERIOR E ATUAL DA REGIÃO DO PARQUE CONCRETE PLANT, COM AS ESTRUTURAS FABRIS COMO ESCULTURAS

FIGURA 40 - ÁREA ANTES DA REVITALIZAÇÃO E PROPOSTA DE REVITALIZAÇÃO

FIGURA 41 - PONTE E ÁREA DE RECREAÇÃO NO PARQUE STARLIGHT

FIGURA 42 - SEGMENTO C DO PLANO

FIGURA 43 - VIAS SEGURAS PARA CICLISTAS E PEDESTRES

FIGURA 44 - HABITATS À MARGEM DO RIO RESTAURADOS E CONTROLE DE VEGETAÇÃO EXÓTICA INVASORA

FIGURA 45 - CONTROLE DE QUALIDADE DA ÁGUA FEITA POR ALUNOS DE ESCOLAS LOCAIS E COMUNIDADE PLANTANDO UM JARDIM

FIGURA 46 - TÉCNICAS DE FILTRAÇÃO E INFILTRAÇÃO PARA CONTROLE DE RUNOFF, ENCHENTES E EROSÃO

FIGURA 47 - TIPO 2 DE BANCO NO CONCRETE PLANT PARK E PARA-CARROS, OU BOLLARD

FIGURA 48 - CICLOVIAS EXCLUSIVAS, COM PROTEÇÃO LATERAL E CICLOVIAS COMPARTILHADAS, COM PROTEÇÃO LATERAL PARA PONTES DE PEDESTRE

FIGURA 49 - COMPOSTAGEM E HORTA COMUNITÁRIAS. VOLUNTÁRIAS TRABALHANDO NA MANUTENÇÃO DA HORTA

FIGURA 50 - LOCALIZAÇÃO DO PARQUE DUISBURGO NORTE

FIGURA 51 - FÁBRICA MEIDERICH AINDA EM FUNCIONAMENTO

FIGURA 52 - VISTA DA FÁBRICA NA DÉCADA DE 1960

FIGURA 53 - A CHAMINÉ ESTÁ EM MEIO AO JARDIM COMO ELEMENTO ESCULTURAL

FIGURA 54 - LUMINOTECNIA DO PARQUE

FIGURA 55 - PISO DA PIAZZA METÁLICA

FIGURA 56 - SETORES DO PARQUE DA ÁGUA, A PARTIR DAS DIVISÕES DO CANAL DO RIO EMSCHER

FIGURA 57 - MECANISMO DO PARAFUSO DE ARQUIMEDES E TURBINA DE ENERGIA EÓLICA

FIGURA 58 - JARDINS PROJETADOS E “JARDIM DOS FAZENDEIROS” (INGENHAMMSHOF)

FIGURA 59 - LOCOMOTIVA PARA VISITANTES E PONTES QUE CONECTAM O PARQUE

FIGURA 60 - VISTA DA TORRE DE ALTO-FORNO 5

FIGURA 61 - VISTA DA CIDADE DE DUISBURG A PARTIR DA TORRE DE ALTO- FORNO 5

FIGURA 62 - UNIDADE DE PRODUÇÃO DE ENERGIA, ANTES E DEPOIS

FIGURA 63 - SITUAÇÃO ANTERIOR E ATUAL DO COMPLEXO DE VENTILAÇÃO, COMO ESPAÇO DE EVENTOS

FIGURA 64 - SITUAÇÃO ANTERIOR E ATUAL DO COMPLEXO DA CASA DE MOLDAGEM

FIGURA 65- SITUAÇÃO ANTERIOR DO GASÔMETRO E MERGULHADORES ADENTRANDO O ATUAL CENTRO DE MERGULHO

FIGURA 66 - INTERIOR E EXTERIOR DO HOSTEL

FIGURA 67 - LOCALIZAÇÃO DO PARQUE SÃO LOURENÇO

FIGURA 68 - CROQUI DO PROGRAMA DE NECESSIDADES DO PARQUE SÃO LOURENÇO

FIGURA 69 - PISTA DE ROLIMÃ E PISTAS DE CAMINHADA

FIGURA 70 - EXEMPLAR DE TIPUANA TIPU

FIGURA 71 - OVELHAS E TICO-TICOS DO PARQUE SÃO LOURENÇO

FIGURA 72 - RECORTE PROPOSTO PARA ÁREA DE INTERVENÇÃO

FIGURA 73 - SISTEMA VIÁRIO MUNICIPAL DE PONTA GROSSA COM BASE NO PROJETO DE LEI DE SISTEMA VIÁRIO DO PLANO DIRETOR

FIGURA 74 - SISTEMA VIÁRIO PROPOSTO PARA PONTA GROSSA

FIGURA 75 - OCUPAÇÕES IRREGULARES NA ÁREA DE INTERVENÇÃO

FIGURA 76 - VAZIO URBANO UTILIZADO COMO DEPÓSITO DE ENTULHOS E ÁREA DA FÁBRICA ABANDONADA

FIGURA 77 - VISTAS DE ELEMENTOS REMANESCENTES DA ÁREA DA INDÚSTRIA ABANDONADA

FIGURA 78 - CRIANÇAS BRINCANDO NOS EDIFÍCIOS E ÁREAS LIVRES NA REGIÃO DO BROWNFIELD

FIGURA 79 - INFRAESTRUTURA DE CAMPO DE FUTEBOL DE USO PÚBLICO E VIAS ASFALTADAS PERTENCENTES À ANTIGA INDÚSTRIA

FIGURA 80 - NASCENTE DO RIO E VISTA DA CATEDRAL EMOLDURADA PELA VEGETAÇÃO RIPÁRIA

FIGURA 81 - CARÁTER ATUAL DO CURSO DE ÁGUA

FIGURA 82 - ESQUEMA DE ORGANIZAÇÃO DOS MAPAS SÍNTESE

FIGURA 83 - MAPA SÍNTESE 1: PRINCIPAIS USOS, HIDROGRAFIA E OCUPAÇÕES IRREGULARES

FIGURA 84 - MAPA SÍNTESE 2 E 3

FIGURA 85 - VIA DE GRANDE PORTE E FALTA DE CONEXÃO DE VIAS

FIGURA 86 - MAPA SÍNTESE 4

FIGURA 87 - SETORIZAÇÃO PRELIMINAR DO PARQUE

FIGURA 88 - RECORTE PARA DETALHAMENTO

LISTA DE TABELAS

TABELA 1 - ATIVIDADE INDUSTRIAL NO BAIRRO OLARIAS DE 1924 A 1985:

TABELA 2 - ESPÉCIES DE ÁRVORES PRESENTES NO PARQUE SÃO LOURENÇO, CLASSIFICADAS POR NATIVAS DE CURITIBA, DO BRASIL, EXÓTICAS E EXÓTICAS INVASORAS

TABELA 3 - CONDICIONANTES, DEFICIÊNCIAS E POTENCIALIDADES DA ÁREA DE INTERVENÇÃO

TABELA 4 - PROGRAMA DE NECESSIDADES PRELIMINAR

1 INTRODUÇÃO

Atualmente o tema de degradação ambiental, principalmente dos recursos hídricos, vem ganhando bastante notoriedade no meio acadêmico brasileiro. No âmbito internacional, este tema é amplamente difundido e alvo de projetos de diferentes áreas do conhecimento, pois as cidades a cada dia se tornam mais adensadas, e com maior demanda por recursos naturais e por infraestrutura, dentre elas, a por espaços livres de lazer.

Na cidade de Ponta Grossa, a carência de espaços livres no núcleo urbano, tanto de lazer como de outros tipos, é uma característica compartilhada por várias cidades brasileiras. De acordo com o Censo IBGE (2010), a cidade possuía 311.611 habitantes em 2010, com estimativa de 331.084 em 2013. Deste total, 304.733 pessoas vivem na área urbana, com pouquíssimas opções de espaços livres de lazer.

No contexto da degradação ambiental, Ponta Grossa possui doze bacias hidrográficas na área urbana, que têm suas nascentes no centro urbano e águas que partem para a periferia. Devido às características físicas do solo e topográficas, os cursos de água ficam expostos, deixando-os frágeis e suscetíveis a ocupações irregulares e à poluição de diversas origens. Um agravante desta situação é a precariedade do sistema de coleta e tratamento de esgoto na cidade, que devido ao seu crescimento desordenado e topografia acidentada, não conseguiu acompanhar todas as áreas ocupadas.

Como forma de contribuir no desenvolvimento de soluções para esses problemas, esta monografia apresenta embasamento teórico, metodológico e diretrizes para o projeto de um espaço livre de lazer na cidade de Ponta Grossa. O local escolhido para essa proposta foi a bacia hidrográfica do Arroio Olarias, uma das quatro responsáveis pela drenagem do centro urbano e que apresenta fragilidade sócio-ambiental.

A área delimitada nesta bacia abrange uma de suas cabeceiras, que apresentam altos níveis de contaminação. Desta maneira, um parque urbano na região poderia auxiliar a conter a pressão por ocupação na área da bacia e também readensar a vegetação das margens dos cursos de água pertencentes à bacia. O parque teria influência direta no espaço urbano de Ponta Grossa como um todo, ao ser uma oferta de espaço de lazer para a população e também ao conectar vias importantes para a malha viária da cidade.

O objetivo geral desta monografia é refletir sobre a valorização dos rios no meio urbano, apresentar conceituação sobre parques urbanos, paisagem e paisagem pós industrial, e sugerir diretrizes para elaboração de projeto de um espaço livre público de lazer na cidade.

Como objetivos específicos, esta pesquisa procura: I) sintetizar bibliografia sobre parques urbanos no Brasil; paisagens pós-industriais e sua conversão em espaços públicos de lazer; a relação contemporânea dos rios com as cidades brasileiras; áreas degradadas e brownfields ¹ ; II) compilar e analisar intervenções paisagísticas em áreas degradadas similares, onde houve contaminação de corpos hídricos e conversão de áreas pós-industriais em parques urbanos, através de estudo de casos correlatos, para assim reunir referenciais técnicos, conceituais e projetuais para a etapa posterior deste trabalho; III) situar a bacia hidrográfica do Arroio Olarias em Ponta Grossa e a relação da cidade com seus cursos de água; IV) explicar e justificar a área de estudo escolhida; V) identificar potenciais paisagísticos para a área da prosposta de intervenção e seu entorno; VI) definir o público alvo e propor diretrizes e programa de necessidades para elaboração de um projeto de um parque urbano em uma área com caracterísitcas de paisagem pós industrial e degradação ambiental de corpos hídricos.

Existem três justificativas para escolha do tema: I) a carência de espaços livres de lazer para atender toda a população no núcleo urbano de Ponta Grossa II) a fragilidade sócio-ambiental das cabeceiras do arroio Olarias, devido à pressão por ocupação de habitações irregulares, à falta de saneamento básico adequado e à poluição oriunda do centro urbano; III) a necessidade de revitalização de espaços subutilizados no meio urbano, devolvendo-os à população como áreas de lazer e integração tanto da malha viária como do espaço urbano. Dessa forma, a proposta de um parque urbano atua como uma possível solução para esses problemas.

Para se atingir os objetivos geral e específicos dessa pesquisa, a metodologia utilizada foi adequada às diversas etapas de trabalho, de acordo com os tópicos à seguir:

Pesquisa bibliográfica e webgráfica, para prover subsídios à discussão teórica e também fundamentar a análise de casos correlatos;

¹ Bronwnfields: entre as várias definições, podem ser propriedades em que a expansão, requalificação ou reuso podem ser complicados pela presença em potencial de substâncias perigosas, poluentes ou contaminantes (H.R.2869).

Pesquisa de campo para reunir acervo fotográfico, bases editáveis e informações sobre a bacia hidrográfica do Arroio Olarias e sobre a área de intervenção;

Seleção, organização e sistematização do material levantado, incluindo a análise, sintetização e avaliação das informações;

Produção de mapas e esquemas;

Realização de um levantamento prévio, elaboração de diretrizes e de um programa de necessidades preliminar, com base nos estudos de casos correlatos e especificidades da área de intervenção.

A partir dessa metodologia e objetivos, a pesquisa foi dividida em oito capítulos, sendo assim intitulados: Introdução; Referencial Teórico, com os temas sobre rios urbanos, paisagens pós-industriais e brownfields ¹ , e parques urbanos ; Análise da Realidade, com foco sobre a área urbana de Ponta Grossa e a bacia hidrográfica do arroio Olarias; Análise de Casos Correlatos, onde foram selecionadas três obras para análise; Definição de diretrizes de anteprojeto do parque proposto, onde são definidos o público alvo, as diretrizes, um programa de necessidades e setorização preliminares para um parque urbano; por fim, referências bibliográficas e webgráficas.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

Esta sessão refere-se ao esclarecimento de conceitos básicos e pertinentes ao entendimento do objeto de estudo, como os termos espa ç o livre, parque urbano, rios urbanos, paisagem e brownfields, que serão tratados no decorrer deste trabalho.

A primeira parte desta conceituação, intitulada O rio e a cidade, trata a respeito de definições de termos como bacia hidrogr á fica, rio urbano, paisagem, além de explorar a situação atual dos cursos de água urbanos no Brasil. Neste capítulo, discorre-se sobre a relação de rios urbanos com as cidades brasileiras, a partir de reflexões de diversos autores.

Na segunda parte, o tema contemporâneo neste trabalho nomeado Paisagem P ó s-Industrial e Bronwnfields, corresponde aos conceitos referentes a áreas degradadas por atividade industrial ou infraestrutura urbana desativada e que são pouco explorados no meio acadêmico brasileiro. Esta abordagem é pertinente, pois existe infraestrutura semelhante na área escolhida para intervenção.

A terceira parte, contemplada pelo subcapítulo Parques Urbanos, apresenta conceitos sobre parques e o seu desenvolvimento pela história nacional e internacional. São mostradas as vantagens e desvantagens da implantação de um parque urbano em uma cidade e a situação contemporânea da realidade brasileira. Dessa forma, os espaços públicos de lazer são vistos como uma solução para as áreas degradadas e rios desvalorizados na paisagem.

2.1 O RIO E A CIDADE

Como parte da conceituação teórica, este subcapítulo dedica-se a explorar a relação dos rios urbanos e as cidades brasileiras, fornecendo um panorama atual dessa relação, ao apresentar o processo em que as cidades deram às costas aos rios urbanos, através da poluição e abandono gradual das águas urbanas no Brasil.

Outro objetivo deste subcapítulo é fornecer embasamento teórico a partir de conceitos sobre paisagem, bacias hidrogr á ficas e a diferença entre rios urbanos e

n ã o urbanos. Os componentes físicos de um rio também são abordados, como forma de caracterizar o que configura um curso de água.

2.1.1 O RIO, A BACIA HIDROGRÁFICA E A PAISAGEM URBANA

Presentes no meio natural, os rios e bacias hidrográficas podem ser vistos como componentes estruturadores da paisagem urbana. Portanto, para uma intervenção na paisagem que contemple esses elementos, se faz necessária a apresentação de conceitos fundamentais, sendo o primeiro deles o de paisagem.

Discutido no decorrer da história, o conceito de paisagem possui diversas interpretações. Como afirma Macedo (1999, p.11), paisagem é uma palavra com tantas acepções quanto as áreas do conhecimento que a utilizam. Sendo assim, este trabalho procura explicitar estes conceitos e interpretações, a partir de diferentes autores do contexto nacional.

Entende-se que paisagem é um conceito que não pode ser dissociado entre espaço e sociedade. É algo que vai além da questão estética, que vem da interação sensorial entre sujeito e um conjunto de objetos tanto presentes na natureza, como produzidos pela sociedade. Sandeville (2005, p.6) afirma que paisagem traz ainda a questão da qualidade ambiental e os processos que a originaram. Paisagem é uma ação de troca construída historicamente pelas ações humanas com o meio natural em um determinado lugar.

Macedo (1999, p.11) entende que paisagem pode ser considerada de duas formas: como produto e como sistema. “Como produto porque é derivada do processo de ocupação e gestão de um território”. Como sistema, pois qualquer ação imposta sobre ela, gera uma reação e consequentemente, uma alteração morfológica no todo ou parcialmente.

Afirma-se ainda que a paisagem possui uma natureza dupla. A partir da visão de Macedo (1999), Schlee et al (2009, p.36) subdivide a análise das dimensões da paisagem em duas vertentes: uma relacionada à essência material, categorizável e física da paisagem, e outra que está relacionada à essência simbólica, à relação do indivíduo ou do coletivo na criação e experimentação da paisagem. A primeira abrange a dimensão morfológica, funcional e espacial, e a segunda, os quesitos históricos e simbólicos.

A primeira vertente entende basicamente que paisagem é a expressão materializada da interação entre homem e natureza, através da interação entre múltiplos elementos, escalas e níveis de organização (SCHLEE et al, 2009 p.37).

Na segunda vertente, a paisagem é entendida como um sistema de interações entre natureza e cultura, entre tempo e espaço, entre o indivíduo, com sua percepção pessoal e o meio. Nesse sentido, Meinig (1979) apud Schlee et al (2009, p.37) considera todas as paisagens como “simbólicas, como expressão dos valores culturais, do comportamento social e de ações individuais trabalhadas em localidades específicas por determinado tempo”.

Ainda sob o ponto de vista de paisagem como síntese das relações da humanidade com a natureza, para Saraiva (2005) apud Gorski (2010, p.40), a paisagem é composta pelas relações humanas e a natureza, em um determinado lugar, a partir de três componentes relacionados: ordem biofísica e ecológica, ordem perceptiva e ordem sociocultural e econômica.

Sendo assim, toma-se que o conceito de paisagem é resultado e parte de um processo biofísico e social, de troca cultural entre sociedade, ambiente e percepção individual do observador no decorrer do tempo. È impregnada de cultura e é percebida através do filtro cultural de um observador.

Além do conceito de paisagem, o conceito de rios urbanos também precisa ser explicitado, pois rios e paisagens estão proximamente ligados. Como afirma Costa (2009, p.12) “rios urbanos são paisagens mutantes com destinos entrelaçados”.

Um rio urbano pode ser entendido como aquele que durante o processo de urbanização sofre modificações de origem antrópica e pode ter seu potencial paisagístico aproveitado ou não (PORATH, 2004, p.25). Sendo assim, um rio que não passa pela malha urbana, não sofre alterações físicas e corre livremente pela natureza, o que não o isenta de receber poluentes, pois os recursos hídricos funcionam como um sistema. O impacto recebido no contexto urbano se propaga em toda a extensão de um rio.

Muitas vezes, os rios são vistos sob a perspectiva de que são um problema no meio urbano e como um fator de segregação, pois as cidades que são cortadas por um rio de grande porte geralmente possuem duas margens com ocupações diferenciadas, além de vários outros conflitos relacionados a infraestrutura de saneamento (PORATH, 2004, p. 27).

Como sistema, um rio não pode ser dissociado de sua bacia hidrográfica, sendo que atualmente este conjunto representa uma unidade espacial paisagísitca reconhecida como unidade de gestão urbana (GORSKI, 2010, p.41).

Uma bacia hidrogr á fica é “uma área ou território dotado de declividade, que possibilita o escoamento das águas, que direta ou indiretamente se dirigem para um corpo de água central”. Deste corpo d’água principal partem rios tributários, que formam sub-bacias (GORSKI, 2010, p.42).

Para Tucci (1997) apud Porto e Porto (2008, p. 45), a bacia hidrogr á fica é uma área de captação natural das águas pluviais que converge o escoamento para um único ponto de saída. Conforme este autor, a bacia hidrográfica pode ser entendida ainda como “um conjunto de superfícies vertentes e de uma rede de drenagem formada por cursos d’água que confluem até formar um leito único em seu enxutório”.

Sendo assim, uma bacia hidrográfica está atrelada a um território. Nela é encontrado o equilíbrio da entrada e saída de água, o que permite o surgimento de sub-bacias, interconectadas pelos sistemas hídricos (PORTO e PORTO , 2008, p. 45).

Como explicitado acima, rios e bacia hidrográfica estão contidos em um sistema, que compõe o ciclo hidrológico muitas vezes visto como causador de conflitos no meio urbano, a partir das cheias naturais de todos os cursos d’água. O ciclo hidrológico é fundamental para o bom funcionamento do sistema hídrico e deve ser respeitado nas intervenções urbanas, o que normalmente não ocorre nas cidades brasileiras (GORSKI, 2010).

O ciclo hidrológico consiste em precipitação; infiltração; escoamento superficial, também chamado de run off que é quando a água em excesso se espalha pelo solo próximo do rio e volta para o leito; escoamento subterrâneo; evaporação e evapo-transpiração (PORATH, 2004 p. 25).

A precipitação é a água da chuva que se precipita sobre o solo. A infiltração é quando a água é absorvida pelo lençol frático, extremamente importante na prevenção de inundações, pois armazena a água no solo antes de voltar ao leito do rio. O run off ou escoamento superficial, acontece normalmente com a água que não é absorvida. O problema em relação ao run off é quando o solo foi muito impermeabilizado, impedindo a infiltração e a velocidade de escoamento da água aumenta, assim como o nível de água do rio. O ciclo se fecha com a evaporação da água, que se precipita na forma de chuva novamente.

Um curso de água possui componentes físicos (FIGURA 1) que integram parte do sistema rio - bacia hidrográfica. Gorski (2010, p. 47) apresenta estes componentes, que possuem funções específicas em ecossistema fluvial, como abrigo de fauna e flora, transporte de sedimentos e água.

FIGURA 1 - SEÇÃO COM COMPONENTES FÍSICOS DE UM CÓRREGO. FONTE: A AUTORA - ADAPTADO DE GORSKI, 2010, p.48.

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A vegetação, também chamada de vegetação ripária (FIGURA 1), pois fica à margem do rio, é parte do ecossistema fluvial e ajuda na diminuição da velocidade do escoamento superficial, prevenindo erosões. A várzea (FIGURA 2) é a área que normalmente é encoberta pela água do rio, dependendo da quantidade de chuvas e são inadequadas para assentamentos humanos. No entanto, ocupações irregulares nessas áreas acontecem frequentemente.

FIGURA 2 - POÇO, BARRANCO E VÁRZEA, COMO COMPONENTES DE UM CÓRREGO. FONTE: AUTORA - ADAPTADO DE GORSKI, 2010, p.48.

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As águas de fluxo mais fraco seguem o tavelgue, a parte mais profunda do rio. No leito menor, o fluxo é mais constante e não possibilita o crescimento de vegetação. O leito maior e a vegetação ripária têm a função de reter, filtrar e dissipar sedimentos e nutrientes, e também reter e armazenar cheias (FIGURA 3) (GORSKI, 2010, p.47).

FIGURA 3 - PLANTA DOS COMPONENTES FÍSICOS DE UM CÓRREGO. FONTE: AUTORA - ADAPTADO DE GORSKI, 2010, P.48

Abbildung in dieser Leseprobe nicht enthalten

Assim, esclarecidos os conceitos sobre rios urbanos e bacias hidrográficas, pode-se estabelecer um panorama da realidade brasileira em relação aos rios, importante tema para a interpretação do objeto de estudo.

2.1.2 OS RIOS E AS ÁREAS URBANAS BRASILEIRAS

A relação entre o meio urbano e os corpos hídricos que por ele perpassam, é bastante particular. Ao longo da história, as águas esculpiram e moldaram a territórios. Essa transformação se deu forma visível, através dos rios, canais e frentes marítimas, ou invisível, através de drenagens, esgotos e captação (GORSKI, 2010, p.38).

Com o passar do tempo, a importância dos rios urbanos ao redor do mundo foi reconhecida pelas facilidades que ofereciam, como circulação de pessoas e bens, energia, lazer e abastecimento, sendo assim apropriados como paisagens urbanas (GORSKI, 2010; CENGIZ, 2013).

Assim como no resto do mundo, é muito antiga a relação entre os rios e as cidades braileiras. Antes da colonização, esta relação era bem mais próxima e pode ser percebida em palavras presentes no português, advindas de línguas nativas, como Icatu (água boa) , Iguatemi ( água verde) ou Ipiranga (rio vermelho). Durante a colonização , muitas cidades surgiram à margem dos rios, cursos d’água ou a beiramar (GORSKI, 2010 ; COSTA, 2006).

Ao contrário do que aconteceu nas cidades européias e do antigo oriente, que se desenvolveram morfologicamente estruturadas em função dos rios, no entanto, sem deixar de poluí-los e voltando a recuperá-los na atualidade, as cidades brasileiras tiveram um desenvolvimento e crescimento diferentes que acarretaram na supressão dos cursos d’água. Essa característica conduziu a situação atual em que se encontram os rios urbanos brasileiros: degradados (PORATH, 2004).

A relação harmoniosa entre rios e a população no Brasil foi mantida até a metade do século XX, momento em que os conflitos entre sociedade e meio ambiente se ampliaram. Conflitos que consistem em habitações irregulares ou informais às margens dos rios, transformação das águas em canais coletores de lixo e de esgoto, além das inundações periódicas (GORSKI, 2010 ; COSTA, 2006).

No Brasil, os investimentos em infraestrutura não acompanharam o crescimento urbano acelerado, o que ocasionou deficiências no abastecimento de água, coleta e tratamento de esgotos. Assim, poços artesianos e fossas sépticas foram perfuradas sem planejamento, gerando contaminação e transformando os córregos e rios em cloacas de esgotos (PORATH, 2004).

Após a colonização no Brasil, a administração pública passou pelo processo de “hidrofobia”, como afirma Bertolini (2009), em seu artigo sobre rios urbanos em São Paulo. Hoje as margens dos rios quando não são espremidas por avenidas, servem de abrigo para habitações irregulares para pessoas que não tiveram o devido atendimento da política habitacional e consequentemente, não tiveram o direito a cidade.

Assim, as vias são construídas o mais próximo possível dos canais, para evitar as ocupações, deixando de lado outras soluções muito menos agressivas, mais eficientes e sustentáveis, como parques lineares, e adensamento de vegetação, com a justificativa de que áreas livres podem ser invadidas. O sistema viário é sobrevalorizado e os rios são ignorados.

Os conflitos encontrados entre água e malha urbana normalmente são sanados a partir de soluções drásticas, como retificação do leito do rio, que levam até mesmo ao desaparecimento completo dos cursos d’água na paisagem urbana, que escondidos sob a malha urbana, canalizados, deixam de ser referência paisagística para a cidade. Quando os rios estão aparentes, existe ainda o risco ao se residir nas suas proximidades, pois é uma forma de se expor a enchentes e doenças provenientes das águas poluídas (ALVE, 2006; COSTA, 2006).

Os rios foram desaparecendo da paisagem urbana, deixando apenas rastros impregnados de características desagradáveis aos habitantes, como afirma Costa (2010, p.31), “a evolução da urbanização foi conseguindo eclipsá-los e anular a sua importância, restringindo sua presença a quase apenas aos sintomas perturbadores: mau cheiro, obstáculo à circulação e ameaça de inundações”.

Frutos do processo de urbanização que ocorreu nas cidades brasileiras, esses conflitos, junto as alterações nos ecossistemas existentes, deixaram marcas profundas nos corpos hídricos, que refletem os impactos provocados “por padrões de desenho, uso e desenvolvimento urbanos culturalmente aceitos e postos em prática ao longo do tempo” (TÂNGARI et al, 2005, p.4).

Os corpos hídricos de menor porte, como córregos e capilares da rede hídrica, não raro, são totalmente obstruídos. Muitos deles passam por quintais de casas ou as vezes sob as edificações e ruas. São tão desfigurados que não é possível nem reconhecê-los como um corpo d’água.

Com todos os conflitos que são encontrados na realidade brasileira, constatase que é difícil para um rio atravessar um tecido urbano, principalmente para rios pequenos e córregos. Eles se tornam esquecidos, cada vez mais poluídos e desvalorizados, e dessa forma vão sendo escondidos da imagem da cidade (COSTA, 2003 ; PORATH, 2004).

A partir das definições conceituais e do panorama exposto sobre a realidade brasileira, entende-se que rios urbanos são elementos naturais e que precisam ser restituídos à paisagem das cidades brasileiras. Constatar que os rios estão poluídos e se tornando cada vez mais invisíveis é o primeiro passo nas mãos de arquitetos urbanistas e paisagistas que tem a competência para desenvolver projetos e que devem ser feitos de forma consciente.

2.2. PAISAGEM PÓS INDUSTRIAL EBROWNFIELDS ¹

Neste ítem, aborda-se o tema contemporâneo, aqui nomeado, Paisagem P ó sIndustrial. Esse tipo de paisagem, é caracterísitco dos países industrializados. Não tem nada em comum com a paisagem natural ou agrícola e pode ser enfrentado como um problema (LATZ, 2003, p.107).

A paisagem pós-industrial pode ser composta por infraestrutura fabril e depósitos abandonados, linhas férreas em desuso, represas, pedreiras e extratoras de areia desativadas, viadutos e pontes nunca finalizados. Além destes exemplos, existem muitos tipos de infraestrutura urbana desativada que afetam a paisagem urbana atual, deixando normalmente rastros de contaminação dos recursos naturais.

Para Latz (2003, p. 107), definir essas áreas como “estragos na paisagem” e lhes dar outro uso que não explore seu potencial, seria injusto perante ao que elas tem a oferecer. Podem ser chamadas até mesmo de paisagens fantásticas, que seguem a era da indústria.

Nos países que atingiram um alto grau de industrialização, como Estados Unidos, Alemanha, Holanda e Japão, o tema sobre o que se pode fazer com os vestígios deixados pela era industrial e de como reinserí-los na paisagem urbana é bastante discutido, além de essas regiões se tornarem alvo de muitos projetos de paisagismo e engenharia.

No contexto internacional, a globalização e a desindustrialização provocaram o processo de migração de áreas industriais existentes, produzindo , dentre diversos outros impactos, uma vastidão de infraestrutura industrial obsoleta (LOURES, 2008, p.24).

Desde o início dos anos 1990, os países com alto grau de desenvolvimento econômico vem passando por transições em suas economias, as chamadas “novas economias”, geralmente compostas por empresas de informação, lazer urbano e comunicação. Com essas transições muitas mudanças espaciais ocorreram, pois os antigos clusters ² industriais mudaram de localidade ou até mesmo foram transferidos para países em desenvolvimento, deixando para trás infraestrutura em desuso (GOSPODINI, 2009, p. 1157).

¹ Bronwnfields: entre as várias definições, podem ser propriedades em que a expansão, requalificação ou reuso podem ser complicados pela presença em potencial de substâncias perigosas, poluentes ou contaminantes (H.R.2869).

Assim que as paisagens se tornaram economicamente desvantajosas e degradadas ambientalmente, muitos profissionais de áreas afins começaram a reagir ao declínio desenvolvendo novos métodos para transformar esses locais. Nesse momento, se afirmou que a paisagem pós-industrial constituia um agente subestimado em relação ao desenvolvimento urbano (LOURES e BURLEY, 2012, p.223).

Na Europa, a ideia de reutilizar paisagens pós-industriais foi reforçada por seis objetivos para se produzir um ambiente construído sustentável, apresentados no Conselho Europeu para Pesquisa em Construção, Desenvolvimento e Inovação, em 2001: i) Crescimento urbano; ii) Requalificação de áreas industriais; iii) regeneração de brownfields; iv) construções sustentáveis; v) novas áreas livres; e vi) regeneração de bairros (LOURES e BURLEY, 2012, p.223).

Desde então e por esse motivo, vários países industrializados começaram a adotar a ideia de que a paisagem p ó s-industrial oferece oportunidades para criação de novas paisagens. O valor delas na sociedade foi reconhecido tanto no sentido ecológico, como social, cultural e econômico (LOURES e BURLEY, 2012, p.224).

Loures e Burley (2012, p.225) afirmam ainda que essas paisagens deterioradas, antes vistas como destroços, foram reconhecidas como oportunidades, não apenas pela sua proximidade em relação a infraestrutura ou por possuírem uma forma e configuração únicos, mas também por serem muitas das vezes o único local disponível na malha urbana para se gerar áreas livres e desenvolvimento.

Nos Estados Unidos, as cidades também vivenciaram o declínio de áreas industriais nos últimos trinta anos. A segregação urbana resultou em propriedades em desuso ou subutilizadas, deterioração de sistemas de transporte e infraestrutura, lugares abandonados e contaminados, pressão nas indústrias remanescentes para serem ambientalmente conscientes, e um declínio da economia urbana. Várias entidades governamentais criaram manuais de procedimentos e programas como o Argonne ’ s Urban Industrial Program, o que envolvia descontaminação, reutilização e atração de recursos financeiros (WILKEY, 2000, p. 248).

Este programa tem dois enfoques principais, classificados em “Indústrias do Futuro”, com incentivo à iniciativas sustentáveis para indústrias, como redução do número de emissões, e também o “Redesenvolvimento Industrial”, que tem relação com a reciclagem de indústrias desativadas, que geralmente são convertidas em áreas livres de lazer. No processo de reutilização de áreas industriais desativadas ou subutilizadas, o programa prevê a melhor maneira de utilizar esses lugares e aumentar a oferta de postos de emprego através deles. Uma vez que os locais são identificados e caracterizados como brownfields, o programa utiliza ferramentas desenvolvidas para esse tipo de situação como auxílio à administração pública e com fundo financeiro oriundo de diversas entidades relacionadas à atividade industrial (WILKEY, 2000, p. 249-250).

No Brasil, a regeneração de áreas pós-industriais é um tema que só recentemente ganhou evidência, principalmente devido aos efeitos negativos dessas áreas para o meio ambiente e para a saúde. A descoberta e divulgação de casos que se tornaram emblemáticos também contribuiram para evidenciar a importância de se regenerar áreas degradadas, como o caso do Love Canal nos EUA, feito para desviar o rio Niagara e ajudar na geração de energia elétrica, mas nunca foi concluído, tornando-se um depósito de lixo industrial e um problema ambiental sem precedentes (MORINAGA, 2007, p. 9).

Poucos são os exemplos de reutilização de locais contaminados ou abandonados no Brasil, apesar de exisitirem vários lugares que poderiam ser classificados como brownfields como linhas férreas abandonadas, áreas industriais que declinaram após migrarem para outros polos, aterros sanitários em desuso, entre outros. Entretanto, pode-se selecionar um exemplo em São Paulo: a Praça Victor Civita (FIGURA 4), localizada no Bairro Pinheiros, com acesso pela Rua Sumidouro, nas proximidades da Marginal Pinheiros, na região oeste de São Paulo, em um terreno que apresentava profunda degradação por atividade industrial.

FIGURA 4 - INSERÇÃO DA PRAÇA VICTOR CIVITA NO MEIO URBANO. FONTE: GOOGLE EARTH, 2014, EDITADO PELA AUTORA.

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Projeto do escritório de arquitetura Levisky Arquitetos e paisagismo de Benedito Abbud, a construção da praça foi iniciada em 2006 e entregue à população em novembro de 2008. Durante 40 anos (de 1949 a 1989), o terreno funcionou como um centro de processamento de resíduos domiciliares e hospitalares e mais tarde foi ocupado por cooperativas de reciclagem, função essa exercida até 2006 (PRAÇA VICTOR CIVITA,2014).

FIGURA 5 -IMAGEM DA COOPERATIVA DE RECICLAGEM. FONTE: PRAÇA VICTOR CIVITA, 2014.

Devido aos processos que lá ocorriam, como a queima de materiais, o solo foi contaminado por metais pesados e outros elementos tóxicos que só seriam degradados pela natureza depois de muitos séculos. A partir de pressão da população, o local foi alvo de projeto paisagístico e arquitetônico, e recuperado a partir de uma associação público privada que culminou em um Termo de Referência de Áreas Degradadas, o que possibilitou a captação de recursos para os projetos (PRAÇA VICTOR CIVITA,2014).

A partir desse termo, as medidas tomadas para remediação da área e recuperação do solo foram: isolar pontos perigosos; acresentar uma camada de 50cm de solo para controlar os processos de contaminação e construir superfícies de proteção, como o deck de madeira de três espécies diferentes (ipê, sucupira e garapa) que hoje existe, para assim garantir que os usuários não tivessem contato direto com o solo contaminado (FIGURA 6) (PRAÇA VICTOR CIVITA,2014).

FIGURA 6 - SOLO SENDO ACRESCENTADO E ÁREAS COBERTAS POR DECKS DE MADEIRA NA PRAÇA VICTOR CIVITA.

FONTE: ARCHIDAILY, 2014.

Em relação ao tratamento da água da chuva, que não pode entrar em contato com o solo contaminado, foram implantados os sistemas de alagados (wetlands) e os tecgardens. Através dos wetlands são tratadas as águas do prédio do antigo incinerador e a é feita a irrigação das plantas do bosque. Esse sistema não utiliza bombas, e toda a água da chuva e os dejetos líquidos do edifício do museu são transportados até um filtro de cascalho e plantas, onde passam por filtragem e de lá seguem para um espelho d’água e para irrigação de árvores no local (ARCHIDAILY, 2014).

O tecgarden consiste em um sistema de irrigação por capilaridade, onde sobre o solo impermeável, foi colocada uma camada de cascalho coberta por uma manta de borracha. Nessa manta (FIGURA 7), foram fixados pedestais que sustentam placas de ardósia sulcadas que abrigam tubos recheados de fibra de coco. Dessa forma criou-se um suporte para a terra limpa que não possui contato direto com o solo contaminado. A água da chuva que se acumula entre a placa de ardósia e a manta de borracha, passa pelas fibras de coco e é destinada à irrigação das jardineiras. Tal processo também previne enchentes, pois o solo original havia sido massivamente impermeado (ARCHIDAILY, 2014).

FIGURA 7 - SISTEMA TECGARDEN. FONTE: ARCHIDAILY, 2014.

Abbildung in dieser Leseprobe nicht enthalten

Assim, o projeto da praça é um ótimo exemplo de como áreas degradadas podem ser tratadas e devolvidas à população, de forma sustentável ,democrática e educativa além de ser uma iniciativa pioneira na América Latina. O projeto contempla ainda áreas de compostagem, muros verdes, e locais para educadores tratarem de temas, como combustíveis, fitoterapia, hidroponia e alimentos orgânicos, com a comunidade.

Atrelado à questão da paisagem p ó s-industrial, está o termo brownfields, termo em inglês que seria traduzido para o português como “campos marrons”, que foram assim chamados nos EUA para se distinguirem dos greenfields ou “campos- verdes”, que abrangem áreas agrícolas, florestais, parques e áreas naturais (VASQUES, 2009)

O termo brownfield tem diferentes definições de acordo com países e idiomas. Nos Estados Unidos, a lei norte americana 117-118 (H.R.2869) os define como uma propriedade em que a expansão, requalificação ou reuso podem ser complicados pela presença em potencial de substâncias perigosas, poluentes ou contaminantes.

Na Suíça, Alemanha e Áustria, o termo em alemão Brachen ou Altlasten, sem tradução literal para o português, refere-se a áreas com no mínimo dez mil metros quadrados, que já foram utilizados e que são passíveis de mudança de uso (ARE, 2008, p. 2).

Brachen abrangem áreas fabris, partes de fábricas em desuso e para as quais existem planos concretos de troca de uso; linhas férreas e áreas militares, em que materiais foram transportados, consertados ou armazenados (ex: casa de armas); incineradoras de lixo, estações de tratamento e pedreiras (localizadas em áreas residenciais). Aeroportos desativados são considerados como uma categoria especial (ARE, 2008, p. 2).

Já o termo Altlasten abrange as mesmas definições de locais compreendidos no termo Brachen, mas nesse caso há contaminação do solo ou oferecem outros tipos de perigos para um indivíduo ou para o coletivo, como a contaminação da água (LfU, 2008, p. 10).

Vasques (2009, p. 2) acrescenta que brownfields podem incluir qualquer tipo de infraestrutura como portos, barragens, ou usinas termelétricas e nucleares desativadas. Parte-se do princípio de que todas as atividades econômicas um dia param de funcionar, por alguma razão. Como resultado, a lista de tipos de áreas é extensa e ainda não está completa, pela diversidade de empreendimentos que surgiram na era industrial.

Junto à paisagem pós-industrial, os brownfields são consequência natural de uma área urbana que evolui, com a passagem de uma economia industrial para pósindustrial. Dessa forma estão ou estarão presentes na sociedade atual, sendo mais evidente nos países industrializados (VASQUES, 2009, p.3).

Como soluções possíveis para os brownfields ou áreas degradadas pela atividade industrial, existem exemplos na Europa e Estados Unidos que envolvem políticas públicas, operações urbanas consorciadas, ações de diversos atores da sociedade que produziram a reabilitação dessas áreas através da conversão em parques urbanos, praças ou até mesmo em regiões residenciais. No caso deste trabalho, o foco é sobre a conversão em espaços públicos de lazer.

Esse tipo de paisagem estará cada vez mais presente nas paisagens tanto de países desenvolvidos como países emergentes, devido às constantes mudanças nos modos de produção. No Brasil, os casos de maior visibilidade estão relacionados aos vestígios de linhas férreas pelo país que configuram infraestrutura industrial desativada e que tem caráter patrimonial.

A importância de se esclarecer os termos acima tratados para o objeto de estudo, na cidade de Ponta Grossa, acontece pelo fato de que existe uma fábrica de óleos abandonada no local escolhido para a proposta de intervenção, que já desempenhou outros usos industriais, como curtume e armazenagem de cereais. Essaa região apresentar diversas outras indústrias desativadas, que assim ficaram após incentivo do governo municipal para que migrassem para um polo industrial na periferia da cidade. Tais características serão abordadas no capítulo relacionado à análise da realidade.

O caso da praça Victor Civita é um trabalho pioneiro no Brasil e mostra como é possível fazer a recuperação de espaços antes inutilizados pelas atividades poluentes que neles existiam. Países europeus, como a Suíça, e da América do Norte, como os EUA, realizaram mapeamentos e relatórios de brownfields em potencial e existentes, para que em um dado momento todos fossem recuperados, sendo essa uma iniciativa que pode ser replicada.

2.3 PARQUES URBANOS: CONCEITOS E DEFINIÇÕES

Este capítulo introduz a conceituação teórica sobre Parques Urbanos que podem ser entendidos como uma possível alternativa no tratamento de paisagens de rios urbanos e de áreas contaminadas, que podem ser transformadas em áreas de lazer e uso público . A princípio, conceitua-se espa ç o livre e parques urbanos e espa ç o p ú blico. Contempla ainda, uma breve contextualização nacional e internacional dos parques urbanos a partir de meados do século XIX , com foco no seu papel no século XXI, abordando suas vantagens e desvantagens.

Antes de discorrer sobre os conceitos e práticas dos parques urbanos, é necessária uma abordagem conceitual sobre espa ç os livres. Conforme Magnoli (2006), parte-se do pressuposto de que os espaços livres podem ser os mais democráticos, acessíveis e passíveis de controle da sociedade como um todo, uma vez que são abertos e expostos. Pode-se classificar espaços livres de acordo com a sua função, que pode ser recreativa, ornamental e protetora.

De acordo com Romero apud Castelnou (2005, p.297) os espa ç os livres refletem características específicas do modelo de urbanização adotado em uma cidade e auxiliam na solução de problemas ambientais o que acaba afetando direta ou indiretamente a saúde física e mental da população.

A partir do conceito de espaços livres, pode-se considerar os parques urbanos como um tipo de espaço livre. São espaços abertos, livres de edificação, na maioria dos casos, e podem ter função recreativa, sanitária e de proteção ambiental. Dessa forma, compoem o sistema de espaços livres de uma cidade.

Em geral, quando se fala em parques urbanos, surge a ideia estereotipada de locais bucólicos e que remetem aos parques europeus ou norte-americanos, idealizados como “pulmões da cidade”. Por trás dessa ideia inicial, está o uso real e a ideia mítica do uso dos parques urbanos (JACOBS, 2011, p.118 ; MACEDO E SAKATA, 2003).

O papel real de um parque urbano é “ser um espaço livre público estruturado por vegetação e dedicado ao lazer da massa urbana” (MACEDO E SAKATA, 2003, p.13 ). No entanto, a sua função real não deve ser confundida com a ideia mítica difundida no século XIX, que afirmava serem eles os “pulmões da cidade”. São necessários ao redor de 12 mil metros quadrados para se absorver mais carbono do que quatro pessoas exalam ao respirar ou cozinhar. A grande quantidade de ar circulando sobre a cidade, não os parques, é responsável por manter as cidades “livres do sufocamento” (JACOBS, 2011, p.118-119).

Conforme os conceitos de espa ç o livre explicitados anteriormente, parques urbanos podem ser tomados como espaços livres de edificação. Concorda-se com a definição de Macedo e Sakata (2005, p.13 e 14) ao afirmarem que parque urbano “é todo espaço de uso público destinado à recreação de massa, capaz de incorporar intenções de conservação e cuja estrutura morfológica é auto-suficiente”. Auto suficiente nesse contexto significa que um parque é independente da estrutura entorno urbano construído.

As categorias adotadas para se classificar os parques urbanos variam no meio acadêmico e entre autoridades. No Brasil, sua definição não é muito precisa e não há consenso sobre o assunto entre os especialistas, dentro e fora do poder público (MACEDO E SAKATA, 2003).

Kliass (1995, p. 9) afirma que “parques urbanos são espaços públicos com dimensões significativas e predominância dos elementos naturais, principalmente cobertura vegetal, destinados à recreação”. Neste sentido, não fica claro o que seriam dimensões significativas, no entanto se entende que se trata de áreas com grande impacto no meio urbano.

Na mesma linha de raciocínio, de que há predominância de elementos naturais em um parque, Castelnou (2005, p.57) parte do princípio de que normalmente os parques são áreas livres da cidade e possuem caracterísitcas naturais, que resultam em áreas permeáveis cobertas por vegetação de porte diverso.

Segundo o Guia de Boas Práticas para Parques Urbanos do Município de Londres, parques urbanos podem ser definidos como áreas vegetadas feitas para acesso público e recreação que combinam uma variedade de elementos paisagísticos e horticulturais. Podem oferecer serviços para a população em geral, as vezes incluindo edifícios. Em alguns casos incorporam infraestrutura para prática de esportes ou áreas de jogos infantis, com variados níveis de provisão de equipamentos (DUNNETT; SWANWICK E WOOLHEY, 2002).

Na tentativa de classificá-los, o Instituto de Lazer e Administração de Amenidades de Londres (Institute of Leisure and Amenity Management - ILAM),

categoriza parques urbanos em quatro níveis de hierarquia, que geralmente são combinados ou alterados (DUNNETT; SWANWICK E WOOLHEY, 2002, p.25.): Parques principais, urbanos ou metropolitanos: possuem mais de oito hectares, com abrangência urbana ou metropolitana. Apresentam recursos físicos variados e um vasta disponibilidade de instalações. Geralmente seria reconhecido como atração turística;

Parques Distritais: abrangem até oito hectares com área de influência de 1500 a 2000 metros, com uma mistura de recursos naturais e variedade de infraestrutura como áreas para a prática de esporte e jogos infantis.

Parques de bairro possuem até quatro hectares com área de influência entre 1000 e 1500 metros com recursos naturais e variedade de infraestrutura. Parques locais tem até 1,2 hectares e área de influência entre 500 e 1000 metros, geralmente consistindo em uma área de recreação infantil, área vegetada e recursos naturais, sem apresentar outro tipo de infraestrutura. Os parques urbanos estão atrelados à diversos benefícios à sociedade. Além de benefícios ambientais, como estabilização de microclima urbano, amenização do calor do verão, purificação da água, filtração do vento e da poluição sonora, os parques proporcionam bem estar social e pisicológico aos cidadãos. Um parque urbano pode reduzir o stress e proporcionar a sensação de paz e tranquilidade nos usuários, o que gera benefícios à saúde mental (CHIESURA, 2011). Além da visão tradicional, de que parques são feitos para a recreação das massas e contribuem para o bem estar da população de uma cidade, emerge um novo posicionamento perante parques nos meios acadêmicos e de gestão internacionais. Esse posicionamento tem foco em como gestores públicos, profissionais e a população podem começar a pensar em parques como contribuição para políticas públicas, como geração de emprego, desenvolvimento dos jovens de uma comunidade, saúde pública e fortalecimento de comunidades (WALKER, 2004, p. 1).

Essas políticas públicas e de gestão, na visão de Walker (2004, p.2), partem do pressuposto de que um parque ajuda no desenvolvimento dos jovens de uma comunidade a partir do momento em que proporciona programas e oportunidades para construir neles forças física, intelectual, emocional e social, conduzindo a um bom caminho para a fase adulta.

Ainda de acordo com as políticas públicas abordadas por Walker (2004, p.2), um parque pode auxiliar novos ingressantes no mercado de trabalho a encontrar empregos produtivos, ao oferecer oportunidades de emprego decentes para a comunidade. Um parque contribui na saúde dos residentes de uma comunidade ao prover um local para se praticar exercícios e a partir do encorajamento da população a participar da sua gestão, faz com as comunidades se tornem melhores e mais unidas.

No contexto nacional, Macedo e Sakata (2003, p.13) apresentam várias categorias funcionais de parques, além da de recreação, que foram introduzidas ao longo do século XX: parques ecológicos, que conservam recursos ambientais; parques de diversões, que oferecem lazer sinestésico com brinquedos eletrônicos e mecânicos; parques temáticos, com cenários imaginários; e os parques privados, que tem se difundido no Brasil, como os parques pesqueiros.

Tomando um conceito mais regional, para a Prefeitura Municipal de Curitiba existem nove tipos de áreas de preservação ambiental, muitas delas destinadas ao lazer. Essas áreas são classificadas em Parques de Conservação, Parques Lineares, Parques de Lazer, Reservas Biológicas, Áreas de Proteção Ambiental (APA), Bosques Nativos Relevantes, Bosques de Conservação e Bosques de Lazer (ANDRADE, 2011).

Quanto as suas definições, é relevante esclarecer que parques lineares nessa legislação são entendidos como áreas de propriedade pública ou privada ao longo de corpos hídricos, em toda a sua extensão ou não, que visam garantir a qualidade ambiental dos fundos de vale. Quanto a parques de lazer, esses são áreas públicas de propriedade municipal, que possuam área mínima de 10 hectares e que sejam destinados ao lazer, com equipamentos de recreação e características naturais de interesse à proteção (ANDRADE, 2011).

Partindo dos conceitos apresentados, adota-se que um parque urbano é um espaço livre público ou privado destinado à recreação da população e pode ter diversos tipos e funções, com estrutura morfológica independente do entorno construído (KLIASS, 1995; MACEDO E SAKATA, 2003).

2.3.1 HISTÓRIA DOS PARQUES URBANOS

Os parques urbanos nem sempre tiveram a mesma função na história. Passaram por diversos momentos nos quais seus usos foram modificados, de privados a públicos. A necessidade de se ter espaços de lazer aumentou após a Revolução Industrial, quando as cidades passaram a ficar mais urbanizadas e a abrigar a maioria da população, que ficou cada vez mais distante do meio rural e da natureza (SPIRN, 1995).

O desejo de contato com a natureza e o novo ritmo das cidades industriais com pausas programadas nos intervalos de serviço, que careciam de momentos de lazer, conformavam o contexto que estimulou o surgimento dos parques urbanos no meio internacional (SPIRN, 1995).

Quanto aos primeiros parques urbanos, estes surgiram a partir de movimentos de parques entre os séculos XVIII e XIX, com os desenhos paisagísticos para a Coroa Britânica, no movimento dos parques ingleses, e também com o movimento de parques de Paris, com parques que não eram voltados para o uso geral da população. No final do século XVIII , na Inglaterra, o parque surge com relevância, mas só atinge seu pleno desenvolvimento quase cem anos depois (MAGNOLI, 2006; FRIEDRICH, 2007, p. 40; KLIASS, 1995).

No Movimento dos Parques Ingleses no fim do século XVIII, os parques eram abertos para uso público, e constituiram uma estruturação de modelo de parques urbanos. O parque nessa época tinha caráter sanitarista, ao servir para sanear o espaço urbano e aliviar as tensões da população. Esses espaços buscavam uma aproximação com a natureza, com linguagem orgânica, lagos como elementos principais e preocupação com equipamentos de lazer e recreação (FRIEDRICH, 2007, p.40; SCALISE, 2002).

O Movimento de Parques Franceses aconteceu em Paris e e teve como protagonista o Barão Georges-Eugènne Haussmann, sendo chamado de Movimento “Haussmanniano”. Esse movimento surgiu a partir do plano do Barão para a área central de Paris, onde foram abertas grandes avenidas ligando monumentos da cidade e um sistema de parques conectados por elas (FRIEDRICH, 2007,p.41).

Os parques no Movimento Haussmanniano também tinham caráter sanitarista e de modernização, que se traduzem em três funções principais: dar saúde à

população através do saneamento das infraestruturas, implantar equipamentos na cidade e servir de conexão da malha urbana. Dessa forma, o papel dos espaços públicos como elementos de articulação espacial foram reforçados através das ruas, praças e do conceito de avenida- boulevard, relativo aos boulevards mobiliados e associados aos equipamentos urbanos, que consituiam o espaço de convivência da burguesia francesa (FRIEDRICH, 2007,p.41; TÂNGARI, 2005, p.3).

Como síntese dos dois movimentos, Scalise (2002) aponta que ambos previam a expansão do espaço urbano e tinham a visão sanitarista de que a partir de espaços amplos, iluminados e arejados, a cidade seria saneada e a saúde da população assegurada.

No século XX, o cenário precursor acontece nos Estados Unidos, com o Park Moviment e a atuação de Frederick Law Olmstead. Para Olmstead o parque público era visto como instrumento político, atuando na resolução de desigualdades sociais evidentes na cidade, como instrumento de educação e nivelamento das classes. Olmstead defendia a utilização econômica dos espaços livres, sendo voltados para a recreação e preservação dos recursos naturais (SCALISE, 2002; ALIATA e SILVESTRI, 2008).

Como exemplos da atuação de Olmstead, em Nova Iorque pode-se citar o Central Park e o Prospect Park, e em Boston o sistema de parques denominado Colar de Esmeraldas (Emerald Nacklace), que servia para o controle de enchentes, e ao lazer da população. Os objetivos de Olmstead com esse sistema eram diminuir os transtornos existentes, evitar ameaças e projetar algo permanente para a drenagem do rio Muddy. Esse projeto foi feito a partir da terraplanagem, estreitamento e aprofundamento do canal e lagos existentes e pelo desvio do despejo de esgotos (SPIRN, 1995).

Na Europa, na primeira metade do século XX, houve uma revisão nos modos de projetar o espaço urbano, e consequentemente, dos espaços livres. Na Holanda, o planejamento urbano foi baseado na formulação de ambientes que unissem o rural e o urbano. Em Estocolmo, os espaços livres de pequena escala difundem-se pela cidade, provendo um tecido paisagístico contínuo. Na Inglaterra, surgem os subúrbios ajardinados, como o Hampstead Garden Suburb, enquanto que no mesmo período surge na Espanha o Parc Guel, como criação de Antoine Gaudí, com linguagem tendendo ao Art Nouveau, Romantismo e formalismo (SCALISE, 2002; TÂNGARI, 2005).

Basicamente, os parques do século XX na Europa buscavam recriar as condições naturais e espaços de sociabilidade, suprimidos pela vida urbana, promovendo contato com a natureza. A partir dos anos 1980, surge o movimento ecológico e por requalificação de áreas urbanas que possuiam atividade industrial. Com a mudança de dinâmica de produção, essas áreas industriais foram desativadas e estavam em processo de deterioração. Portanto, utilizá-las como áreas de lazer e conexão entre áreas verdes, foi a solução encontrada na época e que persiste até hoje (FRIEDRICH, 2007).

O objetivo desse panorama internacional sobre os parques urbanos é fornecer subsídio comparativo com a realidade brasileira, que será abordada no próximo tópico. As condições históricas, sociais, naturais e econômicas diferem entre si, entretanto, os primeiros parques no Brasil tiveram como influência direta os parques europeus e norte-americanos, por isso esta discussão inicial se faz importante.

2.3.2 PARQUES URBANOS NO BRASIL

Como já afirmou Magnoli (2006), a história contada acima, não é a brasileira. No contexto nacional e da América Latina, os fatos ocorreram de forma diferente. O parque urbano brasileiro surgiu como coadjuvante no cenário das elites que controlavam o país no século XIX, na tentativa de construir estrutura compatível com o que existia na Europa e América do Norte (MACEDO E SAKATA, 2003)

Na segunda metade do século XIX, as cidades latino americanas, devido ao enriquecimento proporcionado pela Revolução Industrial e a divisão internacional do trabalho, se espelhavam no modelo parisiense de modernização. Estilisticamente, os parques eram inspirados no estilo misto, romântico e clássico, proveniente da Direção de Parques de Paris, uma vez que a maioria dos paisagistas que atuaram neste período na região sul da América Latina eram formados na França (BERJMAN, 2008, p.20).

As cidades do Rio de Janeiro, Recife, Salvador e posteriormente, várias outras capitais, passavam por processo de modernização, no momento em que o país se estruturava como nação. Nesse contexto surgem no Rio os três primeiros parques públicos do Brasil: Campo de Santana, Passeio Público e Jardim Botânico, voltados ao uso contemplativo, feito para as pessoas passearem em meio a um cenário artificial (MACEDO E SAKATA, 2003).

Para Macedo e Sakata (2003, p.19), o parque brasileiro do século XIX é “um elemento urbano codificador de uma modernidade importada, totalmente alheio às necessidades sociais da massa urbana contemporânea da época”. Os parques urbanos da época eram basicamente cópias de ideais europeus e da classe burguesa, sem considerar diferenças climáticas e sociais.

No início do século XX, após a consolidação da nova forma de urbanismo resultante da modernização urbana por que passaram as capitais brasileiras, houve uma transformação dentro do padrão europeu e com viés higienista. Novos meios de transporte se estabeleceram, demandando infraestruturas viárias diferenciadas (MACEDO E SAKATA, 2003).

Os parques com influência anglo-francesa se proliferam pelo país no século XX, se tornando um elemento urbano presente não só nas capitais, como também cidades de pequeno e médio porte. No entanto, a manutenção e a disponiblidade desses espaços para a população de forma satisfatória, ainda não foi compreendida como um fato necessário, pois poucas são as capitais que se preocupam com essa prática (ARAÚJO, 2007, p.51 ; MACEDO E SAKATA, 2003).

O desenho dos parques urbanos brasileiros passou por três linhas de projeto: a Linha Eclética, influenciada por ideais europeus; a Moderna, que surgiu em meados do século XX, valorizando as atividades ao ar livre e a Linha Contemporânea, a partir dos anos 1980, que pregava a liberdade de projeto (ARAÚJO, 2007; MACEDO, 1999).

Ainda na questão dos parques na realidade brasileira, eles podem oferecer muitos benefícios, possivelmente os mesmos já abordados, assim como em qualquer cidade pelo mundo. No entanto, um parque não oferece somente benefícios. Serpa (2007, p.21), ao afirmar ser o parque público contemporâneo na sociedade brasileira “um meio de controle social, sobretudo das novas classes médias”, propõe uma nova visão de como parques urbanos podem servir como agentes de exclusão social , que ocorre a partir da multiplicação do consumo e a valorização do solo urbano onde os parques são instalados.

Normalmente, os parques implantados no Brasil ficam em bairros com infraestrutura superior a existente em outros bairros, ou próximos a algum atrativo turístico, favorecendo às classes que residem nas proximidades deste locais (SERPA, 2007,p. 24).

A cidade de Curitiba, também apresenta este perfil de implantação de parques, pois a maioria de seus parques estão na região norte, enquanto que a região sul, carente de infraestrutura e com a maior parte da população de baixa renda, apresenta pouquíssimas áreas livres (ANDRADE, 2011).

Este perfil organização do espaço urbano com relação aos espaços livres de lazer e distribuição de infraestrutura reforça a ideia de exclusão de certos grupos sociais. Portanto, o objetivo principal desta discussão sobre conceitos de parques urbanos e do panorama da realidade brasileira e internacional, em relação aos espaços livres de lazer seria mostrar que a sociedade brasileira carece de espaços livres de qualidade e acessíveis a todos os cidadãos. Desta forma, a proposta deste trabalho visa contribuir na mudança deste cenário.

3 ANÁLISE DA REALIDADE

A partir dos conceitos e temas abordados anteriormente, pesquisou-se sobre paisagens de rios, parques urbanos e paisagens pós-industriais no Brasil e no mundo. Tais conceitos são importantes para a análise que se segue, com foco na cidade de Ponta Grossa (PR) e suas bacias hidrográficas, nos seus espaços livres públicos atualmente disponíveis, na paisagem específica do Bairro Olarias, área em que a intervenção será proposta, e das imediações da bacia do Arroio Olarias.

Na busca por se analisar a paisagem de Ponta Grossa de forma integral, em que os meios natural, social e institucional se complementam, este trabalho se baseia na teoria de análise do lugar desenvolvida por Kevin Lynch e Garry Hack na década de 1980, no livro Site Planning.

A análise do lugar desenvolvida por Lynch e Hack propõe que é necessário analisar o meio físico do lugar, a estrutura social existente, a economia vigente, as mudanças de perfil populacional, os sistemas hídricos e a topografia, o clima, além de qualidades sensoriais, como pontos focais, qualidade do som, odores e vistas.

Assim decidiu-se utilizar a sobreposição de informações sobre as características das bacias hidrográficas da cidade com os tipos de solo, com a ocupação urbana, além de outros fatores como vegetação e clima, com o tipo de gestão urbana que ocorreu durante a história de Ponta Grossa. Os sistemas urbanos são complementares e não podem ser dissociados, sendo assim, são analisados simultaneamente a partir das diferentes escalas de análise que passam da escala municipal, para urbano e por fim à área de intervenção.

Para a leitura da paisagem de forma sensorial, analisa-se a área de intervenção baseando-se em Lynch e Hack (1984), a partir do trabalho realizado por Chemin (2011), que identificou potenciais turísticos na cidade pelas peculiaridades paisagísticas dos bairros.

3.1 HISTÓRICO DO MUNICÍPIO E INFORMAÇÕES GERAIS

O município de Ponta Grossa, situa-se no segundo planalto paranaense, a 975 m de altitude, com uma área total de 2.112,6 Km², da qual 917,2 Km² são de área urbana. Possui limites com os municípios de Ipiranga, Carambeí, Castro, Tibagi, Campo Largo, Palmeira e Teixeira Soares. O clima da região é Subtropical Úmido Mesotérmico, que significa invernos com temperaturas abaixo de 18ºC, verões frescos com temperatura média abaixo de 22ºC e sem estação seca definida, com insolação média de 2000 a 2200 horas por ano (PLANO DIRETOR, 2004).

Situado no segundo planalto paranaense, o município conta com população total, contabilizada pelo IBGE (2010), de 311.611 em 2010, com estimativa de 331.084 em 2013. Deste total, 304.733 pessoas vivem na área urbana, onde há pouquíssimas opções de espaços livres de lazer. Esse cenário é compartilhado por muitas cidades brasileiras.

A topografia da cidade deu origem ao seu nome, pois “Ponta Grossa” faz referência a uma grande colina coberta por um capão de vegetação, que podia ser vista de longe por aqueles que chegava à região. Essa característica persiste até hoje, porém não é o capão que é visto, mas a massa urbana que se mostra ao longe, a partir da BR 376, um dos acessos para a cidade (PLANO DIRETOR, 2004).

A história do município está fortemente ligada à ocupação da Região dos Campos Gerais, no século XVIII, pois está localizada na ligação entre o Sul e o Centro do país. Ponta Grossa sempre foi uma cidade encruzilhada, um ponto de passagem obrigatória das rotas tropeiras e de trens (CHEMIN, 2011, p.69).

Drabik (2006) afirma que os primeiros registros da região de Ponta Grossa surgiram com viajantes castelhanos que iam para o Paraguai, assim como os jesuítas e bandeirantes no começo do século XVI. No século XVII e XVIII paulistas a procura de ouro e indígenas também passaram pela região, que só foi povoada depois que os tropeiros, de passagem pelo Caminho das Tropas , chegaram e assim precisaram de áreas de paragem para os animais.

Os tropeiros constituiram famílias e compraram terras no local. Monatirsky (1997) apud Chemin (2011, p. 69), afirma que além da localização, a região oferecia vegetação formada por campos, o que tornava propícia a permanência das tropas, que precisavam de um ponto de parada para os animais. Dessa forma, a ocupação urbana foi moldada a partir de um aglomerando disposto no eixo do Caminho das Tropas *, e mais tarde teve sua expansão em torno do eixo da linha férrea.

Foi só a partir da implantação da linha férrea (FIGURA 8), que a cidade se tornou um centro cultural, social e comercial. A sua característica de entroncamento foi reforçada, o que atraiu muitos imigrantes europeus, que vieram atrás de novas oportunidades de trabalho e aquisição de propriedades. Ao invés de parada obrigatória de tropeiros, nesse momento, Ponta Grossa se tornou parada obrigatória de trens (PREFEITURA, 2014).

FIGURA 8 - IMPLANTAÇÃO DOS TRILHOS DA FERROVIA NAS PROXIMIDADES DE PONTA GROSSA E ESTAÇÃO CENTRAL DE PONTA GROSSA. FONTE: CASA DA MEMÓRIA DE PONTA GROSSA, 2014 E ESTAÇÕES,2014.

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*Caminho das Tropas: Caminho utilizado pelo comércio de muares. Importante atividade econômica do Brasil durante os séculos XVIII e XIX.

Monatirsky (2001) apud Nascimento e Mathias (2011, p. 77) comenta que esse dinamismo de imigração e economia persistiu até a década de 1940, pois a cidade fez uso da infraestrutura ferroviária para se desenvolver a partir da exportação de erva-mate e madeira. A partir de 1940, o crescimento da população urbana se tornou mais intenso, contribuindo para a expansão do tecido urbano.

Como resumo, Löwe-Sahr (2001) apud Chemin (2011, p.78) entende que existem seis fases da expansão urbana de Ponta Grossa:

At é 1920 - A cidade se desenvolve ao redor da capela matriz (FIGURA 9), contruída por volta de 1830. Após a implantação da ferrovia, em 1900, surgiram amenidades como clubes, praças e estações ferroviárias;

FIGURA 9 - VISTA DA IGREJA DA MATRIZ DEMOLIDA FONTE: CASA DA MEMÓRIA DE PONTA GROSSA, 2014.

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Anos 20 - A cidade se expande ao longo da estrada de ferro e nos espigões do relevo, para sul e para leste. A ferrovia atrai indústrias, que se instalam próximas a cursos d’água.

Anos 30 - A cidade ainda acompanha os espigões, ao norte, nordeste e oeste.

Anos 40 - Expansão de áreas residenciais, a oeste;

Anos 50 e 60 - Crescimento desordenado da malha urbana. Implantação de loteamentos periféricos e início do processo de favelização. Em 1969, o município investe no setor industrial, com a criação do Plano de Desenvolvimento Industrial.

Anos 70 e 80 - Surge a preocupação com o ordenamento urbano e algumas leis são implantadas, mas nada concreto. Construção de núcleos habitacionais. Verticalização generalizada na área central. Em 1986 o trecho da ferrovia que passava pelo Centro foi desviado para a periferia.

FIGURA 10 - EXPANSÃO URBANA DE PONTA GROSSA DE 1930 A 1980. FONTE: MONATIRSKY (1997) apud MADALOZZO, 2011, EDITADO PELA AUTORA, 2014.

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Assim, pode-se afirmar que o desenvolvimento econômico e expansão urbana de Ponta Grossa ocorreram após a implantação da linha férrea. Percebe-se que o problema da ocupação desordenada do espaço urbano começou em meados da década de 1970, quando o país também passou por mudanças econômicas. Tal crescimento não levou em consideração os rios urbanos e canais de drenagem foram feitos durante o período, portanto, aborda-se a relação de Ponta Grossa e os cursos de água no meio urbano no próximo tópico.

3.2 A RELAÇÃO DE PONTA GROSSA COM OS RIOS

A cidade apresenta um relevo acidentado que facilitou o surgimento de vales profundos e a exposição do lençol freático, constituindo uma característica peculiar e uma hidrografia abundante dentro do município.

Os rios não foram prioridade no processo de ocupação da cidade, tanto pelo relevo, pois a cidade cresceu sobre os espigões, como pela característica comum a muitas cidades brasileiras.

A poluição dos recursos hídricos acontece por fatores como a poluição ocasionada por lançamento irregular de efluentes domésticos, ocupação irregular de áreas de preservação permanente, canalizações de cursos d’água, (artefato comum de “defesa” contra os rios), aterros em áreas não adequadas para edificação, retirada da vegetação das margens dos rios, atividades de mineração, despejo de lixo, contaminação indireta a partir de resíduos advindos das vias de automóveis, transportados pela água da chuva, dentre outros (ROGALSKI, 2011, p.55).

Além desses fatores, o problema principal na área urbana de Ponta Grossa é a carência de saneamento básico. Como explicitado no resumo da sua expansão urbana, nos últimos anos a cidade cresceu desordenadamente e em direção às periferias, o que encarece os serviços de infraestrutura urbana. Também, a rede de esgoto doméstico é projetada e implantada conforme as condições topográficas, sendo que em áreas muito íngrimes a conexão se torna difícil.

A hidrografia de Ponta Grossa é composta por 12 bacias hidrográficas (FIGURA 11). Suas nascentes se localizam no espigão que inclui o centro urbano e fluem para a periferia, em direção aos rios Tibagi e Pitangui. Essa rede hidrográfica compõe 179Km de arroios em áreas urbanas. Estas bacias são pequenas, mas, devido a sua cobertura vegetal e retenção de umidade, permitem desaguar relativamente rápido para as calhas dos principais cursos de água da região (PLANO DIRETOR, 2004, p.378; ROGALSKI, 2011, p.52).

FIGURA 11 - MAPA DA LOCALIZAÇÃO E LIMITES DAS BACIAS HIDROGRÁFICAS DE PONTA GROSSA. FONTE: BASES CARTOGRÁFICAS DA PREFEITURA MUNICIPAL DE PONTA GROSSA, EDITADAS PELA AUTORA, 2014.

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Dentre essas bacias, as quatro mais importantes e responsáveis pela drenagem do núcleo urbano, em um padrão radial, são as bacias do Arroio Olarias, Pilão de Pedra, Ronda e Lajeado Grande. As quatro possuem suas nascentes no centro comercial ou próximas a ele. As bacias se encontram em níveis de degradação diversos, porém tendem ao nível elevado (ROGALSKI, 2011, p.52). Nessas bacias, existem rios urbanos que fazem parte da cultura e história de Ponta Grossa. Um exemplo de bacia que faz parte do centro urbano de Ponta Grossa e que desempenhou papel importante na história do município, é a Bacia do Arroio Pilão de Pedra, área em que se iniciou a ocupação urbana de Ponta Grossa. A bacia ocupa a área do centro urbano e por isso é alvo de ocupação desordenada, e de canalizações (LOMBARDI et al, 2013, p.2).

Os principais agentes responsáveis pela degradação do Arroio Pilão de Pedra, são as ocupações irregulares às suas margens, ao invés de fatores ambientais e da dinâmica natural (LOMBARDI et al, 2013, p.2).

Apesar da existência de espaços livres, o rio foi escondido e só restaram efeitos como o mau cheiro ocasional e erosão em alguns pontos. Entretanto, o Arroio Pilão de Pedra nem sempre foi canalizado. No começo da ocupação urbana da cidade, ele ainda era exposto e tinha água limpa, sendo possível até mesmo beber dela (FIGURA 12) .

FIGURA 12 - VISTA DO COMEÇO DO SÉCULO XX, COMO ARROIO PILÃO DE PEDRA AINDA NÃO CANALIZADO E PESSOAS QUE BEBEM ÁGUA DA BICA. À DIREITA, IMAGEM ATUAL DA REGIÃO. FONTE: CASA DA MEMÓRIA, 2014 E GOOGLE STREET VIEW, 2014.

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Sobre a nascente do Arroio Pilão de Pedra, no centro urbano se encontram dois espaços livres públicos: Praça Barão do Rio Branco e a Praça Barão de Guaraúna (FIGURA 13). São espaços com poucas opções de lazer. Monatirsky (1997, p.168), afirma serem as áreas de lazer no perímetro urbano de Ponta Grossa resumidas a poucas praças no centro (FIGURA 14).

FIGURA 13 - ESPAÇOS LIVRES PÚBLICOS CENTRAIS E ARROIO PILÃO DE PEDRA CANALIZADO. FONTE: GOOGLE EARTH, EDITADO PELA AUTORA, 2014.

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FIGURA 14 - ESPAÇOS LIVRES PÚBLICOS DE LAZER DA ÁREA CENTRAL. FONTE: GOOGLE EARTH, EDITADO PELA AUTORA, 2014.

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Os rios na área rural desempenham função de lazer, como o Rio São Jorge, o Rio Verde, a represa de Alagados e cachoeiras diversas, pois o município é conhecido pelas belezas naturais nesta área. No entanto, a maior parte da população não tem acesso a elas, pois sua realidade cotidiana é reduzida a área do município tida como urbana ou menos ainda, apenas ao bairro ou vila onde reside (PLANO DIRETOR, 2004).

Existe pouco incentivo de uso por parte da Prefeitura Municipal. Entretanto, o potencial turístico da área rural de Ponta Grossa é alvo do Plano de Integração Vila - Velha - São Jorge, projeto desenvolvido no início da década de 1990. O plano propõe a criação de um complexo turístico-ecológico na área entre o Parque Estadual de Vila Velha e o Cannyon do Rio São Jorge, porção nordeste do município (CHEMIN, 2011).

Neste caso, as áreas de interesse turístico-ecológico-arqueológico seriam Parque estadual de Vila Velha, o Poço (ou Buraco) do Padre, e o Canyon Rio São Jorge, hoje de propriedade privada, apesar de incluso no Parque Nacional dos Campos Gerais (CHEMIN, 2011, p.83). Todos esses locais estão distantes do centro urbano, sendo muitas vezes acessíveis apenas por meios de transporte individuais.

O Rio São Jorge está em uma área considerada Unidade de Conservação Municipal. Possui várias cachoeiras, com uma cachoeira principal, também conhecida como Cachoeira de Santa Bárbara (Error! Reference source not found.), com aproximadamente 30m de altura. No local, que é de propriedade privada com acesso mediante pagamento, existem áreas para acampamento, paredões para a prática de rappel, sanitários, lanchonete e trilhas (PREFEITURA, 2014).

FIGURA 15 - RIO SÃO JORGE E CACHOEIRA DE SANTA BÁRBARA EM PONTA GROSSA. FONTE: SIGEP, 2014.

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O Buraco do Padre (FIGURA 16) tem esse nome devido ao hábito de padres jesuítas de utilizarem o local para meditação e descanso, dirigindo-se ao platô existente na área, durante o processo de conversão de comunidades nativas ao catolicismo. A cachoeira é abrigada por rochas que formam uma espécie de anfiteatro subterrâneo. É de propriedade privada, porém o acesso é gratuito. Desde o ano de 2005 faz parte do Parque Nacional dos Campos Gerais.

FIGURA 16 - CACHOEIRA NO BURACO DO PADRE EM PONTA GROSSA. FONTE: SIGEP, 2014

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3.3 PONTA GROSSA E OS PARQUES URBANOS

Atendendo a toda a população e principalmente a parcela que não tem acesso às riquezas naturais da área rural ou a sedes campestres de clubes particulares, além das praças, existem seis parques públicos (FIGURA 17), sendo um deles considerado praça pela Prefeitura Municipal:

i) O Parque Margherita Sannini Masini, também conhecido como Chácara Dantas;
ii) A área do antigo pátio de manobras da rede ferroviária, hoje o Complexo Ambiental Manoel Ribas, conhecido como Parque Ambiental; iii) O Parque Balneário Rio Verde, ainda na área urbana, porém distante do adensamento do núcleo urbano;
iv) O Parque Municipal Boca da Ronda, sem infraestrutura de lazer e que atua como área de preservação permanente, nas proximidades da Rodoviária Municipal;
v) O Parque Municipal. Maria J. B. Rosas, outra área de preservação permanente, sem infraestrutura de parque;
vi) Parque Natural Municipal “Boratto”, também área de proteção ambiental sem infraestrutura. Nas proximidades existe um parque aquático privado.

FIGURA 17 - ÁREAS VERDES URBANAS DE PONTA GROSSA FONTE: PLANO DIRETOR DE PONTA GROSSA, 2004. MAPA EDITADO PELA AUTORA, 2014.

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O parque Margherita Masini (FIGURA 18) foi planejado para um local explorado no início do século XX como uma pedreira de extração de diabásio, utilizado para fazer o calçamento das vias públicas da cidade. Após a desativação da pedreira, o lugar foi recuperado e convertido em um parque urbano com

vegetação densa e mais de 50.000 m², em 1999. As atividades desenvolvidas eram trilhas, mirantes, academia de ginástica, tudo convergindo para um espelho d’água onde antes era o campo de extração da pedreira (PONTA GROSSA, 2014).

FIGURA 18 - LOCALIZAÇÃO DO PARQUE MARGHERITA SANNINI MASINI. FONTE: GOOGLE EARTH, 2014, EDITADO PELA AUTORA.

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O objetivo principal do parque, além de servir como área de lazer, era conscientizar a população sobre preservação ambiental e recuperar a área degradada. Em 2008, o parque foi fechado para visitação e ficou em estado de completo abandono até a segunda metade de 2013, quando foi restaurado em ação conjunta da população, da prefeitura, de empresas privadas e de redes midiáticas. Hoje ele continua em funcionamento e oferece as mesmas atividades anteriores (PONTA GROSSA, 2014).

Quanto ao Complexo Ambiental Governador Manoel Ribas, este é fruto de projetos promovidos pela Prefeitura Municipal e desenvolvidos por diferentes arquitetos para o antigo pátio de manobras da rede ferroviária. O projeto executado foi o do arquiteto Luiz Forte Netto em conjunto com a arquiteta paisagista Letícia Hardt. Segundo Monatirsky (2010, p. 28), o projeto não faz referência ao patrimônio ferroviário ali existente assim como não valoriza ou protege as edificações tombadas. Apresenta como ideia central “romper com a característica represadora que os equipamentos da RFFSA, determinavam ao avanço da cidade naquela direção”.

O parque é composto por áreas esportivas, de eventos e de recreação organizadas por praças que representam elementos naturais: Praça do Fogo, Água, Terra e Ar. A Praça do Ar simboliza o inverno com a cor amarela. A Praça da Água simboliza a primavera com a cor azul. A Praça da Terra simboliza o outono com a cor verde, e a Praça do Fogo simboliza o verão com a cor vermelha (PREFEITURA DE PONTA GROSSA, 2014). O parque passou por uma recente revitalização, onde houve mudanças no plantio de vegetação e inclusão de pistas compartilhadas para pedestres e ciclistas.

FIGURA 19 - TRECHOS DO COMPLEXO AMBIENTAL GOVERNADOR MANOEL RIBAS . FONTE: A AUTORA, 2013.

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O complexo ambiental se localiza no centro urbano, atendendo a população daquela região e moradores que vêm de outros bairros a procura de lazer. O terminal de ônibus, também incluso na área livre da antiga linha férrea, e um shopping center estão nas imediações do complexo, constituindo polos geradores de tráfego.

Além desses dois espaços livres de lazer na área urbana, existe ainda o Parque Balneário Rio Verde (FIGURA 20), que é utilizado desde 1930 como espaço público. Foi decretado parque municipal em 1992 e doze anos mais tarde, recebeu infraestrutura para usufruto da população. Possui churrasqueiras, lixeiras, sanitários e área para banho de sol. O balneário Rio Verde é utilizado em sua maioria pela população de baixa renda.

FIGURA 20 - PARQUE BALNEÁRIO RIO VERDE, COM RECENTE REVITALIZAÇÃO. FONTE: DIÁRIO DOS CAMPOS , 2014.

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Em face aos problemas levantados e caracterísitcas locais, a proposta de criação de um parque urbano visa contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos habitantes de Ponta Grossa, que é uma cidade de porte médio, com pouquíssimas opções de lazer e carência de espaços livres.

Com a grande quantidade de corpos hídricos no perímetro urbano e a escassa infraestrutura de saneamento, a cidade se torna frágil ambientalmente. A partir deste momento, o foco deste trabalho recai para a região da bacia do Arroio Olarias, onde a proposta de intervenção é planejada. É uma das bacias mais importantes e com águas poluídas, devido à proximidade ao centro urbano e à deficiência de saneamento básico.

3.4 A BACIA HIDROGRÁFICA DO ARROIO OLARIAS

A Bacia hidrográfica do Arroio Olarias (FIGURA 21) está localizada nas imediações do núcleo urbano da cidade e possui uma área de 2711,77 ha. A ocupação da bacia, que teve início a partir dos divisores de água e mais tarde os fundos de vale, aconteceu depois da instalação da ferrovia, madeireiras e indústrias de cerâmicas, que geraram oportunidades de emprego (ROGALSKI, 2011, p. 64).

FIGURA 21 - LOCALIZAÇÃO DA BACIA HIDROGRÁFICA DO ARROIO OLARIAS. FONTE: BASE CARTOGRÁFICA DA PREFEITURA MUNICIPAL, EDITADA PELA AUTORA, 2014.

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Os divisores de água da bacia foram as primeiras áreas a serem ocupadas, seguindo por dois eixos estruturantes: a Avenida Carlos Cavalcanti, que liga o centro à Universidade Estadual de Ponta Grossa, ao norte, e a Avenida Visconde de Mauá, ao sul, ligando o centro o com o bairro de Oficinas, até o distrito industrial do município (FIGURA 22). Nos fundos de vale da bacia, devido as encostas íngrimes, se formam pequenas cachoeiras. Ao sul, a ocupação tem caráter mais agrícola, devido a segregação espacial da região (ROGALSKI, 2010)

FIGURA 22 - PADRÃO DE OCUPAÇÃO URBANA DA BACIA DO ARROIO OLARIAS. FONTE: BASE CARTOGRÁFICA DA PREFEITURA MUNICIPAL, EDITADA PELA AUTORA, 2014.

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A topografia da região é íngrime, com inclinações de 0 a 45%, sendo estas últimas nas cabeceiras da bacia, e impróprias para ocupação. Outro problema é a ausência de cobertura vegetal ao longo de certos pontos dos cursos d’água da bacia, que pode ser atribuído ao processo de ocupação da região, sem planejamento. O solo nas cabeceiras também é impróprio para ocupação, pois encontra-se principalmente os tipos arenoso e argiloso (ROGALSKI, 2011, p.69).

3.4.1 PROJETOS INCIDENTES NA BACIA HIDROGRÁFICA DO ARROIO OLARIAS

Devido a existência de diversas habitações irregulares na região, já existem dicussões acerca da execução de parques lineares e espaços públicos de lazer nessas áreas. Assim, as famílias seriam relocadas pelos órgãos competentes e a área monitorada para evitar novas invasões, através do uso público. O que falta para essas discussões se tornarem realidade é a elaboração de estudos e projetos, entre eles de um espaço livre de lazer, e assim a destinação de recursos e políticas públicas para a região (ROGALSKI e CARVALHO, 2010, p. 30).

Além da canalização de alguns trechos, pode-se encontrar dois projetos de impacto na região, que seria o Programa de Despoluição Ambiental da Bacia do Arroio Olarias (PDA) e o “Parque da Cidade” (FIGURA 24), sendo ambos inter- relacionados. A ideia de um parque com vários lagos na bacia do Arroio Olarias, através do represamento de alguns trechos, surgiu em 1990. A partir de então, várias obras começaram e pararam. Durante certo tempo, o primeiro lago ficou completamente abandonado, e em fevereiro de 2014, o projeto foi retomado. Nesta última versão, o projeto conta com cinco lagos, na porção sul da bacia, com o represamento de águas distantes das cabeceiras. O projeto visa fazer a ligação de ruas importantes na parte sul e também servir como área de lazer e recreação para a população.

Dessa forma, surge em 2008, o PDA, que consiste num conjunto medidas na área de saneamento básico e socioambiental das bacias hidrográficas, para diagnósticar ligações irregulares de esgoto. É feito através de vistorias técnicas nas residências, em que são aplicados corantes nas pias, nos ralos e vasos sanitários das residências para serem observados através da cor da água lançada nos poços de visitas da rede coletora de esgoto. Assim, as ligações clandestinas seriam identificadas e sua regularização subsidiada pelo programa (ROGALSKI e CARVALHO, 2010, p. 23-24).

A partir do estudo da qualidade da água na bacia e seu impacto no projeto das represas feito em 2008 e publicado em 2010, os altos níveis de contaminação da água proveniente das cabeceiras, poderia ter consequências negativas nos lagos.

O estudo foi realizado a partir da coleta de água para análise em pontos específicos (FIGURA 23). O primeiro ponto de coleta foi feito onde arroio se encontra exposto. No segundo ponto, a vegetação ripária é ausente e existe diferença de altitude em relação ao ponto 1. No ponto 3, há aumento da vazão de água, e o trecho anterior ao ponto possui poucas habitações. Por fim, no ponto 4 é onde seria a represa. Neste trecho há pouca vegetação, ausência de habitações e aumento da vazão da água (MARTINS; COSTA; MARQUES, 2010, p. 84.).

FIGURA 23 - LOCALIZAÇÃO DOS PONTOS DE COLETA DE ÁGUA PARA ANÁLISE. FONTE: MARTINS; COSTA; MARQUES, 2010, P. 78. E BASE CARTOGRÁFICA DA PMPG EDITADA PELA AUTORA, 2014.

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A análise mostra níveis elevados de poluição por esgotos domésticos e também componentes químicos da água em desequilíbrio. A baixa concentração de oxigênio aliada a altas concentrações de matéria orgânica e nutrientes, causaria o desenvolvimento de algas e microorganismos que gerariam a eutrofização das águas da represa. A eutrofização conduz a morte dos peixes existentes, pela falta de oxigênio, além de acarretar em problemas de ordem estética. Estes fatores tornariam a represa inutilizável para recreação e prática esportiva, além de se transformar em um desperdício de recursos públicos, ao ir de encontro aos objetivos iniciais do projeto (MARTINS; COSTA; MARQUES, 2010, p .84.)

FIGURA 24 - IMAGEM AÉREA DA SITUAÇÃO PREVISTA PARA O "PARQUE DA CIDADE", COM AS REPRESAS, E PROCESSO DE EUTROFIZAÇÃO. FONTE: PREFEITURA, 2014 E UFRJ, 2014.

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Entende-se que o projeto atua de forma pontual na paisagem. A falta de saneamento básico é o maior problema a ser enfrentado na cidade e especialmente, na bacia do Arroio Olarias. Nas cabeceiras da bacia o problema é ainda maior, justificado pela topografia e o encarecimento das obras de saneamento, além do elevado número de habitações irregulares existentes.

A instalação do sistema de coleta e tratamento de esgoto em Ponta Grossa aconteceu de forma heterogênea devido a fatores como inviabilidade ou custo elevado das obras, então algumas vilas não foram contempladas, incluindo várias da região da bacia do Arroio Olarias, o que afeta diretamente o meio ambiente.

3.5 O BAIRRO OLARIAS E A ATIVIDADE INDUSTRIAL

Na região próxima do centro comercial da cidade e junto a outros quatorze bairros de Ponta Grossa (FIGURA 25), nas cabeceiras do arroio Olarias, está o bairro de Olarias (FIGURA 26), que abriga a área de intervenção. A paisagem deste bairro é bastante peculiar e está fortemente relacionada a topografia, marcada pela assimetria. Atualmente, o uso do solo dominante na região é o residencial, sendo complementado por uso comercial local (CHEMIN, 2011, p.224).

FIGURA 25 - DIVISÃO DE BAIRROS DE PONTA GROSSA. FONTE: BASE CARTOGRÁFICA DA PREFEITURA MUNICIPAL, EDITADA PELA AUTORA, 2014.

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FIGURA 26 - LOCALIZAÇÃO DO BAIRRO OLARIAS FONTE: BASE CARTOGRÁFICA DA PMPG, 2014, EDITADA PELA AUTORA.

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Quanto aos aspectos culturais do bairro Olarias, esse se desenvolveu também em função do solo natural, com a argila, que ajudou a definir e modelar o cotidiano das famílias que lá habitam. Como já comentado, a industrialização e ocupação do bairro se fortaleceu com a implantação da ferrovia. As indústrias se desenvolviam e as famílias se instalavam no local devido às ofertas de trabalho (CARNEIRO et al, 2004).

Na década de 1930, o bairro possuia vegetação de mata virgem e era quase que desabitado. As olarias tiveram grande impacto no povoamento do bairro, originando o seu nome: Olarias. Com as olarias, as Indústrias Wagner (hoje desativadas), a Serraria Olinda e o Curtume Pontagrossense, foram parcialmente responsáveis pela estruturação da ocupação do bairro, além de fazerem parte do cotidiano das famílias (CARNEIRO et al, 2004). No total, se instalaram 12 indústrias na região (TABELA 1), que com o passar dos anos foram trocando de tipos de

produção, até a sua completa extinção com o incentivo de migração para o novo polo industrial na década de 1980, por parte do governo Municipal.

TABELA 1 - ATIVIDADE INDUSTRIAL NO BAIRRO OLARIAS DE 1924 A 1985:

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FONTE: LIVRO DE REGISTRO DE ALVARÁS DE LICENÇA DA PREFEITURA MUNICIPAL DE

PONTA GROSSA. 1920-1990, APUD CARNEIRO ET AL (2004, P. 2) E EDITADO PELA AUTORA, 2014.

Durante os anos de 1947 a 1970, a atividade econômica era praticamente oleira, a partir da produção e comercialização de cerâmica (tijolos, telhas, manilhas) para o mercado interno e externo de Ponta Grossa. O curtume também teve sua relevância econômica, com o processo de curtição de couro de porco em larga escala, também para exportação. O terreno onde existia o curtume, foi ocupado por uma indústria de óleo e cereais que foi desativada em 2007, e hoje o edifício se encontra abandonado (CARNEIRO et al, 2004).

A partir da década de 1970, com a expansão urbana em seu auge, houve um aumento da população no bairro, e na cidade como um todo. Outras atividades foram se instalando, como comércio e outros tipos de indústrias. Os autores Carneiro et al (2004, p.4), denominam este período de “pós-olarias”. O bairro então ganhou novos loteamentos e ruas, a partir da venda de grandes propriedades de terras.

Dessa forma, o que resta hoje na paisagem do bairro olarias, são indústrias abandonadas e olarias desativadas, que dão caráter diferenciado à paisagem da região, além de configurá-lo como uma região concentradora de brownfields. Junto ao relevo, e aos corpos hídricos, o bairro de Olarias apresenta potenciais paisagísticos e turísticos.

FIGURA 27 - INDÚSTRIA DE ÓLEOS E CEREAIS ABANDONADA E CHAMINÉ DE ANTIGA OLARIA FONTE: A AUTORA, 2014.

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3.5.1 ANÁLISE SENSORIAL DA PAISAGEM DO BAIRRO OLARIAS

A análise sensorial da paisagem bairro acontece baseada na teoria desenvolvida por Lynch e Hack (1984). Sob esta ótica, entende-se que a qualidade sensorial de um lugar é uma interação entre a sua forma e o observador. Por ser uma escala mais abrangente, a análise que se segue contempla os seguintes aspectos: vistas da área, marcos na paisagem, a topografia, e sequências visuais de determinados pontos. Tal análise visa a identificação de potenciais paisagísticos no entorno.

Como a região é marcada pela acentuada topografia, as vistas ocorrem das cotas mais altas para as mais baixas e vice versa. No primeiro caso, o céu é importante elemento da composição paisagísitica, pois a verticalização na área é praticamente inexpressiva. A vista dos Campos Gerais e de todo um panorama do bairro é o que chama mais a atenção (FIGURA 28).

FIGURA 28 - VISTAS DAS COTAS MAIS ALTAS DO BAIRRO OLARIAS. COMPOSIÇÃO COM O CÉU E OS CAMPOS GERAIS E VISTA DO BAIRRO. FONTE: A AUTORA, 2014.

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Quando o observador se situa nas cotas mais baixas, no fundo de vale, a impressão do centro da cidade é que se revela. Nesta posição, é possível ter um panorama do centro e dos edifícios verticais da região (FIGURA 29). Além disso, é nítido o contraste entre área residencial e comercial, com acentuada verticalização. A cidade fica emoldurada pela vegetação existente.

FIGURA 29 - PANORAMA A PARTIR DOS FUNDOS DE VALE. VISTA DO CENTRO DA CIDADE. FONTE: A AUTORA, 2014.

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Em geral, a ruas, passeios e infraestrutura urbana estão mal conservados e tem forma irregular, sendo os passeios ausentes em alguns trechos e algumas ruas não pavimentadas. Existem inúmeras residências precárias no bairro, principalmente as que estão às margens dos corpos d’água, o que mostra acentuadas condições de desigualdade social. Sobre as residências, é expressiva a quantidade de arquitetura em madeira (FIGURA 30), o que confere uma unidade temática ao lugar, principalmente por causa da imigração européia na região (CHEMIN, 2011, p. 228).

FIGURA 30 - RUAS E PASSEIOS PRECÁRIOS E EXEMPLARES DE ARQUITETURA EM MADEIRA. FONTE: A AUTORA, 2014 E CHEMIN, 2011, P. 227.

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A vegetação também desempenha papel importante na composição da paisagem do bairro, devido às áreas verdes nos fundos de vale, como também ao fenômeno da apropriação do recuo por parte dos moradores, ao prolongarem seus jardins até a área pública (FIGURA 31) (CHEMIN, 2011, p.228).

FIGURA 31 - JARDINS NOS PASSEIOS E VEGETAÇÃO DOS FUNDOS DE VALE. FONTE: CHEMIN, 2011, p. 228 E A AUTORA, 2014.

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Com relação a antiga atividade industrial, os remanescentes de edifícios industriais e de olarias (FIGURA 32) também estão presentes como marcos na paisagem do bairro. As chaminés das olarias configuram pontos focais na paisagem, assim como sutil referência à paisagem pós-industrial.

FIGURA 32 - REMANESCENTES INDUSTRIAIS NO BAIRRO: ANTIGA OLARIA E FÁBRICA ABANDONADA DE MADEIRA LAMINADA. FONTE: A AUTORA,2014

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Como resumo da análise, conclui-se que o bairro apresenta diversidade de paisagens, com áreas vegetadas, vistas contrastantes entre cidade e campos, áreas residenciais, remanescentes industriais e corpos hídricos, em uma composição topográfica de ladeiras, que dão caracterísiticas singulares à paisagem local. Entretanto, assim como no restante da cidade, existem deficiências de infraestrutura urbana como passeios, pavimentação e iluminação adequada.

4 ANÁLISE DE CASOS CORRELATOS

Neste capítulo são analisados projetos similares ao que se propõe através do presente trabalho, ou seja, intervenções em paisagens de caráter pós industrial, paisagens onde houve tratamento de brownfields e também a reintegração de rios urbanos. Dessa forma, pretende-se relacionar os conceitos vistos até o momento com aplicações práticas feitas no Brasil ou no mundo.

Nos projetos escolhidos como referência, buscou-se analisar como os profissionais envolvidos adotaram soluções para reutilizar áreas anteriormente degradadas e transformá-las em parques urbanos, devolvendo essas áreas para a população. Aspectos como sustentabilidade, programa de necessidades, uso de vegetação, técnicas e materiais voltados à requalificação das áreas degradadas são analisadas. Os casos selecionados, classificados entre nacionais e internacionais foram:

6.1 Bronx River Green Way, em Nova Iorque, Estados Unidos: Este exemplo internacional refere-se a um parque linear implantado na região do Bronx e foi planejado para recuperar o rio Bronx, composto por vários parques que se integram em um grande sistema, sendo que muitos deles tem relação com a paisagem pósindustrial. Quando completo, o projeto percorrerá quase 40 Km, da nascente do rio, em Westchester County até a foz, em East River.

6.2 Landschaftspark Duisburg Nord (Parque Duisburgo Norte), em Duisburgo, na Alemanha: Como exemplo internacional, o parque foi feito sobre uma região onde antes havia uma indústria de fundição e que foi desativada, sendo assim um Altlast ou brownfield que deixou a área degradada. Como parte da paisagem pós industrial do Vale do Ruhr, com presença de um rio que foi recuperado, apresenta aspectos semelhantes a área de estudo, apesar de sua escala, de 180 hectares e com visitantes oriundos do mundo todo.

6.3 Parque S ã o Louren ç o, Curitiba, Paraná: Exemplo local, o parque foi idealizado a partir da explosão da represa do São Lourenço pertencente à fábrica de adubos Boutin. No local havia ainda uma fábrica de cola, desativada e que se transformou

em equipamento público cultural. O parque apresenta remanescentes da paisagem pós industrial, tendo a chaminé da fábrica de adubos como marco visual.

Assim, as caracterísiticas do casos correlatos se complementam, dando embasamento para as diretrizes de projeto para um parque urbano. Fator importante da escolha foi também o entorno dos parques, onde existe população de baixa renda ou regiões periféricas, como o caso da Greenway no Bronx, que apesar de estar em um país desenvolvido, está numa região considerada periférica e de baixa renda.

4.1 BRONX RIVER GREEN WAY – NOVA IORQUE – EUA – 1999. Vários arquitetos, coordenados pelo Departamento de Parques e Recreação de Nova York.

A Bronx River Greenway é uma faixa de 40 Km de área verde (FIGURA 33) com áreas multi-uso que se extende desde a nascente até a foz do Rio Bronx. Até o momento, aproximandamente 24 Km do parque linear estão implantados . O objetivo é prover áreas livres de qualidade para a população, em uma região em que são escassas e também restaurar parques urbanos existentes.

Grande parte da greenway, principalmente na região norte, já existem áreas livres e só precisam ser reabilitadas. No sul, é necessária a implantação de novos parques em lugares que envolvem uma fábrica misturadora de cimento abandonada, uma rua sem saída recuperada e um trecho de espaço livre deteriorado ao longo do rio.

FIGURA 33 - PLANTA GERAL DA REGIÃO DA GREENWAY RIVER BRONX. FONTE: BRGP, 2006.

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O projeto contempla ao todo 10 espaços livres, em sua maioria parques urbanos: o Parque Hunts Point Riverside, Parque Soundview, Parque Concrete Plant, feito a partir da área abandonada de uma empresa misturadora de cimento, Parque Starlight, Fazendas Oeste (West Farms), Fish Passage, Zoológico Bronx, Floresta do Rio Bronx, Parque Shoelace e Enseada Muskrat.

4.1.1 Histórico

Em 1639, Jonas Bronck comprou a área ao longo do atual Rio Bronx. Tempo depois, a área foi ocupada, cultivada e industrializada. O vale do rio se tornou um corredor para estradas, ferrovias e viadutos que conectavam uma região em expansão, mas que isolaram as comunidades ribeirinhas em relação ao rio e também entre si (BRGP, 2006).

A construção da via parque do Rio Bronx no anos 1920 fez da área de proteção ambiental uma paisagem decorativa para os motoristas de Westchester County. A criação do Parque Bronx em 1888, assim como a construção do Jardim Botânico de Nova York e do Zoológico Bronx, asseguraram alguma proteção para o rio, apesar da restrição que o Jardim Botânico e o Zoológico apresentavam ao limitar o acesso somente a visitantes que pagassem entrada (BRGP, 2006).

Ao sul, o rio foi poluído, suas margens foram barricadas e canalizadas para uso industrial (FIGURA 34). O canal foi alterado repetidamente, mais recentemente em meados dos anos 1960, quando um engenheiro do governo mudou o curso do rio para abrir caminho para a via expressa Sheridan. A reconstrução da via parque do Rio Bronx, durante o mesmo período, deixou partes do rio inacessíveis e abandonadas (BRGP, 2006).

FIGURA 34 - DEGRADAÇÃO DO RIO BRONX E SEGREGAÇÃO FÍSICA COM OS EDIFÍCIOS DO ENTORNO.FONTE: BRGP, 2006

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A construção do sistema de higways fragmentaram fisicamente a região e ajudaram a transformar o sul do Bronx, nas décadas de abandono e não investimento, em um ícone de declínio urbano nos anos 1970 e 1980 (BRGP, 2006).

Em 1974, o projeto de restauração do rio Bronx foi incorporado na mobilização em remover toneladas de detritos das suas margens na rua 180ª., ou a área das West Farms. Em 1995, com a implantação dos Drew Gardens ao sul do rio, o marcaram como uma área que precisava ser restaurada (BRGP, 2006).

Ainda assim, com o projeto já em fase de implantação, jovens cresciam na região sem poderem ver ou tocar o rio, devido a diversas barreiras. Em meados dos anos 1990, uma associação do governo, através do Departamento de Parques de Nova York com ativistas locais e outras instituições, formou o chamado Grupo de Trabalho do Rio Bronx, em 1997. O grupo, mesmo que informalmente, pode elaborar o Plano de Ação do Rio Bronx em 1999, onde estava o projeto da Greenway (BRGP, 2006).

No projeto da Greenway, foram identificadas áreas a serem desapropriadas, desenvolvidas e conectadas às áreas de parque existentes para criar uma rota contínua. A partir do projeto, o grupo de trabalho cresceu e agregou várias instituições, além de captar recursos de diversos fundos, além de governamentais.

Em 2001 foi criada a Aliança do Rio Brox (Bronx River Alliance), com a missão de servir como uma “voz coordenada para o rio e trabalhar em harmonia numa parceria para proteger, melhorar e restaurar o corredor do Rio Bronx” de forma que ele possa ser ecologicamente saudável, sirva para a recreação, educação e economia das comunidades que vivem ao longo do rio (BRGP, 2006; BRA, 2014).

4.1.2 Setorização

A Greenway foi dividida em cinco segmentos, com o intuito de concluir o projeto por etapas. No Segmento A (de East River até a Bruckner Boulevard) existe o Parque Soundview, que possui ciclovias, e área livre para a população, conectando áreas anteriormente isoladas. No Segmento B ( da Bruckner Boulevard até Avenida East Tremont), está o Parque Concrete Plant, feito a partir de uma área industrial desativada. Neste segmento se encontram a maioria dos novos projetos. O Zoológico do Bronx e as West Farms estão no Segmento C. Nesta parte é onde o rio está mais exposto, sendo possível vê-lo, tocá-lo e praticar esportes aquáticos, como canoagem e remo. Existem ainda os segmentos D , que contém a Floresta do Rio Bronx e o Jardim Botânico, e o segmento E, que configura um espaço de conexão. A análise dos setores concentra-se nos segmentos A a C.

Segmento A - East River at é a Bruckner Boulevard

FIGURA 35 - SEGMENTO A DO PLANO. FONTE: BRGP, 2006.

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Neste trecho, existem conexões através de ciclovias e vias de pedestre com as outras partes da Greenway. O ponto mais importante e que toma maior parte da área do segmento é o Parque Soundview, feito a partir de um antigo aterro (FIGURA 36) que foi fechado na década de 1960.

O Parque Soundview (FIGURA 37), com parte concluída em 2001, tem melhorias previstas pelo Departamento de Parque e Recreação de Nova York que incluem restauração do lago, criação de áreas passivas e ativas de recreação e um anfiteatro. As obras estão atrasadas devido ao antigo uso do solo do local, por isso existem dificuldades em se obter alterações do departamento responsável para prosseguir com a construção, apesar de já estar parcialmente concluído.

FIGURA 36 - ANTIGO ATERRO SENDO RESTAURADO E SITUAÇÃO ATUAL DO PARQUE SOUNDVIEW. FONTE: NYCGOVPARKS, 2014.

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FIGURA 37 - PROJETO PROPOSTO PARA O PARQUE SOUNDVIEW. FONTE: TBANY, 2014.

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Segmento B - Bruckner Boulevard at é Avenida East Tremont

Dentre os projetos de parque na greenway, no Segmento B está o Parque Concrete Plant, assim como a maioria dos novos parques. De acordo com o Departamento de Parques e Recreação de Nova York, o local, que hoje abriga o parque, servia uma fábrica misturadora de concreto localizada na parte oeste do rio Bronx.

Conforme relatório arqueológico mencionado pelo Departamento, a atividade relacionada à produção de cimento começou depois de 1945 no local e durou até 1987. A companhia Transit Mix Concrete Corporation construiu os silos, filtros e estruturas de transporte, que ainda estão no parque até hoje, em memória ao seu passado industrial.

FIGURA 38 - SEGMENTO B DO PLANO. FONTE: BRGP, 2006.

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A construção do Parque Concrete Plant foi feita em várias fases, com algumas delas já concluídas, pois sua construção teve início em 2005. A primeira fase começou com a demolição seletiva de partes da indústria, restando algumas das estruturas de aço que faziam a mistura do concreto, que foram transformadas em elementos esculturais. Painéis solares e turbinas de vento serão implantadas no futuro, como forma de gerar energia para o parque, edifícios e luminárias (FIGURA 39).

FIGURA 39 - SITUAÇÃO ANTERIOR E ATUAL DA REGIÃO DO PARQUE CONCRETE PLANT, COM AS ESTRUTURAS FABRIS COMO ESCULTURAS .FONTE: BRA,2014

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Após a demolição, a outra fase consistiu na construção de uma rota contínua de ciclovias e vias de pedestres, um calçadão às margens do rio, novas espécies vegetais, além da revitalização da vegetação ripária já existente, um pequeno pier de barcos, espaços de churrasqueira e atividades artísticas externas. O parque tem previsão de conclusão para 2015 (BRA,2014).

Ainda no segmento B, próximo ao Parque Concrete Plant, está uma estação ferroviária desativada, que foi concebida em 1910, que se encontra em estudo para restauração. A estação serviria como porta de entrada para o parque Concrete Plant.

Prosseguindo ao norte, a Greenway adentra um lote adquirido pelo poder público para preservar a continuidade do caminho às margens do rio, mas que anteriormente era utilizado para abrigar veículos apreendidos pela polícia federal. Os edifícios existentes serão demolidos e a contaminação ambiental será remediada. Blocos de concreto que eram utilizados para estabilizar o limite da margem do rio serão removidos e a margem voltará ao seu estado natural e vegetado (FIGURA 40).

FIGURA 40 - ÁREA ANTES DA REVITALIZAÇÃO E PROPOSTA DE REVITALIZAÇÃO. FONTE: BRA, 2014.

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Como neste segmento se encontram a maioria dos parques novos, cabe falar a respeito do Parque Starlight, que foi desenvolvido na década de 1960, junto com a construção da linha férrea, como forma de substituir um parque com o mesmo nome. A comunidade do entorno era carente de espaços livres, mas mesmo assim, o parque Starlight era quase inutilizado devido a sua condição precária , infraestrutura deteriorada e dificuldade de acesso (BRGP, 2006)

Assim, o plano decidiu por restaurar o parque através de um trabalho conjunto entre arquitetos da prefeitura e moradores. Ao se implantar sistemas de drenagem, descobriu-se solos com alto nível de contaminação por causa de uma usina de gás industrializado que funcionava anteriormente no local. A implantação foi interrompida e um plano de remediação para a área foi aprovado, o que levou a conclusão do parque em 2009 (FIGURA 41).

FIGURA 41 - PONTE E ÁREA DE RECREAÇÃO NO PARQUE STARLIGHT. FONTE: NYCGOVPARKS, 2014.

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Segmento C - Zool ó gico do Bronx e Westfarms

FIGURA 42 - SEGMENTO C DO PLANO. FONTE: BRGP, 2006.

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Neste segmento estão previstos projetos de restauração, pois havia áreas livres pré-existentes em grande quantidade para a população. O parque que ocupa quase toda a área, é o Zoológico do Bronx, que já existia há décadas.

Neste trecho existe a área relativa a região de Westfarms. É atualmente uma áreas mais acessíveis do rio, onde ele corre rapidamente, proporcionando aos usuários a vista de suas corredeiras além de ser possível a prática de canoagem.

4.1.3 Conceito

O conceito principal Greenway do Rio Bronx é transformar a parte sul do rio, assim como as comunidades que vivem ao longo dele, em áreas integradas entre si e com o resto da cidade, através da permeabilidade visual e tátil com o rio Bronx e de vias ecológicas seguras para pedestres e ciclistas.

O projeto visa a restauração ecológica, justiça ambiental, inclusão e pertencimento da comunidade. Buscou-se uma paisagem vibrante, sustentável, que recepcionasse os visitantes e oferecesse oportunidades ao residentes. Conectar a paisagem do rio Bronx por meio visual, tátil, através do uso do rio e sua restauração, e apropriação pela comunidade foram as características mais almejadas (BRGP, 2006).

Basicamente, o projeto teve cinco objetivos principais:

Criar conexões seguras: Inclui a seleção de “ruas verdes” que não permitem o acesso de veículos pesados e tem a capacidade de acalmar o tráfego (traffic calming), além de possuírem características seguras para pedestres (FIGURA 43). A criação de uma rota continua e segura tanto para ciclistas como para pedestres ao longo do rio foi uma prioridade (BRGP, 2006).

FIGURA 43 - VIAS SEGURAS PARA CICLISTAS E PEDESTRES. FONTE: BRGP, 2006.

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Fomento do desenvolvimento econômico das comunidades: Visa a promoção de oportunidades de emprego diretamente relacionadas à Greenway e a provisão de espaços livres próximos de áreas de trabalho para oferecer oportunidades de lazer e fomentar a permanência no trabalho (BRGP, 2006).

Melhorar a qualidade ambiental: Prevê a restauração e a criação de novos ecossistemas nas margens do rio (FIGURA 44) e na planície para reverter a degradação ambiental e melhorar os habitats aquáticos, terrestres e ripários (das margens do rio) (BRGP, 2006).

FIGURA 44 - HABITATS À MARGEM DO RIO RESTAURADOS E CONTROLE DE VEGETAÇÃO EXÓTICA INVASORA. FONTE: BRGP,2006.

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Promover qualidade urbana: Propõe a melhoria de rotas com amenidades e paisagens que contribuem para o aproveitamento dos espaços exteriores e funcionam como convite à interação social (BRGP, 2006).

Fortalecer a gestão de longo prazo: Inclui o desenvolvimento de uma estratégia de gestão da paisagem que assegura a manutenção (FIGURA 45) da Greenway e constrói capital social através da educação e participação local no futuro da implementação do projeto (BRGP, 2006).

FIGURA 45 - CONTROLE DE QUALIDADE DA ÁGUA FEITA POR ALUNOS DE ESCOLAS LOCAIS E COMUNIDADE PLANTANDO UM JARDIM. FONTE: BRGP, 2006 E STORMWATERREPORT, 2014.

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4.1.4 Soluções técnicas e materiais

Como se trata de um projeto de revitalização das margens de um rio, os pontos norteadores, em relação ao design, construção e monitoramento do parque, seguem princípios de preservação ecológica, até que o rio esteja completamente reabilitado, sem deixar de lado o valor recreacional.

O projeto e execução do parque foram divididos nas seguintes categorias, que se complementam: paisagem natural, gestão de águas pluviais, áreas pavimentadas (calçadas e vias), paisagem urbana e práticas sustentáveis de manutenção. Estes princípios construtivos permeiam o parque todo, independente dos diferentes projetos que o compoe, de forma a planejar a paisagem como sistema.

Paisagem Natural

Sobre as práticas de projeto com a paisagem natural, foi enfatizada a importância de manter os solo saudável, de evitar impacto negativo em áreas sensíveis e de fortalecer características da paisagem natural, especialmente em áreas alagáveis e várzeas.

Em relação ao tratamento do solo, foi necessário reconhecê-lo como um sistema vivo. Através de análises foi possível monitorar e entender as condições locais do solo; preservar solos nativos que estavam relativamente inalterados; utilizar solos estruturais para aumentar a longevidade das árvores; projetar solos em áreas pavimentadas que promovam maior capacidade de carga para pavimentação (BRGP, 2006).

Quanto ao fortalecimento das características naturais do lugar, procurou-se preservar e restaurar corredores de vegetação ripária e áreas alagáveis com a criação de áreas amortecedoras, incluindo as áreas inundáveis. Tal solução pode ser empregada na area de intervenção, pois contém áreas inundáveis e vegetação ripária.

Ainda dentro do tema de preservação, a vegetação foi concebida baseada nos princípios de sucessão ecológica, na seleção de espécies nativas apropriadas, que demandam baixa manutenção e também na remoção de espécies exóticas invasoras.

Gest ã o de á guas pluviais

Um dos objetivos primários do plano é melhorar a captação de água pluvial para reduzir o número de eventos de enchentes e contribuir no objetivo de se alcançar um rio onde é possível nadar e pescar.

Assim, foram desenvolvidos controles de erosão e medidas de prevenção na busca por reduzir os impactos à juzante. Além disso, foram previstas medidas temporárias de controle de erosão em projetos parcialmente concluídos ou se o solo ficou exposto por mais de 30 dias. O agrupamento de plantas com demandas similares de água também colabora com a conservação de sistema de irrigação (BRGP, 2006).

Técnicas de infiltração e filtração foram aplicadas a partir de trincheiras de infiltração (FIGURA 46), para reduzir a velocidade da água da chuva que cai em excesso e se espalha pela superfície do solo, permitindo que a infiltração ocorra. O uso de areas de bio-retenção (buracos, depressões) foi utilizado para gerar o tratamento da água pluvial em excesso.

FIGURA 46 - TÉCNICAS DE FILTRAÇÃO E INFILTRAÇÃO PARA CONTROLE DE RUNOFF, ENCHENTES E EROSÃO. FONTE: BRGP, 2006

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Á reas pavimentadas

Com a construção de uma área com diferentes tipos de caminhos inevitavelmente surge alguma área pavimentada, portanto, são necessárias medidas de controle de materiais, alocação e hierarquia de pisos a serem utilizados, para diminuir o impacto no rio.

Dentre as soluções de pavimentação, estão como principais, o aumento de acessos mais diretos ao rio, evitando ou reduzindo a invasão em áreas naturais sensíveis, como conexões entre habitats. Também os caminhos informais já existentes foram recolocados após serem reprojetados com ciclovia e condições seguras para pedestres e ciclistas, conectando os parques ao longo do rio e permitindo que os habitats do entorno se desenvolvam.

Foi criada uma hierarquia de caminhos que saem do rio para as áreas mais elevadas. Nos caminhos próximos ao rio são utilizados pisos drenantes ou que contenham a água pluvial excessiva. A partir dessa hierarquia, foram compactados os acessos e conexões, de modo a reduzir o número de acessos e rotas. Também foram desenvolvidos pontos de acesso bem sinalizados e projetados para manter os usuários nas trilhas pré estabelecidas.

Paisagem urbana

Em termos de paisagem urbana, o foco do plano se deu nas ruas do entorno. Foram implantados ao longo da área, iluminação de longa duração e alta eficiência

luminosa junco com fontes de energia fotovoltaica, a fim de reduzir a reflexão das superfícies e sistemas de controle de água da chuva em estacionamentos e vias. Dessa forma, a interferência do entorno no ecossistema natural do rio é reduzida, além de proporcionar segurança aos pedestres.

Foi prevista seleção de materiais para reduzir o efeito de ilha de calor, como o uso de cores claras nos materiais nas superfícies impermeáveis do entorno, onde foi possível, e a provisão de sombra em pelo menos 30% das áreas impermeáveis durante cinco anos após a construção (BRGP, 2006).

Mesmo com diferentes parques e projetos ao longo dos trechos, o mobiliário, que inclui bancos, bicicletários, luminárias, guarda-corpos, lixeiras, para-carros (FIGURA 47) e abrigos de pássaros, e comunicação visual foram padronizados, de modo a dar unidade ao conjunto. Apenas os abrigos de pássaros são feitos de acordo com as espécies existentes em cada setor.

FIGURA 47 - TIPO 2 DE BANCO NO CONCRETE PLANT PARK E PARA-CARROS, OU BOLLARD. FONTE: BRONXRIVER,2014.

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A pavimentação das vias de pedestre e ciclovias também foram padronizadas (FIGURA 48). As ciclovias possuem 2,5 m quando não são compartilhadas com pedestres e 3 m quando compartilhadas, além de receberem proteção de guarda corpo lateral quando em áreas próximas de ruas de automóveis ou pontes de pedestres.

FIGURA 48 - CICLOVIAS EXCLUSIVAS, COM PROTEÇÃO LATERAL E CICLOVIAS COMPARTILHADAS, COM PROTEÇÃO LATERAL PARA PONTES DE PEDESTRE. FONTE: BRONXRIVER,2014.

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4.1.5 Sustentabilidade

Este tópico refere-se a como foi possível manter o rio como prioridade, ao realizar-se operações de controle de pestes, gestão de resíduos e a manutenção rotineira do parque.

A partir de um plano integrado de controle de pestes, utilizou-se poucas substâncias químicas para esse controle. Foram especificadas espécies de plantas divesificadas e estabelecidos níveis aceitáveis de aparência da paisagem nas áreas de paisagem natural. Também é executado o monitoramento mensal da vegetação, para controle de plantas invasoras.

Na seleção dos materiais utilizados, se propôs o entendimento do ciclo de vida dos materiais, para assim reconhecer o seu tempo de vida útil e regeneração, fazendo uma ponderação com o seu custo. Ou seja, qual o custo-benefício para o ambiente teria a escolha de determinado material.

Houve a implementação de programas de reciclagem e compostagem para melhorar a qualidade do solo (FIGURA 49), o aumento do emprego de materiais reciclados nas seções pavimentadas, e também a disponibilidade de containers de reciclagem nos parques.

FIGURA 49 - COMPOSTAGEM E HORTA COMUNITÁRIAS. VOLUNTÁRIAS TRABALHANDO NA MANUTENÇÃO DA HORTA. FONTE: BRONXRIVER,2014

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O envolvimento da comunidade nestes projetos foi fundamental para o seu sucesso. Como parte do objetivo inicial, o rio Bronx, para voltar a ser saudável, depende também da comunidade, que de certa forma realiza o monitoramento da situação do rio, além de estarem ambientalmente conscientizados.

4.1.6 Conclusões

A partir das características do plano da Greenway para o rio Bronx, pode-se concluir que houve forte integração da comunidade e instituições no processo de implantação dos parques e projetos complementares. O tempo necessário para a implantação do plano foi longo, porém não suficiente para dissolver os objetivos iniciais.

Com a resalva da escala, os projetos são excelentes exemplos de como integrar a comunidade local, que também apresenta caracterísitcas sociais consideradas carentes em comparação com o restante da cidade de Nova York, que mostra elevada desigualdade social. O rio Bronx atualmente permite atividades esportivas, de lazer e transporte em seu leito.

O objetivo de integrar o rio, sem desrespeitá-lo, foi atingido com sucesso. As técnicas de contenção de cheias, de sustentabilidade, o manejo de vegetação, a forma como os projetos de parque seguem a mesma linguagem ao longo da Greenway e a segurança proporcionada a pedestres e ciclistas, são exemplos a serem seguidos.

Assim como os outros parques que serão analisados, este parque não apresenta fechamentos, é aberto 24 horas por dia. Existem notícias referentes a isso, principalmente pelo fato de que o parque passa por toda uma área de perfil populacional e socio-econômico carentes.

4.2 LANDSCHAFTSPARK DUISBURG NORD – DUISBURGO – ALEMANHA. LATZ AND PARTNERS – 1994.

O parque Duisburgo Norte é mais um exemplo de área industrial com vários brownfields e que foi convertida em parque. Em uma área de mais de 200 hectares na cidade de Duisburgo na Alemanha, à rua Emscherstraße, 71, na região do vale do Ruhr, conhecida pela sua atividade industrial (FIGURA 50), o parque foi aberto ao público pela primeira vez em 1994, completando em 2014, duas décadas de existência.

FIGURA 50 - LOCALIZAÇÃO DO PARQUE DUISBURGO NORTE. FONTE: GOOGLE EARTH , EDITADO PELA AUTORA, 2014.

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4.2.1 Histórico

A região do vale do Rhur na Alemanha apresentou no decorrer da história intensa atividade industrial. No entanto, nas últimas duas décadas, nenhuma outra região da Alemanha foi tão atingida pelo processo de desindustrialização como esta região populosa de 2,5 milhões de habitantes, que se extente por 800 kilômetros quadrados, com 17 cidades ao longo da costa oeste e sul do rio Emscher (WEILACHER, 2008).

O parque foi concebido a partir da planta da fábrica Meiderich de fundição, desativada em 1985, após a recuada da produção de ferro, e completamente intacta. Após o fechamento da fábrica, em torno de 8 mil funcionários foram demitidos, deixando famílias desesperadas sem emprego e 230 hectares de paisagem pós- industrial poluída, com turbinas, torres de resfriamento, depósitos, plantas industriais altamente complexas, salas de máquinas, tanques de gás, linhas férreas e vias (WEILACHER, 2008).

Em 1989, junto a outro plano de parques, o Emscher Park, a revitalização da área foi adicionada ao plano, o que acarretou em concurso internacional e na contratação de diversos profissionais, entre arquitetos, geológos, sociólogos e engenheiros. Em 1990, o projeto ganhador , desenvolvido por Latz and Partners foi escolhido, que propunha a reciclagem das estruturas fabris, com a mínima intervenção possível.

Abaixo se segue uma linha cronológica, de acordo com o site do parque, desde o início do funcionamento da fábrica Meiderich até os detalhes finais do parque:

1901 - Se inicia a construção da fábrica de fundição de ferro Meiderich. 1903 - O Alto-forno 1 fica pronto e o ferro começa a ser derretido 1912 - Todos os cinco fornos da Meiderich estão operantes

1914 - Primeira Guerra Mundial. Dificuldades de se obter minério causa do boicote de exportação e diminuição de trabalhadores conduz a uma crise na produção de ferro fundido na empresa.

1923 - A situação se normaliza no fim da Revolução de Novembro de 1918-19 e no fim da ocupação do Ruhr pelas tropas francesas e belgas.

1930 - Crise econômica mundial. A demanda cai pela metade. Parte dos funcionários é demitida, os salários são reduzidos e menos horas de trabalho são a consequência.

A partir de 1933 - Reviravolta na indústria de aço e ferro. Na segunda metade da década de 1930, a capacidade de produção aumenta de 60 a 80 e 90 por cento (FIGURA 51).

FIGURA 51 - FÁBRICA MEIDERICH AINDA EM FUNCIONAMENTO. FONTE: LANDSCHAFTSPARK, 2014.

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A partir de 1942 - Escassez de trabalhadores. Prisioneiros de Guerra são empregados na fundição.

1944 - Após 3 bombardeios aéreos, a produção na Meiderich paralisa-se.

1945 - Confisco de todo o trabalho em aço e ferro pelos aliados. Planejado o desmantelamento de todas as instalações industriais, como compensação pela destruição causada pela guerra. Reconstrução da Meiderich não foi listada para desmantelamento. Aliados concedem permissão para funcionamento de dois fornos. A partir de 1950 - Milagre econômico. Fim de 1950 - Trabalhadores estrangeiros sem experiência ajudam nos trabalhos.

A partir de 1954 - Construção de novos fornos. Modernização da produção (FIGURA 52).

FIGURA 52 - VISTA DA FÁBRICA NA DÉCADA DE 1960. FONTE: ARQUIVO THYSSENKRUPP DUISBURG, DISPONIBILIZADO POR LANDSCHAFTSPARK, 2014.

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1985 - Fechamento da fábrica.

1988 - Exposição Internacional da Construção do Parque Emscher (IBA). O lugar é adquirido pelo governo e adiciona a área à lista de projetos do plano. 1989 - Concurso Internacional de propostas de Arquitetos Paisagistas para a região. 1991 - Prof. Peter Latz de Kranzberg vence o concurso e é encarregado com o planejamento e realização do parque.

1994 - Primeira parte do parque é aberta ao público. 1997 - Fundação do Parque Duisburgo Norte GmbH

2001 - Abertura do centro de visitantes e do restaurante na central de energia. Abertura de um Hostel da Juventude um centro de treinamento no prédio da antiga administração.

2003 - Conversão do Complexo da casa de resfriamento e casa de moldagem em um espaço multi-funcional.

2009 - Conversão das instalações de iluminação em tecnologia LED para economia de energia.

4.2.2 Conceito e Setorização

Peter Latz, autor do projeto, afirma que começou a desenvolver a proposta escrevendo histórias sobre um falcão rondando uma montanha para assim decidir o que faria com as torres dos fornos. A proposta tem um viés mítico com relação ao organismo industrial que um dia foi “vivo”. Os arquitetos examinaram várias vistas do entorno em desenhos analíticos chamados “projeções” questionando a importância das torres dos fornos para o local como marcos na paisagem e assim integrá-los novamente ao entorno (WEILACHER, 2008, p.106).

Os autores nunca quiseram fazer um plano geral para a área, para evitar que parecesse algo concluído. O projeto aconteceu num processo gradual em que diferentes setores vão surgindo e se integrando ao restante. Assim, surgiram quatro conceitos individuais de parque que foram então sobrepostos novamente.

Existe o “Parque da água” que consiste em canais entrelaçados e no tratamento e alocação de bacias. O “Parque dos trilhos” se utiliza da infraestrutura da linha férrea existente. Vias, rotas de transporte e mais de 20 pontes compoem uma camada por si só, assim como os diferentes campos e jardins, sendo que alguns foram implantados como um contraste à estética industrial (WEILACHER, 2008, p.115).

Os quatro níveis do parque estão conectados entre si visualmente, funcionalmente, através de ideias ou simbolicamente, usando as menores intervenções possíveis e conectando elementos, rampas, escadas, terraços ou jardins (WEILACHER, 2008, p.116).

As formas foram preservadas quase que completamente, sem descaracterizar a informação existente. Tudo foi cuidadosamente complementado por outras camadas. Latz afirma que o objetivo foi tirar os elementos da sua totalidade e entender as suas funções originais (FIGURA 53).

FIGURA 53 - A CHAMINÉ ESTÁ EM MEIO AO JARDIM COMO ELEMENTO ESCULTURAL. FONTE: WEILACHER, 2008, P.117.

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NOTAS: ONDE ANTES HAVIA FUMAÇA, AGORA É EXALADO UM NOVO AROMA.

O mesmo fenômeno das chaminés, que exalam perfume ao invés de fumaça, ocorre com a iluminação, pois onde antes havia fogo, hoje existe luzes e cores. Ou seja, as estruturas não deixaram suas funções originais, elas apenas foram substituidas por funções míticas e poéticas (FIGURA 54).

FIGURA 54 - LUMINOTECNIA DO PARQUE FONTE: LANDSCHAFTSPARK, 2014. FOTO DE HORST ZIELSKE.

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NOTAS: CONCEITO DE QUE ONDE ANTES HAVIA FOGO, HOJE EXISTE LUZES E CORES.

Na Piazza Metálica, feita com 49 placas metálicas no piso (FIGURA 55), que era utilizadas para receber o ferro fundido, apresentam marcas do ferro que derretia e que foram deixadas a mostra pelo arquiteto, pela expressividade do material. A praça está rodeada de edifícios industriais, assim como as praças romanas são circundadas por edifícios.

FIGURA 55 - PISO DA PIAZZA METÁLICA. FONTE: LANDSCHAFTSPARK, 2014.

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A água desempenha papel importante no conceito do parque, pois o rio Emscher possui canais que passam por ele, compondo o “Parque da Água”. No começo do século XX, o rio Emscher e seus rios tributários foram redesenhados para coletar a água contaminada utilizada nas fábricas do Vale do Ruhr . O rio passou por severas transformações até que os canais coletores de resíduos foram separados completamente do rio principal (WEILACHER, 2008; LANDSCHAFTSPARK, 2014).

Assim, o projeto em relação ao tratamento com a água foi subdividido em cinco sessões (FIGURA 56): o canal da águas claras (Klarwasserkanal), o dique (Emschergraben), o canal (Emscherrinne), a garganta (Emscherschlucht) e o córrego do rio Emscher (Emscherbach) (LANDSCHAFTSPARK, 2014).

FIGURA 56 - SETORES DO PARQUE DA ÁGUA, A PARTIR DAS DIVISÕES DO CANAL DO RIO EMSCHER. FONTE: GOOGLE EARTH, 2014. EDITADO PELA AUTORA.

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O canal das águas claras desempenhava o papel de coletor de resíduos. Hoje possui áreas de águas profundas e rasas e é possível acessá-lo em alguns pontos. É responsável por coletar a água pluvial que se acumula nos telhados e praças. A qualidade da água é melhorada por uma turbina de vento localizada nas proximidades. A torre possui várias lâminas que desenvolvem um parafuso de arquimedes (FIGURA 57) movido a energia eólica, que transporta a água para um reservatório na torre. A partir desse ponto, a água corre por canos até os jardins para assim regar as suas plantas.

FIGURA 57 - MECANISMO DO PARAFUSO DE ARQUIMEDES E TURBINA DE ENERGIA EÓLICA. FONTE: THEIET, 2014 E LANDSCHAFTSPARK, 2014

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O conceito dos jardins foi baseado nos diálogos entre construído e área livre, entre vegetação controlada pelo homem (FIGURA 58) e vegetação natural, que brota expontaneamente pelo parque. São compostos pelos Jardins de Periferia, Jardim da Sinterização, Jardim das Pedras, os “Jardins dos Fazendeiros” (FIGURA 58). Este último já existia antes da fábrica, pois surgiu próximo do ano 1603, e tinha fortes relações com ela, pois fornecia alimentos. Hoje funciona como uma escola rural ou “fazenda-escola”, onde se aprende princípios de cultivo ecológico.

FIGURA 58 - JARDINS PROJETADOS E “JARDIM DOS FAZENDEIROS” (INGENHAMMSHOF) FONTE: LANDSCHAFTSPARK, 2014.

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Quanto ao setor que envolve a linha férrea, este ainda funciona como transporte e acesso ao parque (FIGURA 59). A locomotiva foi restaurada para este fim. Até o ano passado, as viagens de trem até o parque estavam canceladas. Junto com a ferrovia, as pontes diversas que existem no parque servem para circulação e composições espaciais com a vegetação.

FIGURA 59 - LOCOMOTIVA PARA VISITANTES E PONTES QUE CONECTAM O PARQUE. FONTE: LANDSCHAFTSPARK, 2014.

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4.2.3 Edifícios

Os edifícios são basicamente as estruturas existentes. Assim a torre de altoforno 5, o galpão de produção de energia, o complexo da aasa de ventilação, a casa de moldagem, o gasômetro, o prédio da velha administração, o prédio da nova administração, o depósito, e a casa da central de administração.

Torre de alto-forno 5

Em torres de alto-forno como a torre 5, os minérios de ferro são fundidos com muitos outros agregados à temperaturas em torno de 2000 graus Celcius para produzir o ferro fundido. Uma torre como essa poderia operar continuamente por dez anos antes que a estrutura interna de alvenaria de tijolos tivesse que ser reajustada.

Somente três torres sobreviveram à demolição e a torre número 5 se transformou em uma torre mirante, sendo apenas uma que já está aberta a visitação, pois pouco antes do fechamento da fábrica, passou por reparos e tornou o trabalho de restauração menos complicado.

Hoje é possível acessá-la através de uma escada de ferro que leva até uma plataforma de visitantes (FIGURA 60), onde é possível se ter uma vista panorâmica da cidade de Duisburg ,do Vale do Ruhr e do Rio Reno (FIGURA 61).

FIGURA 60 - VISTA DA TORRE DE ALTO-FORNO 5. FONTE: LANDSCHAFTSPARK, 2014.

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NOTA: FOTOS DE THOMAS BERNS E FRED RODEWALD.

FIGURA 61 - VISTA DA CIDADE DE DUISBURG A PARTIR DA TORRE DE ALTO-FORNO 5. FONTE: LANDSCHAFTSPARK, 2014.

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NOTA: FOTO DE FRED RODEWALD.

Unidade de produ çã o de energia

A unidade foi construída em 1902 e foi ampliada diversas vezes até 1911, desempenhando a função central em todo o complexo. O edifício abrigava 10 máquinas de grande porte movidas pelo gás produzido nas torres de alto-forno, que eram utilizadas para gerar energia e ventilação para as torres. Alimentava também

as moradias dos trabalhadores que moravam nas proximidades, até 1965. Após a desativação das máquinas, a unidade foi utilizada como depósito até 1987. Como parte do projeto, o galpão foi reformado em 7 meses e convertido em um espaço multi-uso (FIGURA 62) (LANDSCHAFTSPARK, 2014).

FIGURA 62 - UNIDADE DE PRODUÇÃO DE ENERGIA, ANTES E DEPOIS.

FONTE: ARQUIVO THYSSENKRUPP DUISBURG, DISPONIBILIZADO POR LANDSCHAFTSPARK, 2014 .

NOTA: FOTO DE THOMAS BERNS.

Complexo da Casa de Ventila çã o

Esse complexo foi construído em 1902, junto à unidade de produção de energia e a casa de bombas, auxiliando na produção de energia. Foi transformada em um espaço de eventos (FIGURA 63), equipada com 500 assentos, um palco e última tecnologia para produção de eventos (LANDSCHAFTSPARK, 2014).

FIGURA 63 - SITUAÇÃO ANTERIOR E ATUAL DO COMPLEXO DE VENTILAÇÃO, COMO ESPAÇO DE EVENTOS. FONTE: LANDSCHAFTSPARK, 2014. NOTA: FOTO DE THOMAS BERNS.

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Complexo da Casa de Moldagem

Nesse edifício (FIGURA 64), o ferro fundido chegava diretamente da base dos altos-fornos e caia sobre o chão a prova de fogo e revestido com areia de moldagem, para se transformarem em lingotes de ferro. Os lingotes eram resfriados, amarrados e depois transportados para futuro processamento. Hoje é utilizada para eventos ao ar livre e contém assentos para mil visitantes, que em caso de chuva, são protegidos por uma cobertura móvel e transparente (LANDSCHAFTSPARK, 2014).

FIGURA 64 - SITUAÇÃO ANTERIOR E ATUAL DO COMPLEXO DA CASA DE MOLDAGEM. FONTE: LANDSCHAFTSPARK, 2014.

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NOTA: FOTO DE JÜRGEN DREIDEN.

Gas ô metro

Esta estrutura, na produção do ferro fundido servia como reservatório para o gás que era produzido nas torres de alto-forno, como resultado natural da produção. O gás, então liquefeito, era utilizado como energia para as máquinas da unidade de produção de energia. O gasômetro pode ser comparado a um jarro cheio de água em que um segundo jarro é colocado por cima. Assim, o gás liquefeito podia correr por um cano acima da água, através de pressão (LANDSCHAFTSPARK, 2014).

Hoje, seu uso foi transformado em um dos pontos mais impressionantes do parque: um centro de mergulho (FIGURA 65). Com uma profundidade de 13 metros, um recife e um barco naufragado artificiais, um mundo subaquático foi criado para entreter os visitantes.

FIGURA 65- SITUAÇÃO ANTERIOR DO GASÔMETRO E MERGULHADORES ADENTRANDO O ATUAL CENTRO DE MERGULHO. FONTE: LANDSCHAFTSPARK, 2014.

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NOTA: FOTO DE TAUCHGASOMETER GMBH.

Pr é dio da velha administra çã o

Este edifício servia como entrada principal desde 1907 e também abrigava o departamento financeiro e a sala de reuniões, sendo ampliada diversas vezes até 1950. Após o fechamento da fábrica, o edifício serviu como base para o Centro de visitantes, porém foi transformado em um Hostel da Juventude (FIGURA 66), com 140 vagas de hospedagem .

FIGURA 66 - INTERIOR E EXTERIOR DO HOSTEL. FONTE: LANDSCHAFTSPARK, 2014.

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Dep ó sito

Criado em 1902, o depósito foi um dos primeiros edifícios da fábrica, em arquitetura Art Deco. Foi o primeiro a ser restaurado também, servindo de abrigo aos arquitetos quando o parque estava em construção. Hoje é um museu da história da fábrica e da fundição de ferro, servindo também funções comunitárias (LANDSCHAFTSPARK, 2014).

Casa da central de controle de energia

Após o fechamento da unidade de produção de energia, a central de controle de energia foi construída em 1960, recebendo alimentação energética da rede pública. Com a criação do parque, este edifício atua como centro de visitantes e restaurante.

4.2.4 Conclusões

O Parque Duisburgo Norte é um exemplo em grande escala do que pode ser feito com a paisagem pós-industrial, pois atrai visitantes do mundo todo. Existe a ressalva da localização, pois fica na Alemanha, um país altamente industrializado, e também do tipo de usuários, que diferem do público brasileiro em diversos aspectos, além do clima ser bastante diferente. As técnicas de restauração e conceituais utilizadas são bastante úteis para a área de intervenção, que contem estruturas industriais abandonadas, de porte menor, mas que poluem o meio ambiente e são uma barreira na integração urbana.

O tipo de vegetação utilizada não foi analisado especificamente, pois são espécies nativas daquela região e não seriam de grande utilidade para o objeto de estudo. No entanto, o tratamento dado aos jardins, de forma a sempre contrastar o que é criado pelo homem e o que é natureza, são conceitos interessantes. Assim como o homem domestica a natureza, a máquina também é domesticada, pois já foi concebida para esse fim. Ao trabalhar com jardim geométricos lembrando o estilo de jardim francês, o autor faz sempre este contraponto, entre natureza e ambiente construído.

Outro ponto interessante e que não foi alvo de análise específica é a iluminação do parque, que além de mais um atrativo turístico, poderia contribuir para a segurança do parque. Estruturas industriais tão significativas, sem a devida iluminação podem causar efeito negativo à noite, ao criar espaços escondidos. O projeto de iluminação foi desenvolvido pelo designer de iluminação inglês Jonathan Park e procura enfatizar as formas fabris existentes, pricipalmente as de produção, como as torres de alto-forno. Os caminhos também são iluminados de forma artística e funcional.

O parque é aberto 24 por dia, assim como o parque da Greenway nos Estados Unidos. O próprio arquiteto paisagista diz estar fundado no conceito de que o parque seria livre e acessível a todos, 24 horas por dia e 7 dias por semana, até mesmo no Natal. Uma infraestrutura tão grande e com tantos serviços, como museus, recreação, esportes radicais, fez que muitos usuários se sentissem na obrigação de pagar pela visitação, apesar de o parque ser inteiramente gratuito. Os administradores do parque apoiavam a ideia de se cobrar uma taxa de visitação, porém os idealizadores do projeto mantiveram o posicionamento conceitual de que o parque devia ser acessível a todos e isto não foi mudado, o que fascina muitos visitantes estrangeiros (WEILACHER, 2008, p. 131).

Pode-se dizer que o tratamento dado à água, que anteriormente não passava de um canal de concreto com água contaminada, hoje desempenha papel central no parque com água limpa e quase que totalmente recuperada. A divisão do canal em setores também é um agente facilitador de como trabalhar a linguagem do parque, pois cada trecho tem uma linguagem diferente.

Por fim, o fato de que as estruturas existentes continuaram a desempenhar a função que outrora tiveram, mas de maneira sustentável e conceitual, é o ponto mais forte do projeto. A piso da praça que antes recebia o ferro fundido e hoje servem de piso para uma praça, as luzes que entraram no lugar do fogo que existia na fábrica, as flores que emanam perfume próximas das chaminés que exalavam fumaça e o rio coletor de resíduos, que agora coleta água da chuva, são exemplos de mínimas intervenções possíveis mas que mudam completamente a paisagem.

4.3 PARQUE SÃO LOURENÇO – CURITIBA – BRASIL. 1972

O Parque São Lourenço é uma área livre de uso público localizado à rua Mateus Leme, no bairro São Lourenço em Curitiba (FIGURA 67). O parque conta com uma área de 203.928 m² e foi implantado no ano de 1972. Surgiu no momento o discurso ambiental ganha força no meio político. Assim como outros parques na cidade, o São Lourenço surgiu como regulador de vazão e amortecedor de cheias às margens do rio Belém, dificultando enchentes no centro da cidade (ANDRADE, 2001, p. 46; SEMA, 2014)

FIGURA 67 - LOCALIZAÇÃO DO PARQUE SÃO LOURENÇO FONTE: GOOGLE EARTH, EDITADO PELA AUTORA, 2014.

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4.3.1 Histórico

O Parque São Lourenço surgiu a partir da década de 1970, como forma de conter as cheias do rio Belém. O terreno tem passado industrial, que deu origem às instalações arquitetônicas do lugar.

A primeira instalação industrial que ocorreu na região foi o curtume Boutin, no início do século XX, que mais tarde viria a ser fábrica de fertilizantes, junto com uma fábrica de cola, contribuindo nos primeiros focos de poluição do rio. A poluição piorou na década de 1950, com o aumento populacional e a falta de sanemento básico compatível com esse aumento (PREFEITURA, 2014).

Em 1970, houve um acidente com a represa do São Lourenço, pertencente a fábrica de adubos que acabou inundando toda a região. Após este episódio, foi implantado o parque no local. O Parque São Lourenço foi financiado pelo Banco Nacional de Habitação e foi um dos primeiros parques a serem implantadados após o Passeio Público, primeiro parque público de Curitiba. Com o São Lourenço e outros parques que surgiram na mesma época, surgiu um padrão de produção de parques, onde estes eram feitos às margens de rios que possibilitavam a criação de lagos (ANDRADE, 2001, p.48).

4.3.2 Setorização e Programa de Necessidades

Basicamente, o Parque possui áreas de recreação passiva e ativa, áreas de preservação permanente, áreas de contemplação, edifícios para atividades culturais, circulação através de pistas de circulação compartilhada em alguns trechos e outros exclusivos para pedestres, quadras de esportes, pista de rolimã, estacionamentos, biblioteca, espaços administrativos e para manutenção (FIGURA 68). (PARQUES, 2014).

FIGURA 68 - CROQUI DO PROGRAMA DE NECESSIDADES DO PARQUE SÃO LOURENÇO. FONTE: PARQUES, 2014.

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O programa de necessidades do parque é composto por (FIGURA 68): 1. Centro de Criatividade: Neste edifício antiga fábrica de cola, estão disponíveis para a população sala de leitura, um atelier de artes e ofícios, um auditório e um espaço de exposições. 2. Teatro Cleon Jacques 3. Biblioteca 4. Administração 5. Casa Erbo Stenzel: além de abrigar exposições, acolhe o acervo e documentação do escultor, gravador, impressor, desenhista e professor paranaense Erbo Stenzel. 6. Estacionamento 7. Cancha esportiva 8.Pista de rolimã 9.Pista de caminhada e ciclovia (FIGURA 69) 10. Lago 11. Área de acesso restrito 12. Atelier de Escultura 13. Sede de manutenção / sanitários / Guarda Municipal 14. Churraqueiras 15.Chaminé. (PARQUES, 2014).

FIGURA 69 - PISTA DE ROLIMÃ E PISTAS DE CAMINHADA. FONTE: PARQUES, 2014.

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4.3.3 Vegetação e Fauna

A vegetação do parque é composta por espécies nativas e exóticas. Em um capão de floresta nativa coexistem aroeiras, araçás, alfeneiros, estremosas, prinheiros-bravos, canelas, paus-de-bugre e pitangueiras. A vegetação nativa é bastante similar a vegetação da área do objeto de estudo.

Segundo estudo de Biondi e Muller (2013, p. 73 - 78), que analisou as especies vegetais dos parques de Curitiba, existem no parque São Lourenço 69 espécies arbóreas e o maior número de famílias arbóreas, contabilizando 37 famílias. Neste levantamento, somente as árvores introduzidas no tratamento paisagístico foram contempladas no levantamento florístico. Os autores afirmam haver predominância de Tipuana tipu (tipuana) (FIGURA 70) no Parque Parque São Lourenço e que pode ser devido à alta produção de mudas dessas espécies na década de 70 pela Prefeitura de Curitiba, coincidindo com a época de criação do parque. Afirmam ainda que o parque possui 13 espécies exóticas, que podem ser derivadas da influência do uso e ocupação do solo anterior à sua criação.

FIGURA 70 - EXEMPLAR DE TIPUANA TIPU. FONTE: TORBAY, 2014.

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No total, o parque possui 18 espécies nativas do Brasil, totalizando 225 indivíduos; 30 espécies nativas de Curitiba, totalizando 564 indíviduos; 13 espécies exóticas, contabilizando 158 indivíduos; e 8 espécies invasoras, que somam 63 indivíduos. Abaixo, segue uma tabela com as espécies vegetais encontradas no Parque São Lourenço, classificadas como nativas, nativas de Curitiba e exóticas (TABELA 2) (BIONDI; MULLER, 2013, p. 77):

TABELA 2 - ESPÉCIES DE ÁRVORES PRESENTES NO PARQUE SÃO LOURENÇO, CLASSIFICADAS POR NATIVAS DE CURITIBA, DO BRASIL, EXÓTICAS E EXÓTICAS INVASORAS.

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FONTE: ELABORADA PELA AUTORA, COM BASE EM BIONDI E MULLER, 2013.

Quanto a vegetação pode-se concluir que existe grande número de espécies nativas. Isso se deve em partes a linguagem utilizada no parque, que segue a linha do paisagismo moderno e contemporâneo. No paisagismo moderno, procura-se criar espaços que se identifiquem com a paisagem local, além de apelo nacionalista e de preservação de ecossistemas locais (MACEDO, 1999; BIONDI; MULLER, 2013).

Outro aspecto interessante do parque é a fauna existente, composta por preás, roedores silvestres, morcegos, socós, biguás, gambás, pintassilgos, pica- paus, corujas, gaviões, tico-ticos (FIGURA 71), galinhas-de-angola, quero-queros, saracuras, e outros animais implantados pela prefeitura, como patos e ovelhas. Estas últimas, segundo a SEMA, até 2009 contituiam um rebanho de 11 animais, e tem a função de aparar o gramado, desde 1980. As ovelhas por estarem fora de seu habitat natural e por serem animais dóceis, acabam atraindo turistas (PARQUES,2014).

FIGURA 71 - OVELHAS E TICO-TICOS DO PARQUE SÃO LOURENÇO. FONTE: PARQUES, 2014 E CRIATORIOJC, 2014.

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4.3.4 Conclusões

O Parque São Lourenço, por ser um parque local e com características climáticas, vegetais e de fauna semelhantes às do objeto de estudo, se mostra uma referência no sentido de uso das espécies vegetais. Além disso, o fato de existir vestígios de paisagem pós industrial, como no caso da fábrica de fertilizantes e a fábrica de cola, auxiliam na análise da paisagem do local de estudo, que também apresentava atividade industrial de pequeno porte.

Quanto ao acesso ao parque e ao perfil populacional de usuários, apresenta características positivas, como infraestrutura comunitária e disponível para todos, assim como acesso ilimitado às dependências do parque, 24 horas por dia, assim como os dois outros casos analisados.

Em relação a forma do parque, este se fecha sobre si mesmo em um lago e tem caráter estrutural para a contenção de enchentes, o que de certa forma contribui na análise de possibilidade de soluções para esse problema. Quanto aos animais, apesar de as ovelhas estarem fora de seu habitat natural e possuirem uma “função”, a iniciativa foi válida e resultou em algo positivo, ao atrair turistas para o lugar.

5 DIRETRIZES PROJETUAIS

Como objetivo final deste trabalho, a partir dos conceitos abordados e da análise de correlatos que formaram referencial metodológico, conceitual e técnico, elabora-se diretrizes para o anteprojeto de um parque urbano na bacia hidrográfica do Arroio Olarias em Ponta Grossa, como forma de colaborar na preservação das suas águas.

Parte deste capítulo é a delimitação da área de intervenção, assim como a definição do programa de necessidades e setorização preliminar para o parque. É feita a análise em escala do lugar, especificamente da área de intervenção e suas potencialidades paisagísticas. Para tanto, determina-se metodologia para a proposta, que leva em consideração a fundamentação teórica, técnica e conceitual até aqui explorada.

5.1 ANÁLISE E DELIMITAÇÃO DO TERRENO

A partir deste item, delimita-se o recorte de intervenção (FIGURA 72), com as devidas justificativas para implantação de um parque na região, a partir de análise sensorial e levantamento in loco da situação atual da área.

FIGURA 72 - RECORTE PROPOSTO PARA ÁREA DE INTERVENÇÃO FONTE: A AUTORA, 2014

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O área escolhida para elaboração de projeto do parque, faz parte das cabeceiras da Bacia Arroio Olarias, a qual é subdividida em 14 micro bacias pela Sanepar. A partir dos resultados do programa de despoluição das águas da bacia, referenciado no ítem 3.3, constatou-se que as cabeceiras do arroio apresentam altos níveis de poluentes. Estes poluentes são oriundos da proximidade com o centro da cidade assim como a grande quantidade de assentamentos irregulares e depejos de esgotos clandestinos na área.

O sistema viário da região (FIGURA 73) tem vários pontos de descontinuidade, sendo que os moradores do entorno utilizam pedaços de madeira para atravessar o rio e assim terem acesso à linha de transporte público. Atualmente, a classificação viária na área de intervenção envolve vias locais, e uma via perimetral.

FIGURA 73 - SISTEMA VIÁRIO MUNICIPAL DE PONTA GROSSA COM BASE NO PROJETO DE LEI DE SISTEMA VIÁRIO DO PLANO DIRETOR.FONTE: PLANO DIRETOR DE PONTA GROSSA, 2004.

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De acordo com o plano diretor, as diretrizes viárias previstas para a região (FIGURA 74) contemplam a criação de um eixos viários central, leste, nordeste, noroeste, sudoeste e sul, a transformação da via perimetral em uma via coletora e a criação de mais uma via coletora para conexão com o centro. Outras alterações de hierarquia viária também são previstas e possuem efeito direto em toda a malha viária.

FIGURA 74 - SISTEMA VIÁRIO PROPOSTO PARA PONTA GROSSA. FONTE: PLANO DIRETOR DE PONTA GROSSA, 2004.

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Quanto às habitações irregulares existentes à margem do curso d’água (FIGURA 75), a solução adotada procurou evitar medidas drásticas e respeitar a condição de desigualdade social que hoje enfrenta-se no país. O Plano Diretor Municipal e o Código Florestal Brasileiro, entendem que às margens de cursos d’água com menos de 10 metros de largura, como é caso da área de intervenção, a faixa de preservação permanente deve ser de no mínimo 30 metros. No entanto, conforme a Seção IV da Resolução nº 369/2006 do CONAMA, em casos de regularização fundiária sustentável da área urbana, esta faixa de preservação pode ser reduzida para 15 metros:

“Art. 9º. A intervenção ou supressão de vegetação em APP para a regularização fundiária sustentável de área urbana poderá ser autorizada pelo órgão competente, observando o disposto na Seção I desta disposição além dos seguintes requesitos e condições:

I) ocupações de baixa renda predominantemente residenciais;

II) ocupações localizadas em área urbana declarada Zona de Interesse Social - ZEIS no Plano Diretor ou outra legislação municipal; IV) localização exclusivamente nestas faixas de APP:

a) Nas margens de curso de água e entorno de lagos, lagoas e reservatórios artificiais (...), devendo ser respeitada faixas mínimas de 15 m para cursos de água de até 50 m de largura e faixas mínimas de 50 m para os demais. (...)”

A legislação apresenta ainda ressalvas à regularização de comunidades em áreas consideradas de risco, não se pode afirmar neste trabalho se a área é de risco ou não sem um estudo prévio específico da área onde estão alocadas as famílias. Dessa maneira, optou-se por utilizar a margem de 15 m a partir do leito do curso de água e de 50 m em torno da nascente, para definir as áreas irregulares e a serem desapropriadas. Partindo dessa premissa legislativa, levou-se em consideração que a ocupação da área é exclusivamente residencial, possui infraestrutura viária, e possivelmente já tenha sido consolidada antes de 10 de julho de 2001, quando a Lei Federal nº 10.257 - Estatuto da Cidade foi criada.

FIGURA 75 - OCUPAÇÕES IRREGULARES NA ÁREA DE INTERVENÇÃO FONTE: PLANO DIRETOR DE PONTA GROSSA, 2004. MAPA EDITADO PELA AUTORA, 2014.

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Como justificativas para a escolha da área, podem ser selecionadas três principais. A primeira delas é a fragilidade sócio-ambiental das cabeceiras do arroio Olarias, devido a pressão por ocupação de habitações irregulares, que pode ser controlada através da implantação de um espaço público de lazer; a falta de saneamento básico adequado e a poluição do centro urbano.

A segunda justificativa é a carência de espaços livres de lazer para toda a população no núcleo urbano de Ponta Grossa, principalmente para a parcela populacional de baixa renda, que não possui acesso ao lazer na área rural ou em clubes privados.

A terceira justificativa é a necessidade de revitalização de espaços subutilizados no meio urbano, devolvendo-os à cidade como forma de lazer e integração tanto da malha viária como do espaço urbano. A área abrange terrenos subutilizados, entre eles um vazio urbano utilizado como depósito de entulhos e uma área industrial abandonada (FIGURA 76), que apresenta perigo para a população do entorno, tanto em relação ao abandono do local que gera insegurança, e devido também a resíduos remanescentes da atividade industrial. Existem relatos de moradores sobre uma área por eles nomeada de “poço”, onde possivelmente eram despejados óleos e outros resíduos industriais e que hoje continuam sem tratamento, e pode ser relativamente profundo. Sendo assim, o local constitui um brownfield.

FIGURA 76 - VAZIO URBANO UTILIZADO COMO DEPÓSITO DE ENTULHOS E ÁREA DA FÁBRICA ABANDONADA. FONTE: A AUTORA, 2014.

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Mais especificamente sobre a área industrial abandonada , esta ainda possui edifícios (FIGURA 77) que podem ser utilizados para atividades de lazer quando restaurados. A partir dos conceitos de Latz em Duisburgo, é possível fazer menção ao uso industrial que ali existia de maneira conceitual. Tomando como exemplo genérico, os silos de cereais que antes abrigavam sementes, na proposta do parque, poderiam abrigar pessoas, através de um teatro ou um centro cultural.

FIGURA 77 - VISTAS DE ELEMENTOS REMANESCENTES DA ÁREA DA INDÚSTRIA ABANDONADA. FONTE: A AUTORA, 2014.

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A presença constante de crianças no local (FIGURA 78), que brincam nas áreas livres do terreno e edifícios da indústria é um potencial para o projeto do parque, porém atualmente é uma ameaça, pois a área possui locais perigosos, como o referido “poço”, estruturas que podem desabar, além de valas e túneis de descarga de grãos no subsolo que podem ter acumulado gases, tornando o salvamento de uma criança que cair neste local bastante complicado, como afirmam moradores. O uso da área por parte das crianças e jovens denuncia a carência por espaços de lazer na região.

FIGURA 78 - CRIANÇAS BRINCANDO NOS EDIFÍCIOS E ÁREAS LIVRES NA REGIÃO DO BROWNFIELD. FONTE: PORTAL COMUNITÁRIO PONTA GROSSA, 2012 E A AUTORA, 2013.

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Quanto a infraestrutura disponível na área de intervenção, existe infraestrutura esportiva nas proximidades, que atualmente é de uso público e pertence a uma instituição vinculada à atividade industrial no Paraná (FIGURA 79). Esta infraestrutura é constituída por campo de futebol que é utilizado por times de escolas ou interessados que utilizam o campo para treinamento e que pode ser agregado ao programa do parque. Além disso, existem vias asfaltadas no interior do terreno da indústria, assim como vias pavimentadas no entorno da área.

FIGURA 79 - INFRAESTRUTURA DE CAMPO DE FUTEBOL DE USO PÚBLICO E VIAS ASFALTADAS PERTENCENTES À ANTIGA INDÚSTRIA. FONTE: A AUTORA, 2014.

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O curso de água, que segue por toda a extensão da área, é um dos eixos estruturadores da proposta e apresenta potenciais como composição na paisagem e também como elemento sonoro, pois como já comentado sobre as caracterísitcas das cabeceiras da bacia hidrográfica, nela se formam pequenas cachoeiras. O rio não é largo, pois está próximo da nascente e se faz presente na paisagem através à vegetação ripária (FIGURA 80). Quando descoberto, se mostra degradado e com águas poluídas (FIGURA 81). Acredita-se que a situação pode ser revertida com o devido tratamento e despoluição das águas.

FIGURA 80 - NASCENTE DO RIO E VISTA DA CATEDRAL EMOLDURADA PELA VEGETAÇÃO RIPÁRIA FONTE: A AUTORA, 2014.

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FIGURA 81 - CARÁTER ATUAL DO CURSO DE ÁGUA. FONTE: A AUTORA, 2014

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Como síntese, é possível relacionar as potencialidades, deficiências e condicionantes da área atualmente (TABELA 3):

TABELA 3 - CONDICIONANTES, DEFICIÊNCIAS E POTENCIALIDADES DA ÁREA DE INTERVENÇÃO

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FONTE: ELABORADA PELA AUTORA, COM BASE NO LEVANTAMENTO PRÉVIO E NO PLANO DIRETOR DE PONTA GROSSA, 2004.

O levantamento preliminar e as características sensoriais da paisagem da região são sintetizadas de forma gráfica para melhor entendimento do posicionamento das infraestruturas, hierarquia de vias, e possíveis pontos de conflitos viários. Por diferenças de características, de área e de quantidade de elementos potenciais para o projeto, os mapas síntese foram divididos em quatro áreas (FIGURA 82).

FIGURA 82 - ESQUEMA DE ORGANIZAÇÃO DOS MAPAS SÍNTESE FONTE: GOOGLE EARTH, 2014, EDITADO PELA AUTORA.

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FIGURA 83 - MAPA SÍNTESE 1: PRINCIPAIS USOS, HIDROGRAFIA E OCUPAÇÕES IRREGULARES FONTE: GOOGLE EARTH, 2014, EDITADO PELA AUTORA.

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No Mapa Síntese 1 (FIGURA 83) é possível ver as ocupações irregulares ao longo do rio, onde a vegetação é mais densa, e ao redor da nascente, onde a topografia é bastante íngrime. O uso é exclusivamente residencial e uma via poderia ser conectada, para uso de pedestres.

FIGURA 84 - MAPA SÍNTESE 2 E 3 . FONTE: GOOGLE EARTH, 2014, EDITADO PELA AUTORA.

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Neste trecho (FIGURA 84) se encontra a indústria desativada, com os edifícios que podem ser aproveitados. Os pontos de conflito de pedestres e veículos referem-se a impossibilidade de passagem dos pedestres e ao choque de veículos em alta velocidade e atropelamentos, que podem acontecer devido ao fluxo de veículos e o porte da via, observados no levantamento preliminar (FIGURA 85).

A antiga olaria e a porção do terreno sujeita a alagamentos também se encontram nesta área, separadas do restante por uma via de alto tráfego. Algumas ocupações irregulares podem ser percebidas, porém a pressão por ocupação não parece tão forte quando às margens da parte inicial do rio.

FIGURA 85 - VIA DE GRANDE PORTE E FALTA DE CONEXÃO DE VIAS. FONTE: A AUTORA, 2014.

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FIGURA 86 - MAPA SÍNTESE 4 FONTE: GOOGLE EARTH, 2014, EDITADO PELA AUTORA.

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No trecho compreendido no Mapa Síntese 4 (FIGURA 86), a paisagem muda de caráter, pois se aproxima do centro urbano. O uso residencial continua o predominante, porém existe a presença de grandes áreas livres, devido a proximidade com a faixa pertencente à antiga linha férrea. As vias são mais largas e o fluxo de veículos aumenta. A topografia neste ponto também apresenta altas declividades, o que pode ser entendido como um potencial, devido à vista para os Campos Gerais.

A partir das justificativas para a escolha da área (fragilidade sócio-ambiental das cabeceiras do Arroio Olarias, carência de espaços livres e revitalização de áreas degradadas), é possível definir a seguintes diretrizes projetuais que dão embasamento para a elaboração do programa de necessidades preliminar e articulação para a próxima etapa do Trabalho Final de Graduação:

-Preservar as cabeceiras da bacia hidrográfica do arroio Olarias, que desempenham papel importante na drenagem do centro urbano da cidade e em todo o sistema hídrico do município;
-Conter a pressão por ocupação das margens dos cursos de água no trecho escolhido para intervenção na bacia;
-Oferecer espaço livre de lazer e recreação para a população residente em Ponta Grossa, como forma de melhorar os níveis de qualidade de vida; Revitalizar a área degradada que hoje apresenta ameaça para a população; Recuperar o caráter histórico da área, com relação ao uso da argila como meio de produção;
-Desenvolver programas de educação ambiental através de aplicações práticas e teóricas e públicos váriados;
-Integrar o sistema viário do entorno e prover infraestrutura sustentável tanto para pavimentação, iluminação e drenagem, como também para novos modais de transporte;
-Valorizar as características topográficas da região com composições entre o meio natural e urbano, o que acarreta na valorização do potencial turístico da região e da cidade como um todo, que hoje se mostra desarticulado e desvalorizado;
-Estimular a prática de atividades físicas através da piscina olímpica, pistas de corrida, quadra poliesportiva e campo de futebol;
-Estimular o empreededorismo na população ao fornecer subsídios de produção de artefatos de argila, cerâmica e porcelana, e instruções a partir de projetos afins e oficinas educativas;
-Utilizar espécies nativas de vegetação e propor plano de manejo e controle de espécies invasoras;
-Contribuir na articulação do espaço urbano de Ponta Grossa, em termos de infraestrutura, espaços livres e uso do solo;
-Preservar as vistas dos campos gerais e do centro urbano, que são potenciais da área de intervenção;
-Oferecer locais de apoio ao cidadão, como postos de saúde, biblioteca, e áreas para eventos.

As diretrizes apresentadas são de abrangência local e municipal e preveem um público alvo variado. Por esse motivo, podem ser acresecentadas diretrizes no decorrer da segunda etapa do Trabalho Final. A premissa que se segue é o desenvolvimento sustentável do município e o aumento dos índices de qualidade de vida da população como um todo.

5.2 PÚBLICO ALVO, SETORIZAÇÃO E PROGRAMA DE NECESSIDADES PRELIMINAR

Neste subcapítulo são definidos público alvo, setorização e um programa de necessidades preliminar para um parque urbano. Entende-se por público alvo toda a população de Ponta Grossa, principalmente a parcela de baixa renda, que não tem acesso aos parques na área rural e nem aos clubes privados e suas sedes campestres.

Quanto à setorização (FIGURA 87), de acordo com os casos estudados, os setores foram definidos por trechos ao longo do rio e também de conforme o caráter de cada setor. Neste caso, foram definidos quatro setores, de acordo com a densidade de vegetação, padrão de ocupação, infraestrutura existente, e topografia: Setor de preservação das Nascentes, Setor Comunitário, Setor Esportivo e Setor Contemplativo e Wetlands. Esta é uma divisão preliminar e de acordo com levantamento definitivo podem vir a ser expandida, ou outros setores podem ser acrescentados.

FIGURA 87 - SETORIZAÇÃO PRELIMINAR DO PARQUE. FONTE: A AUTORA, 2014.

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O setor de preservação das nascentes abrange as áreas de ocupação irregular, que devem ser realocadas conforme programa específico da Prefeitura Municipal. Estas áreas possuem declividade assentuada em alguns trechos, portanto, prevê-se trilhas interativas, com áreas de descanso e contemplação, como mirantes.

O Setor Comunitário, com baixa declividade, contém a área industrial a ser revitalizada e convertida em equipamentos para a população como o auditório, sala de aula de dança, praças, quadra poliesportiva coberta, oficina de produção de argila, entre outros que serão definidos conforme levantamento definitivo.

O Setor esportivo, por apresentar baixa declividade, abriga os equipamentos para a prática de esportes, como a pista de skate, o campo de futebol e quadra poliesportiva descoberta. O campo de futebol existente se encontra neste setor.

No Setor Contemplativo e de Wetlands, existe bastante vegetação a ser preservada, portanto seria como uma estação de preservação ecológica, além de abrigar uma antiga olaria descaracterizada. O uso de wetlands é justamente porque o local apresenta cotas mais baixas e está sujeito a alagamentos.

Para determinação do programa de necessidades, optou-se por atender as seguintes funções: recreação, prática de esportes, transporte, educação ambiental e de ofícios, serviços comunitários, infraestrutura de apoio, comunicação visual, administração, circulação, sustentabilidade (compostagem, horta comunitária, controle da qualidade da água e enchentes, controle de espécies vegetais), contemplação e descanso, atividades ao ar livre e em ambientes fechados e áreas para eventos. Para cada função foram definidos os devidos tipos de equipamentos e mobiliário (TABELA 4):

TABELA 4 - PROGRAMA DE NECESSIDADES PRELIMINAR

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FONTE: A AUTORA, 2014.

Para atender a este programa, propõe-se a utilização de vegetação nativa em diversos extratos vegetais e pavimentação de baixo impacto ambiental, que atenda a demanda de uso. Os edifícios existentes devem passar por restauração e demolição em alguns casos, quando o estado de conservação não seja compatível com o custo de restauração e também com os usos propostos para a área.

O recorte a ser detalhado no anteprojeto do parque urbano, na próxima etapa deste trabalho final de graduação, se enquadra na área compreendida pelo Mapa Sintese 2, pois contém elementos significantes para o projeto de todo o parque, como o campo de futebol, a topografia plana, o córrego, a indústria desativada e grandes áreas livres. O recorte (FIGURA 88) terá aproximadamente 115.000 m², de um total de aproximadamente 420.000 m².

FIGURA 88 - RECORTE PARA DETALHAMENTO FONTE: GOOGLE EARTH, 2014, EDITADO PELA AUTORA.

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Como já explicitado, a área é carente de infraestrutura de saneamento básico. Dessa forma, entende-se que projetos complementares são necessários, como obras de implantação de coleta e tratamento de esgoto, um plano de monitoramento de qualidade da água, e projetos geométricos de diretrizes viárias.

O partido adotado para essa proposta é de desagregar a área de projeto em diferentes conjuntos, baseados na divisão por aspectos, sendo que cada aspecto envolve o todo. Neste caso, entende-se que os três principais elementos para o processo de projeto são separáveis, ainda que integrados: o lugar, o usuário e o programa. Dessa forma, é possível conformar acessos, eixos de circulação, densidades, usos, conexões desejáveis, topografia e sensações a serem proporcionadas ao usuário em diferentes camadas (LYNCH; HACK, 1984).

A vantagem de se dividir o projeto em camadas se aplica a projetos onde não é possível projetar cada metro quadrado individualmente. Para Latz, espaços públicos e paisagens são feitos de diferentes camadas de informação, que estão dentro ou fora da área de intervenção, e que precisam ser analisadas. A cada camada adicionada, se considera mais uma camada de informação que altera toda a estrutura do projeto. O nível de intensidade de alteração no meio existente é diretamente proporcional ao número de camadas de informação adicionadas. (WEILACHER, 2008, p.26).

O teórico da paisagem e arquiteto paisagista Bernard Lassus compara a paisagem com uma massa folhada, com várias camadas de significados sobrepostos dentro dela. No entanto, Latz afirma, a partir de sua experiência, que uma situação semelhante é bastante rara, devido ao potencial dessas diversas camadas de informação existentes em serem alteradas. Cada nova camada adicionada altera as que já existiam e trazem as suas próprias características (WEILACHER, 2008, p. 26).

Dessa forma, deve-se analisar as qualidades que os elementos históricos e contemporâneos possuem, se já estão completos ou fragmentados, se podem ser completados ou restaurados, ou ainda, se é mais coerente substituí-los completamente por novas camadas de informação.

Se intenta nesta proposta conectar vários níveis no parque, através de símbolos ou de elementos materiais, usando o menor número de intervenções possíveis, ou seja, adicionando o menor número de camadas de informação possíveis. Esta abordagem de menor intervenção possível é válida em relação à característica vulnerável do lugar, que sofre degradação ambiental oriunda de diversas fontes. Com relação às camadas de informação existentes, essas serão analisadas e melhoradas nos aspectos que forem necessários.

6 CONCLUSÃO

A pesquisa aqui finalizada apresenta conceitos, técnicas, metodologias e exemplos de como é possível se trabalhar com a paisagem em áreas de brownfield, de cursos de água, de maneira a devolvê-las à cidade na forma de um espaço livre público de lazer com área significativa e predominância de vegetação, ou seja, um parque urbano.

Buscou-se apresentar uma síntese das características da cidade Ponta Grossa, seus potenciais paisagísticos e a situação em que se econtram os seus cursos de água na malha urbana. Temas pertinentes à ocupação irregular e deficiência do sistema de coleta e tratamento de esgoto são constantes na análise, pois são grandes problemas a serem enfrentados. Com a análise da paisagem peculiar do bairro Olarias, visou-se entender um pouco mais sobre a atividade industrial naquela área e sobre a sua relação com brownfields e o crescimento urbano de Ponta Grossa, aliada à distribuição irregular de infraestrutura.

Entende-se que os objetivos geral e específicos traçados na introdução deste trabalho foram alcançados, através da pesquisa analítica sobre o tema e síntese das informações na forma de diretrizes, conceitos e metodologias a serem empregadas na execução da próxima etapa deste Trabalho Final de Graduação, que consiste no anteprojeto de um parque urbano.

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Details

Title
Urban Park in Ponta Grossa - Paraná: A Bacia Hidrográfica do Arroio Olarias
Grade
89
Author
Year
2014
Pages
139
Catalog Number
V315254
ISBN (Book)
9783668146273
File size
12084 KB
Language
Portugues
Tags
urban, park, ponta, grossa, paraná, bacia, hidrográfica, arroio, olarias
Quote paper
Caroline Oliveira (Author), 2014, Urban Park in Ponta Grossa - Paraná: A Bacia Hidrográfica do Arroio Olarias, Munich, GRIN Verlag, https://www.grin.com/document/315254

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