Rita Lee. A Rebelde Do Rock Brasileiro


Term Paper, 2018
14 Pages, Grade: 15

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Índice

1 Introdução

2 Desenvolvimento
2.1 Biografia
2.2 Rita a ativista
2.3 Rita e a censura durante a ditadura militar
2.4 O gênero musical no repertório de Rita Lee
2.4.1 O rock brasileiro
2.4.2 O tropicalismo
2.5 Análise de canções
2.5.1 Flagra
2.5.2 Lança perfume
2.5.3 Amor e sexo

3 Conclusão

4 Bibliografia

1 Introdução

Rita Lee, a Rainha do Rock Brasileiro é considerada uma das mulheres mais bem sucedidas e influentes do Brasil. A cantora é conhecida por muitas pessoas, dentro e fora do Brasil. Tanto jovens quanto pessoas idosas gostam do jeito único e das músicas da roqueira famosa e corre até o boato na internet que o próprio Príncipe Charles da Inglaterra disse em uma entrevista que Rita Lee era a cantora favorita dele. O fato de sua autobiografia ter sido lançada recentemente remete para a atualidade da sua música e para seu estilo musical atemporal.

A vida extraordinária de Rita e sua aparência fazem com que ela seja uma escolha interessante para este trabalho, de caráter descretivo, que tem o objetivo de discutir possíveis traços característicos de sua personalidade. Para isso, recorre-se à sua autobiografia, fontes de internet, artigos de jornais e análises de suas canções, sendo este o ponto principal.

A grande cantora é abordada em seus aspectos humanos, tais como os seus valores e percepções sociais, e, como o título do trabalho já revela, a rebeldia e a particularidade dessa mulher constituem o interesse primário deste texto presente.

Ele se divide em cinco partes principais: em primeiro lugar, apresenta-se brevemente a biografia da artista em foco; em seguida, trata-se de aspectos sociais da vida da artista que são também trabalhados em sua música para permitir uma melhor impressão sobre a sua personalidade; no tópico seguinte, descreve-se a influência da censura sobre a produção da artista, para traçar sua maneira de compreender a liberdade; na sequência, apresentam-se brevemente o rock brasileiro e o tropicalismo, dois gêneros musicais dos quais a cantora fez parte; e, segue-se, por fim, a análise de três canções famosas da artista que abordam, entre outros pontos, o feminismo e a ditadura, ou, ainda, a sexualidade, um outro tema provocador.

Na conclusão, serão resumidas e apresentadas as qualidades dessa mulher extraordinária. Ao mesmo tempo, será verificado se a tese de que Ritta Lee pode ser considerada uma interprete rebelde se confirma, e por que, a partir dos elementos analisados no desenvolvimento deste trabalho.

2 Desenvolvimento

2.1 Biografia

Rita nasceu no dia 31 de dezembro de 1947. Ela é a filha mais nova de Charles Jones, descendente de imigrantes americanos e Romilda Padula, filha de italianos (Costa Mota, 2012). A cantora e compositora de São Paulo é considerada uma das representantes mais importantes do Rock Brasileiro (Frazão s.d.). Apesar de ter sofrido uma violação, Rita vivenciou uma infância feliz com os pais e as irmãs dela. No capítulo Desvirginando de sua autobiografia, a paulista descreve de maneira pragmática essa violação que ela sofreu na infância:

Quando voltou, me encontrou sozinha no mesmo lugar, olhando petrificada para o cabo de uma chave de fenda enfiada fundo na minha vagina, de onde escorria uma gosma vermelha. O filho da puta do técnico fez aquilo e sumiu do mapa. Foi o grito alucinante da minha mãe que me tirou do torpor e, vendo ela se desesperar, eu abri o mó berreiro também (Lee, 2017, 20).

Isso aconteceu na idade de seis anos (Lee, 2017, 71). Já muito cedo, Rita descobriu o amor à musica e teve aulas de piano com o maior pianista do momento (Lee 2017, 48). Além disso, ela frequentou a escola francesa “Liceu Pasteur” na qual aprendeu, entre outras línguas, o francês. Rita era uma aluna muito esperta e agitada de modo a ter que passar muito tempo fora da sala para não perturbar as aulas conversando (Lee, 2017, 56-59).

No ano 1966, formou a banda “Os Mutantes” com os irmãos Arnaldo e Sérgio Baptista.

Em 1968, “Os Mutantes” acompanharam Caetano Veloso na apresentação da canção É Proibido Proibir. A banda se tornou muito bem sucedida no âmbito do rock brasileiro e “(…) participou do disco-manifesto ‘Tropicália ou Panis et Circensis’ e dos discos de Gilberto Gil e Caetano Velosoem 1968” (Frazão, s.d.).

Build up é o nome do primeiro disco solo de Rita gravado em 1970. No mesmo ano, o grupo “Os Mutantes” se separaram (Frazão, s.d.). Em 1977, Rita tornou-se mãe e deu a luz ao primeiro dos três filhos dela com Roberto Carvalho, seu parceiro para a vida. Mais dois filhos seguiram em 1979 e 1981 (vide Wikipédia: “Rita Lee”).

No mesmo ano a artista foi presa por uso de drogas (Schumaher, 2000, 480).

Em 2016, Rita lançou sua autobiografia (Frazão, s.d.). Depois do lançamento da autobiografia, em novembro de 2016, a Rainha do Rock publicou, por fim, mais uma obra intitulada “Dropz”, uma reunião de 61 contos (Fibe, 2017).

2.2 Rita a ativista

“Nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda, meu peito não é de silicone, sou mais macho que muito homem” (Lee & Duncan, 2000) é uma estrofe da canção Pagu criticando a imagem da mulher e a encenação das mulheres brasileiras reduzidas a bundas e a peitos artificiais. Convivendo em uma casa dominada por mulheres, Rita fala, em sua autobiografia, de um harem (Lee, 2017, 32). Pode ser que essa hegemonia feminina em casa tenha tido influência sobre a percepção de Rita acerca do papel das mulheres na sociedade. Rita via a mulher, pelo menos em casa, como parte da sociedade, como alguém que tem os mesmos direitos que os homens, e, na vida adulta, se compromete com os seus direitos em atividades em prol das mulheres, assumindo, em várias de suas músicas, uma postura feminista.

O jornalista Raphael Vidigal descreve Rita Lee como a compositora com o maior número de músicas ligadas ao feminismo do Brasil. Nas canções dela, Rita tematiza regularmente ícones feministas da cultura brasileira (Vidigal, 2016). Assim, ela aplaude mulheres famosas como Elvira Pagã, uma vedete escandalosa dos anos 1930, que lutava por seus direitos e liberdades em um país machista (Vidigal, 2016), ou a dançarina, naturalista e precursora do feminismo Dora Vivacqua, nascida no Espirito Santo, melhor conhecida pelo nome artístico Luz del fuego (Haddad, 2017). A dançarina capixaba personificava a mulher sucedida e feminista totalmente entre outras razões, por causa de sua atuação nua em um filme e o lançamento do romance autobiográfico Trágico Black-Out no qual critica o casamento e descreve fantasias sexuais. Oito anos depois de Luz ter sido morta, Rita Lee publicou a canção Luz del fuego em 1975 (Haddad, 2017).

Além das atividades feministas que a cantora realiza tematizando os direitos e o papel da mulher em suas canções, ela se engaja também contra os maus-tratos aos animais (Astuto, 2017). Rita chama a atenção, em público, para crueldades como o rodeio, por exemplo, que deveriam ser repensadas, e idealmente, interrompidas. Em uma entrevista com a Folha de São Paulo, Rita enfatiza, porém, que ela não tem interesse em se aproveitar de seu ativismo para comercializar a sua arte na mídia. Na mesma entrevista, acusa o cantor de sertanejo Zezé Di Carmargo, entre outros, de apoiar o rodeio (Mattos, 2005).

“Tenho vasto material comprovando os maus-tratos que acontecem nos bastidores desses eventos. Se Zezé conhece os abusos e acha normal, sinto muito pela sua ignorância espiritual. Se desconhece, está na hora de conhecer”, acrescenta a cantora, na tentativa de convencer Zezé, já que ele é uma figura pública (Mattos 2005). Aqui mostra-se a vontade de Rita de lutar por um mundo melhor, como uma ativista que se dedica, especialmente, aos que têm mais problemas em se defender em um mundo machista. Nessas atividades, ela manifesta, portanto, um forte sentimento de justiça.

2.3 Rita e a censura durante a ditadura militar

A influência da mídia para a formação da opinião pública é imensa e por isso os regimes ditatórios, como o Brasil entre 1964 e 1985, tentam obter controle sobre esta opinião criada pela mídia. Este controle é muito importante visto que a opinião pública faz parte da estabilidade do poder de um regime. Essa fiscalização sobre as informações pelo governo se chama censura, uma característica da ditadura militar no Brasil (Godinho Corrêa, s.d.).

A partir de 13 de dezembro de 1968, com entrada em vigor do Ato Inconstitucional n.o 5 pelo governo militar do general Costa e Silva, começaram no Brasil os atos de censura, o fechamento do Congresso e várias detenções de cantores críticos, como os tropicalistas Gil e Caetano (Calado, 1996, 153).

A cantora também foi vítima do regime militar que censurou algumas de suas canções. Em 1969, Dom Quixote, uma canção da banda Rita e os Mutantes foi censurada pelo governo. Segundo o coronel Aloysio Muhlenthaler de Souza, a canção critíca o militar do país (Calado, 1996, 147). Não obstante, a icone do rock soube bem driblar a censura, parafraseando conteúdos não desejados pelo regime da ditadura (Gohl, 2015). Rita viveu a época a partir do fim dos anos 1960 da seguinte forma:

Enquanto os bons tempos dos anos 1960 efervesciam no planeta e aqui chegavam com seculos de atraso, os tempos cruéis vinham com precisão de míssil, explodindo diariamente sobre nossas cabeças. (…) [Me] senti ainda mais deslocada no Brasil. Naqueles dias nublados de incertezas e noites ensolaradas de sonhos, minha cigana interior finalmente disse: “Vai, Rita, vista sua guerrilheira do desbum e seja uma porra-louca feliz” (Lee, 2017, 77).

Nesta parte de sua biografia já dá para notar os traços rebeldes da roqueira que inicia uma revolta contra a ditadura de maneira “porra-louca feliz” (Lee 2017, 77). Em 1976, ela ficou presa por um ano por uso de canabis. A detenção não conseguiu, todavia, fazer mudar a sua conduta rebelde e provocadora frente às normas estabelecidas (Schumaher, 2000, 480).

2.4 O gênero musical no repertório de Rita Lee

2.4.1 O rock brasileiro

O rock, como gênero independente influenciado por elementos da música negra, surgiu nos Estados Unidos nos anos cinquenta do século vinte e chegou nos anos sessenta ao Brasil (Pereira, 2017). Elvis Presley e Bill Haley são conciderados os grandes inventores do rock’n’rol1, conquanto, hoje em dia, domine a ideia que o rock’n’roll seja o fruto de uma evolução coletiva, com maiores influências (Pereira, 2017).

Os últimos anos da década de cinquenta e os anos setenta, então, foram fundamentais para o rock se etabelecer na cultura mainstream tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil pela forma predominante chamada de Jovem Guarda. Esse movimento cultural brasileiro também denominado iê-iê-iê popularizou no final dos anos cinquenta pelos precursores Sérgio Murilo, Tony e Celly Campelo (Mello & Severiano, 1998, 17).

Enquanto the Beatles, Jimi Hendrix e the Who desenvolviam o Rock psicodélico e progressivo, Rita e sua banda os mutantes contribuiu, entre outros, para a extenção do rock no Brasil (Pereira, 2017; Frazão s.d.). Em sua autobiografia, a intérprete informa:

Os mutantes nunca foram vendedores de disco nem frequentadores das paradas de sucesso em rádios. Éramos apreciados por nossa esquisitice visual e sonora. Hoje somos considerados cult, mas na época ganhamos o apelido brega de <<os the brasiliãn bítous>> (escrito assim mesmo), (…) afinal, ser fã dos Beatles não significava querer ser os Beatles (Lee, 2017, 108).

Rita expressa assim a sua admiração para essa banda de sucesso, mas revela também sua vontade de criar seu próprio estilo musical recusando ser uma cópia da banda inglesa. A busca pelo seu próprio estilo musical a motivou a conhecer e tentar vários gêneros musicais como a psicodelia durante a época do tropicalismo, o pop-rock, o disco, new age, a MPB, bossa nova e eletrônica. Pode-se, entretanto, deduzir que seu gênero musical principal sempre foi o rock, já que ela é conhecida como Rainha do Rock (Wikipédia: “Rita Lee”).

2.4.2 O tropicalismo

Depois da definição do rock brasileiro segue a do gênero musical chamado de tropicalismo do qual Rita participou, embora não fosse sua principal atuação.

[...]


1 O rock’n’roll é o gênero musical antecendente do rock.

Excerpt out of 14 pages

Details

Title
Rita Lee. A Rebelde Do Rock Brasileiro
College
Justus-Liebig-University Giessen  (Romanistik)
Grade
15
Author
Year
2018
Pages
14
Catalog Number
V461346
ISBN (eBook)
9783668905436
ISBN (Book)
9783668905443
Language
Portugues
Tags
brasilianische Musik, brasilianischer Rock MPB, brasilianische Landeskunde
Quote paper
Mario Henrich (Author), 2018, Rita Lee. A Rebelde Do Rock Brasileiro, Munich, GRIN Verlag, https://www.grin.com/document/461346

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