Gestão de Crise no Mercado de Entretenimento Glocal


Academic Paper, 2021

59 Pages


Excerpt

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO

2 JUSTIFICATIVA

3 OBJETIVOS
3.1 OBJETIVO GERAL
3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

4 REFERENCIAL TEÓRICO
4.1 O ESTADO DA ARTE SOBRE A GESTÃO
4.2 HISTÓRICO DA GESTÃO, PRINCIPAIS TEORIAS E ABORDAGENS
4.3 MERCADO DA GESTÃO E SUAS PRINCIPAIS ÁREAS DE ATUAÇÃO
4.4 O MERCADO DE ENTRETENIMENTO
4.5 GESTÃO DE CRISE NO MERCADO DE ENTRETENIMENTO

5 METODOLOGIA

6 RESULTADOS E DISCUSSÃO
6.1 RESULTADOS DA OPINIÃO PÚBLICA SOBRE O MERCADO DE ENTRETENIMENTO
6.2 GUIA DE BOAS PRÁTICAS PARA A GESTÃO DE CRISE
6.2.1 Quais meios de entretenimento a serem utilizados para gerenciar a crise
6.2.2 Monetização diante ao mercado de entretenimento digital
6.2.3 Imagem da pessoa/empresa diante as mídias digitais
6.2.4 Riscos atrelados ao ingressar no mercado de entretenimento digital
6.2.5 Guia de boas práticas para atuar no meio de entretenimento digital

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

REFERÊNCIAS

ANEXO A - TERMO DE COMPROMISSO DE ORIENTAÇÃO DE TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

ANEXO B - TERMO DE COMPROMISSO DE ORIENTAÇÃO DE TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

ANEXO C - ATA DE ORIENTAÇÃO DE TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

ANEXO D - FICHA DE FEQUÊNCIA DE ORIENTAÇÃO DA MONOGRAFIA

DEDICATÓRIAS

Dedico o presente trabalho de conclusão de curso a quem esteve presente e auxiliou em toda a elaboração do mesmo, as nossas grandíssimas amigas, companheiras, e que sempre se fazem presente em nossas vidas, esta dedicatória e para as nossas mães, pois sem elas não estaríamos aqui.

AGRADECIMENTOS

A Deus principalmente por proporcionar toda as nossas vidas;

Agradeço aos meus pais, por terem proporcionando uma boa vida, uma boa educação, saúde, além de prepararem o caminho para minha chegada até aqui;

Agradeço aos meus orientadores professor Marcelo Mendonça Teixeira e Lígia Costa, que sempre se disponibilizaram, tiveram paciência, e boas intenções a mostrar os caminhos que poderíamos seguir;

Aos nossos amigos que sempre nos apoiaram, e se importaram pelos caminhos que seguíamos, além de sempre ajudarem de diversas formas, desde uma ação simples, até nos momentos mais difíceis;

Aos meus colegas e professores por proporcionarem um bom ambiente de aprendizado, sendo nas aulas ou na vida, sem eles não teria como nos formarmos como profissionais;

Agradeço especialmente a Rodrigo Cavalcanti por disponibilizar ajuda sempre que possível, mesmo realizando diversos trabalhos, o mesmo sempre ajudou de diversas formas possíveis;

A todos aqueles citados ou não, obrigado por incentivarem, e proporcionarem a conclusão acadêmica e o começo das nossas jornadas profissionais.

O sucesso nasce do querer, da determinação e persistência em se chegar a um objetivo. Mesmo não atingindo algo, quem busca e vence obstáculos, no mínimo fará coisas admiráveis

José de Alencar

RESUMO

A crise econômica-sanitária gerada pela pandemia da covid-19 desenvolveu mudanças na vida da sociedade contemporânea, e para conter a propagação do vírus foi estabelecido o isolamento social, desta forma, alternando o modelo de vida de diversas pessoas em todo o mundo, pois as mesmas precisaram adaptar-se a novos hábitos. Diante a essa crise, grande parte das atividades realizadas pelas pessoas precisaram ser transferidas para o modelo remoto para que a população continuasse realizando suas necessidades. Devido ao crescimento das atividades remotas, alguns segmentos obtiveram certo destaque, como o ramo do entretenimento, um exemplo a ser discutido foi o aumento acelerado de lives no Brasil, que bateu recordes em diversas plataformas digitais, fazendo com que muitos artistas musicais pudessem gerir da melhor forma suas carreiras em uma ocasião atípica, pois os mesmos não podiam se apresentarem em eventos presenciais, além disso, diversas pessoas e empresas puderam utilizar o segmento digital para continuarem com seus trabalhos para a venda de produtos e serviços com a finalidade de sobreviver no mercado atual. Portanto, a pesquisa busca demonstrar como o grande mercado de entretenimento pode auxiliar nos momentos de crises, como este mercado está atuando nos dias atuais, quais suas características e as oportunidades que o mesmo pode oferecer. Para relatar sobre o desenvolvimento do segmento do entretenimento, foi realizado um estudo de abordagem qualitativa e exploratório descritiva, norteada por esclarecer a dúvida em relação ao mercado de entretenimento como uma forma de gerenciamento de crise, para tal, fora realizada um questionário online que alcançou 100 respostas no prazo de 2 a 5 de maio de 2021, possuindo o critério de avaliar esse mercado com base na opinião dos entrevistados. No intuito de contribuir para que empresas e pessoas que desejam utilizar os meios de entretenimento digitais como ferramenta de trabalho, o estudo apresentou um guia de boas práticas, que servirá para auxiliar aos leitores a terem conhecimento dos fatores importantes desse mercado e como se comportar as diversidades deste ambiente. O estudo foi realizado no período entre maio de 2020 a junho de 2021.

PALAVRAS-CHAVE: Covid-19, Isolamento Social, Lives, Entretenimento, Crises, Guia de Boas práticas.

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Pintura da batalha de Monte Gisardo

Figura 2 - O cenário ambiental da evolução dos modelos de gestão

Figura 3 - Percentual de crescimento ao ano do consumo digital x tradicional em países comparados, 2019-2023

Figura 4 - Posição do Brasil no Ranking Global de cada segmento

Figura 5 - Picos de audiência em lives de artistas em abril e no fim de maio

Figura 6 - Busca por ‘ live ' no Google no Brasil nos últimos 3 meses

Figura 7 - Guia prático para atuar no meio de entretenimento digital

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Participantes do processo evolutivo da gestão

Tabela 2 - Principais teorias relacionadas ao desenvolvimento da gestão e administração

LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 01 - Média de idade das pessoas que responderam ao questionário

Gráfico 02 - Média de tempo que as pessoas utilizam para se entreter

Gráfico 03 - Meios de entretenimento que as pessoas utilizam

Gráfico 04 - Quais dos dois meios de entretenimento as pessoas tendem a preferir, meio de entretenimento digital ou convencional

Gráfico 05 - Quais características predominam na hora da escolha dos conteúdos

Gráfico 06 - Como seria a vida sem os meios de entretenimento digitais

Gráfico 07 - Opinião pública sobre a capacidade de inovação das mídias

Gráfico 08 - Possibilidade de novos entrantes no mercado de entretenimento

Gráfico 09 - Preferência de modalidade dos eventos

Gráfico 10 - O entretenimento digital pode gerar crises?

1 INTRODUÇÃO

Na contemporaneidade, vivenciamos a necessidade de vencer um novo paradigma baseado em mudanças no contexto e na natureza das mídias de massa, oriundo das transformações da tecnologia midiática e de aspectos políticos, sociais e econômicos que vêm sendo propagados em todo o mundo (PAZ & TEIXEIRA, 2020), especialmente após o surgimento da covid-19. A esse respeito, em analogia a Paz e Teixeira (2020), Ferreira (2017) escreve que no decorrer das décadas a sociedade sempre vem se ajustando com as tendências de consumo da época, não existindo somente uma escolha de um produto ou serviço específico, mas sim uma ampla variedade de opções existentes no mercado, como é o caso do entretenimento. Para o autor, além de lutar pela sobrevivência no meio corporativo, acirrado e de elevados custos, as empresas precisaram desenvolver uma cultura de inovação para se tornarem competitivas.

Justamente, tal necessidade de se manter atualizado e adaptado as novas tendências, as organizações precisam estar cientes de como se comportam, suas metas, seus objetivos, seus recursos, suas necessidades, entre diversos outros fatores em que a constituem, por isso é fundamental possuir uma boa administração, que de acordo com Stadler e Valéria (2012), administrar é tomar decisões sobre recursos disponíveis, financeiros, materiais e humanos, para atingir os objetivos da organização. Levando em conta o que fora dito anteriormente, a administração é um requisito necessário para o desenvolvimento da empresa e de seus colaboradores, desta forma auxiliando no alcance de seus objetivos e metas, através de suas técnicas e recursos disponíveis.

Devido ao crescimento da democratização da Internet e as inerentes mudanças de preferência do consumidor contemporâneo, face ao desenvolvimento tecnológico nas últimas décadas, o mercado de entretenimento pode oferecer diversas oportunidades de negócio, como se faz notório na pesquisa realizada por Mota (2017), na qual identifica que “o mercado de mídia e entretenimento no Brasil tem a expectativa de que o faturamento do setor tenha um aumento de 4,6% ao ano até 2021”. Ainda, segundo a mencionada pesquisa, alguns segmentos se destacam neste crescimento, sendo eles: o de games (crescimento previsto de 17% ao ano); o de publicidade na internet (12% ao ano); e o de vídeos streaming/on demand (9% ao ano). Portanto, é um ambiente que merece atenção quanto ao volume de transações financeiras e de negócios que podem advir desse crescimento constante em todo mundo, idem a necessidade de gerenciamento focado nesses segmentos de mercado.

Por outro lado, existem alguns riscos que são inerentes a essa área (entretenimento), como por exemplo, o presente momento de crise sanitária e econômica global causada pela COVID 19. Na literatura, vemos que crise é uma mudança brusca ou uma alteração importante no desenvolvimento de um qualquer evento/acontecimento, o que justifica a preocupação para com o cenário descrito. Essas alterações podem ser físicas ou simbólicas. Crise, também é uma situação complicada ou de escassez, e pode ser definida de diversas formas como por exemplo uma crise social que afeta a estabilidade da estrutura social ou uma crise econômica que atinge gravemente a economia, ou até mesmo uma crise política que ameaça a estabilidade de governo de um país, independente de qual seja, todas elas causam desordem gerando caos no seu meio, ou seja, é um risco severo, ao qual poderá afetar o mercado e a sociedade (MEIRINHO, 2017).

Na prática, com o cenário global de isolamento social imposto pelos governos em todo o mundo para conter o avanço do vírus, casas de show, bares, peças de teatro, salas de cinemas deixaram de funcionar da noite para o dia, e com isso, viram as suas receitas despencarem. Por isso, se fez necessário que a indústria de entretenimento se reinventasse durante esse período, ainda em curso. Tais mudanças atuaram diretamente na forma como as pessoas se divertem, e aí surgiram, entre outras opções, as lives (ao vivo) na Internet. Sobre o presente panorama, que envolve milhões de pessoas em todo mundo e, particularmente, no Brasil, a pesquisa realizada abordará os impactos na área de gestão de crise no mercado de entretenimento, juntamente com as soluções encontradas pelas empresas. Deste modo, vide a importância de investigação de uma temática de interesse global, procuramos responder a seguinte problemática de pesquisa: “Quais métodos podem ser desenvolvidos e implementados para o gerenciamento de crises no mercado de entretenimento, e quais são os procedimentos para atuar nesse meio?” Na sequência, os tópicos trarão uma abordagem incipiente na literatura sobre um tema ainda em construção na sociedade contemporânea.

2 JUSTIFICATIVA

A proposta do trabalho de pesquisa sobre a gestão de crise no mercado de entretenimento retrata uma imensa contribuição a área da administração de negócios e a própria expansão do e-commerce, tendo em vista que os problemas da covid-19 atingem todas as nações do mundo e bilhões de pessoas que deixam, repentinamente, de se divertir, face as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) pelo isolamento social e confinamento. Assim, considerando as limitações literárias sobre essa temática, são abordados os diferentes modelos de gestão de crise e as melhores opções adotadas para amenizar os impactos da crise na área de entretenimento, se destacando, inclusive, como um guia de práticas para a área de gestão de serviços e de processos. É seguindo essa premissa que o estudo se justifica.

3 OBJETIVOS

3.1 OBJETIVO GERAL

- Analisar a gestão de crise na seara contemporânea para o mercado de entretenimento face as novas perspectivas de atuação no universo virtual.

3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

- Realizar uma descrição do processo sócio histórico na gestão de crise para a área de entretenimento;
- Analisar as novas aplicabilidades da gestão de crise para a área do entretenimento;
- Descrever as tendências globais para a gestão de crise em meio aos canais virtuais de comunicação em massa;
- Contextualizar a gestão de crise no caso brasileiro;
- Apresentar um guia de boas práticas para a gestão de crise.

4. REFERENCIAL TEÓRICO

4.1 O ESTADO DA ARTE SOBRE A GESTÃO

O termo gestão possui uma ampla magnitude de significados dependendo da área ao qual a gestão em si é aplicada, um termo que descreve bem a gestão é introduzido pelo Dicio (2009): “Administração; ação de gerir, de administrar, de governar ou de dirigir negócios públicos ou particulares.” Nesse sentido, conforme abordado por Rodrigues et al. (2014, p. 3): “A palavra gestão nos remete a ideia de gerência, de administrar algo...”, desta forma, fica mais compreensível o que o termo gestão representa, com isto em mente, para a área administrativa a gestão pode ser definida como um conjunto de ideias e ações para determinada pessoa ou empresa com a finalidade de impulsionar o seu desenvolvimento no mercado, este assunto fica evidente na afirmação realizada por GUIMARÃES, et al. (2004, p. 4):

“No campo da administração, o conceito de gestão se aproxima da ideia de gerência e desta forma toma um caráter mais operacional e instrumental ao prevalecer o entendimento de que se trata de uma função organizacional voltada para a coordenação e o controle” Na visão de Lapierre (2005), ao contrário da matemática, das ciências biológicas e ou de outras tantas na literatura, em gestão não há conhecimento científico que possa ser descrito como universal, nem há um conhecimento generalizado que seja aplicável em todas as situações. Ou seja, na área de gestão os conhecimentos e teorias colocadas em práticas podem variar de acordo com a situação e com o contexto, pois cada situação possui suas próprias características. O autor complementa que, não existe uma única forma de gerir, assim como não existe um modelo infalível de organização ou de liderança.

O conceito de gestão por muitas vezes acaba sendo associado a própria administração em si, que apesar de possuírem semelhanças possuem uma abordagem distinta. Seguindo a linha de raciocínio de Dias (2002), o termo gestão e administração são termos parecidos, mas que possuem diferenças na hora de uma aplicação prática, a administração não é simplesmente uma área independente, para ela existir precisam de diversas outras áreas para que se possa realizar a sua ação em si, de coordená-los, orientá-los e dirigi-los, a administração ainda seguindo essas ideias, possuem o propósito mais operacional, seria a ação, as teorias, desde da cabeça da organização até as ações dos funcionários, não necessariamente precisa ser um cargo administrativo para utilizar a administração, as mesmas são apresentadas em diversas áreas, sem necessariamente terem a ver com administração, enquanto a gestão seria observando a empresa e gerindo as suas necessidades em cada área, seria a aplicação dos conceitos, como o mesmo apresenta: “já a gestão, também não é o cargo, ou melhor, seria o imperativo do cargo. Seria a administração, comercial, contabilidade, finanças, seguranças e técnicas, cada qual em sua medida em seu lugar, sempre observando as necessidades onde está inserida” (ibidem, p. 32).

Nesse sentido, o pesquisador Dias (2002) conclui essa discussão sobre administração e gestão apresentando que administração seria o ato de planejar, organizar, dirigir e controlar pessoas atingindo desta forma os objetivos e metas das organizações enquanto a gestão e de uma forma eficiente e eficaz o atingimento dessas metas e objetivos, podemos resumir de uma forma simples que administrar está relacionado as teorias e técnicas enquanto que gerir trata-se de colocar as mesmas em prática.

4.2 HISTÓRICO DA GESTÃO, PRINCIPAIS TEORIAS E ABORDAGENS

A gestão não é um tema recente na sociedade, entre os primeiros relatos da humanidade, foram encontrados indícios da organização dos homens com o intuito de suprir suas necessidades, desta forma, apresentando atividades básicas e seus modos de gerir cada uma delas. (NICKEL et al., 2016):

“Desde os primórdios da humanidade, temos relatos do empenho do homem em se organizar a fim de sobreviver, se proteger, se sustentar e por fim se desenvolver ao longo do tempo. Para isso foi necessário desenvolver-se para gerir desde recursos naturais disponíveis a ele, como também gerir a si mesmo; seus sentimentos, necessidades, anseios e sonhos.”

Portanto, a gestão das atividades básicas tornou-se essencial para o desenvolvimento de recursos básicos em futuros produtos que venham ajudar nos seus processos de coleta e organização, além de desenvolver a capacidade de gerir seus próprios sentimentos e angústias da época. Confirmando o que fora explicado nos parágrafos anteriores, a gestão não se teve origem apenas quando fora confirmada como um tipo de estudo e uma modalidade do mercado, a gestão já era utilizada muito antes de possuir o conhecimento da mesma, essa afirmação é relatada por Colla (2006 p.1):

“Essas organizações influenciaram a maneira como as organizações modernas administram seus interesses visto que objetivos organizacionais desde os primórdios da civilização existem. As organizações familiares influenciaram e influenciam a forma como as empresas são administradas de maneira inconteste e definitiva. As concepções familiares influenciam os administradores e consequentemente a forma como eles administram suas empresas.”

Assim, fica claro que a gestão e a própria administração sempre coexistiram junto com sociedade, mesmo quando não se tinha o conhecimento das mesmas, elas já eram aplicadas nas organizações familiares, assemelhando a algumas estruturas de organizações atuais. Ainda, de acordo com Nickel et al. (2016 p. 2), “a Igreja Católica conquistou através do uso da gestão eclesiástica e também militar, o domínio de um vasto território.” Tornando-se assim referência na história da gestão enquanto domínio territorial.

Figura 1 - Pintura da batalha de Monte Gisardo

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Fonte: Revista Galileu (2019)

A gestão militar é um tipo de gestão que é há muito tempo é vista na história da sociedade em geral, a mesma se faz presente até na atualidade, um livro que descreve muito bem esses pontos é o livro a arte da guerra por Sun Tzu, logo em seus primeiros capítulos ele demonstra como essa gestão funcionava dentro do governo nas épocas de guerras, ele explica a importância da guerra, como pode ser visto no trecho a seguir:

“A guerra é de vital importância para o Estado; é o domínio da vida ou da morte, o caminho para a sobrevivência ou da morte, o caminho para a sobrevivência ou a perda do império, e preciso manejá-la bem. Não refletir seriamente sobre tudo o que lhe concerne é dar prova de uma culpável indiferença no diz respeito à conservação ou à perda do que nos é mais querido; e isso não deve ocorrer entre nós (TZU, p.1)”.

Com isso, podemos assemelhar que mesmo com o cenário do mercado competitivo, a gestão é necessária para as empresas e instituições que desejam se manter “vivas” no mercado, além de explicar diversos outros fatores que são necessários para os gestores, que podem ser associados a sociedade contemporânea.

Nickel et al. (2016) complementa o assunto relacionado a questão da gestão no âmbito militar, quando observadas como uma organização, a mesma é um exemplo de como utilizar a gestão, pois já a utiliza há séculos, sejam nos períodos das grandes guerras históricas, ou nos tempos de paz, demonstrando sempre eficácia em seus serviços, a gestão se apresenta nas estratégias militares por traz de suas operações, como nos serviços prestados pelos mesmos, ao qual as suas vitórias e conquistas surpreendem ao longo das gerações.

Após o grande marco da gestão nas guerras como ressaltado pelos autores anteriores, a gestão em si começou a ser estudada mais profundamente, como é descrito no texto de Arantes (2014), que aborda que após o período da revolução industrial até os dias atuais a sociedade está cada dia mais adaptada aos avanços da época de acordo com os anos, criando melhores formas de gerir os métodos de produção e gerenciar suas tarefas e empresas, essas adaptações e evoluções ficaram conhecidas como “Evolução dos meios de gestão”, em que são abordados alguns tópicos, a primeira trata-se do “Conceito das ondas de transformação”, que ressalta que as adaptações dessas formas de gerir estão relacionadas ao contexto da evolução humana, em que as questões sociais, políticas, econômicas, tecnológicas e organizacionais influenciam diretamente na evolução nos modelos de gestão; tendo como próximo aspecto a “Era da produção”, que entre os anos de 1920 a 1950 foi representada pelo momento em que as empresas amplificaram os métodos de produção com maior foco às linhas de produção; a “Era da eficiência” durante os anos de 1950 a 1970, período que teve o surgimento dos primeiros métodos de produção e administração; a “Era da qualidade” que teve foco na satisfação do cliente, entre os anos de 1970 a 1980; a “Era da competitividade” que foi apresentada no período de 1990 com foco na excelência empresarial, com certa atenção para os clientes, colaboradores, acionistas e consumidores; e a “Era dos empreendimentos e do aprendizado”, caracterizada pelo desenvolvimento dos formatos da empresa e com novos formatos relacionados ao capital trabalho a partir do ano 2000.

As ondas de transformações e as eras apresentadas por Arantes (2014) ficam visualmente perceptíveis na imagem a seguir:

Figura 2 - O cenário ambiental da evolução dos modelos de gestão.

Abbildung in dieser Leseprobe nicht enthalten

Fonte: Livro Gestão do Conhecimento: Uma experiência para o sucesso empresarial (2001).

Em meados do século XX temos o surgimento da administração cientifica, que estuda mais profundamente esse mercado que até então era visto rasamente, essa mudaria a visão do mercado de sua época, o estudioso e renomado engenheiro americano Frederick Wilson Taylor possuiu grande participação na sua criação. SANTOS (2012). A administração cientifica surge como uma forma de tornar o trabalho mais eficiente e produtivo, a mesma trabalha com 4 princípios básicos sendo eles de acordo com Santos (2012) em Chiavenato (2011), Planejar, Preparar, Controlar e Executar.

Ibidem encerra seus comentários afirmando a importância sobre essa mudança de visão no mercado, Taylor ainda deixa diversos seguidores dos seus estudos, ao qual posteriormente irá adaptar e criar novas teorias a partir dessa visão, é claro que a mesma não ocorreu sem nenhuma falha, mas essas foram necessárias para desenvolver o estudo.

A partir dessas mudanças da visão e atuação da gestão no mercado, teve o surgimento de diversos teóricos e grandes marcos de mudanças para o estudo dessa nova área que se denomina gestão, um desses renomados autores é o próprio Max Weber que além de um grande sociólogo também contribuiu para a gestão como é descrito no trecho de Bezerra (2017) que relata sobre a teoria da burocracia do ano de 1909:

“A teoria da burocracia de Weber possui fundamentos na racionalidade, o qual visa a análise de maneira formal e impessoal. Essa teoria possui grande ênfase na eficiência e eficácia, apresentando relações mais autoritárias e normativas. Dentre suas principais características pode-se destacar a autoridade, formalidade, impessoalidade, hierarquia e a divisão do trabalho. (BEZERRA, p.1)”

Tendo em vista essa teoria descrita pelo autor, fica claro o foco na eficiência e eficácia dos processos industriais ao qual são de extrema importância no fator do produto final, ao qual perdura até o mercado moderno sendo um dos fatores de decisão na hora de faturamento seja de um serviço ou produto.

Outro autor importantíssimo que vale a pena ser descrito e que foi relevante para os pilares da formação da gestão, é Jules Henri Fayol, dele possuímos inúmeras contribuições tanto para gestão como para a administração, algumas de suas ideias podem ser vistas no trecho retirado da obra de Nickel (2016, p. 6) citado em Chiavenato (2000): “É dele a contribuição das funções administrativas: o POCCC ou PO3C - Planejar, Organizar, Comandar, Controlar e Coordenar.”

Complementa esses breves comentários escrevendo: “...Fayol determinou que a administração seja uma atividade comum para todos os empreendimentos humanos...Todos exigem certo grau de planejamento, organização, comando, coordenação e controle.” (NICKEL, 2016, apud MAXIMIMIANO, 2004). Além dessas contribuições descritas, Fayol foi responsável por inúmeras participações na gestão, como é observado no texto de Bezerra (2017, p.1) que explica algumas das mesmas como fica claro no trecho a seguir:

“...Fayol também elencou 14 princípios que para ele eram fundamentais. Foram eles: divisão do trabalho, autoridade e responsabilidade, unidade de comando, unidade de direção, disciplina, remuneração, interesses gerais, centralização, hierarquia, ordem, equidade, estabilidade, iniciativa espírito de equipe”.

Fica claro que essas pessoas foram e são de grande influência para a gestão como um todo, mas esses não são os únicos que representaram fatores de mudanças para a área de gestão, existiram diversos autores e pessoas influentes nessa grande área de atuação, e com base nos textos de alguns autores fora feito uma relação de forma resumida dos outros grandes nomes que contribuíram para esse desenvolvimento da atuação da gestão, conforme é demonstrado na tabela a seguir:

Tabela 1 - Alguns participantes do processo evolutivo da gestão

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Fontes: Baseado em Nickel et al. (2016), Portela (2017), Portugal (2017), Souza et al. (2017), Mendes (2019), e Bona (2020).

De acordo com os autores Mendes (2019) e Portela (2017), a participação de Peter Ferdinand Drucker no âmbito da gestão é sem dúvidas de grande importância, diversos autores o titulam como o pai da administração moderna devido a sua influência e participação para a área, também era reconhecido pela sua capacidade de interpretação de dados e prevendo como eles se comportavam no futuro, reconhecido como um ótimo escritor professor e consultor, possuiu uma participação literária inestimável para a gestão e administração, com um arsenal de mais de 30 livros produzidos possuía uma vasta contribuição acadêmica. Uma das diversas ideias defendidas pelo mesmo é que se um produto fosse produzido corretamente, tivesse uma distribuição ideal, e que fosse vendido pelo preço certo e para o cliente correto venderia quase automaticamente, esse ideal levou a criação da teoria dos 4 Ps do marketing, que ainda e utilizada fortemente até os dias atuais.

Seguindo adiante, temos o Lyndall Urwinck, que é descrito por Portugal (2017) como um dos autores clássicos seguidores dos estudos de Fayol, teve como principal influência na administração com seus estudos, um desses estudos resultou na proposta dos 4 princípios básicos da administração: princípio da especialização, princípio da autoridade, princípio da amplitude administrativa e o princípio da definição. Roberto (2020) comenta em seu texto que Lyndall Urwinck ainda contribuiu para gestão e administração com a adaptação dos textos de Fayol sobre as principais funções aderidas a um administrador, essas foram categorizadas por Lyndall em 7 funções sendo elas as seguintes: investigação, previsão, planejamento, organização, coordenação, comando e controle. Escreve Cunha (2000) que a ciência organizacional é entendida na literatura como um dos domínios disciplinares que ajudam a formar o território multidisciplinar que é a gestão. Ou seja, nem tudo o que é gestão é do domínio da ciência organizacional, mas toda ciência organizacional pode ser entendida como podendo ser abarcada por uma ciência de gestão que demonstre preocupações não apenas aplicadas, como também, teóricas.

Ralphis C. Davis descreveu os processos administrativos em 3 principais níveis de forma de planejamento sendo eles: o nível estratégico, aquele que é responsável por toda a organização, o nível tático, que se via supervisor dos planejamentos relacionados aos departamentos e pôr fim não menos importante o nível operacional, que era aquele mais focado para as tarefas operacionais (NICKEL et al., 2016).

Por último, destacamos a grande participação de Henry Ford quanto ao estudo e desenvolvimento de teorias na gestão, classificado por vários autores como percussor da administração moderna, revolucionou o mercado causando grandes mudanças quanto as áreas industriais, responsável pela criação do Fordismo que pode ser categorizado como uma aplicação eficiente do Taylorismo. O Fordismo foi um sistema de produção em série ao qual pretendia minimizar os custos de produção e consequentemente o valor final do produto, se caracteriza pela sua padronização dos produtos, esteira de rolagem e linha de montagem, redução no tempo de produção, divisão de tarefas, redução do valor dos produtos e a produção em massa, além disso Ford adotou 3 princípios básicos que podem ser considerados os pilares do Fordismo, eles são: intensificação, economicidade e a produtividade, afirmam Souza et al. (2017) e Bona (2020).

É evidente a importância de cada um desses autores, assim como os outros já previamente descritos, todos tiveram grandes influências na evolução da gestão, outro fator importantíssimo para o desenvolvimento da gestão foram os diversos movimentos históricos que determinaram por fim o rumo, e a forma que era realizado o estudo da gestão, alguns já abordados como a já vista teoria da burocracia, mas esta não fora a única a ser elaborada em cima deste tema que é a gestão, essas principais teorias e abordagens realizadas ao longo do tempo podem ser visualizadas na tabela a seguir:

Tabela 2 - Principais teorias relacionadas ao desenvolvimento da gestão e administração

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Fontes: Baseado em Melo (2008), Bitencout (2012), Barbosa (2015), Machado (2015), Bezerra (2017), Marioto (2020), Gama (2021), e Marioto (2021).

A teoria das relações humanas de 1930, possuía certo destaque por ser a primeira a dar importância ao bem estar do ser humano dentro das organizações de sua época, isso é destacado no trecho a seguir de Barbosa (2015, p.1): “ao invés de ser visto como homem econômico, o trabalhador passou a ser visto como homem social, cujo comportamento e dinâmico e complexo, atuando de certa forma como o centro das discussões.”

Essa teoria teve ênfase devido ao surgimento dos problemas ocasionados pela queda da bolsa de valores de Nova Iorque em 1929, teve sua funcionalidade comprovada com o experimento de Hawthorne realizada pelo professor Elton Mayo, a mesma tinha o propósito de confirmar a fadiga, acidentes, rotatividade dos profissionais da indústria daquela época, a partir desse teste teve surgimento da teoria das relações humanas, podemos destacar 3 pontos principais dessa teoria que são eles: a observação do homem não é um ser mecânico, todo o homem é guiado pelo sistema social e que todo ser humano possui necessidades (BARBOSA, 2015).

Seguindo adiante, temos a teoria da estruturalista de 1950, veio como resposta as duas teorias antecessoras a teoria clássica e a das relações humanas, propôs a conciliação de ambas trazendo uma nova visão para as organizações (GAMA, 2021; MARIOTO, 2021). Consigo veio uma nova definição para os funcionários ideais, o homem organizacional deve ser “flexível, imune a frustações e que possa adiar as recompensas e o desejo de permanente de realização” (ibidem).

A teoria dos sistemas também representada pela sigla TGS, teve origem por volta do ano 1951, ao qual seria basicamente o estudo de comportamentos similares entre organizações diferentes, esses comportamentos podendo ser a relação desde a sua produção quanto a entrega dos produtos, estruturando de uma forma eficiente os seus processos para alcançar os mesmos objetivos, conforme é explicado por Bezerra (2017, p.2) em seu texto:

“Ela é uma abordagem multidisciplinar, busca o entendimento das abordagens comuns em distintas organizações. A mesma explica que um sistema é um conjunto de partes interdependentes que juntos formam um todo unitário, com um mesmo objetivo e função.”

A abordagem sociotécnica teve surgimento por volta do ano de 1953 logo após a segunda guerra mundial, observadas por Eric Trist (1949), possuía como principal propósito otimizar os sistemas sociais e técnicos dentro de uma organização, sendo assim essa abordagem trabalharia com ambos os recursos existentes nas empresas, o humano e o técnico. (MACHADO, 2015; MARIOTO, 2020).

Em relação a essa abordagem, temos os seguintes princípios: “unidade básica de trabalho, grupos de trabalho, auto regulação, variedade das funções, autonomia e liberdade da ação, partes complementares e por fim as diversidades”, afirma Machado (2015), apud Trist (1998). Por fim, Marioto (2020) comenta que essa abordagem se constitui de 3 subsistemas sendo eles: técnico, gerencial e social.

Bem, em relação a teoria neoclássica de 1954, Bezerra (2017, p.2) coloca de forma simples de como a mesma se comporta e do que se trata, é um conjunto de teorias da administração que buscavam utilizar e retomar conceitos clássicos, tendo suas principais características a retomada da afirmação das mesmas, é aplicada na prática tendo em vista alcançar seus objetivos, metas e os seus resultados.

[...]

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Details

Title
Gestão de Crise no Mercado de Entretenimento Glocal
Author
Year
2021
Pages
59
Catalog Number
V1042943
ISBN (eBook)
9783346466167
ISBN (Book)
9783346466174
Language
Portugues
Notes
.
Keywords
Gestão de Crise; Entretenimento; Inovação; Universo Virtual
Quote paper
Marcelo Mendonça Teixeira (Author), 2021, Gestão de Crise no Mercado de Entretenimento Glocal, Munich, GRIN Verlag, https://www.grin.com/document/1042943

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