Graciliano Ramos-Sao Bernardo - O significado do pio da coruja


Seminar Paper, 2007
8 Pages, Grade: 2,0

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Índice

1. Introdução

2. A construção da narrativa

3. O pio da coruja

4. Bibliografia

1. Introdução

Graciliano Ramos nasceu a 27 de Outubro de 1892, em Quebrângulo, Alagoas, estado do Nordeste brasileiro.

Em 1936, durante a ditadura de Getúlio Vargas, era preso em Maceió e no Rio de Janeiro até Janeiro de 1937.

Em 1945 filiou-se no Partido Comunista Brasileiro e em 1951 foi eleito presidente da Associação Brasileira de Escritores.

Ramos morre de cancro de pulmão em 20 de Março de 1953, no Rio de Janeiro.

A sua obra literária faz parte do chamado “ romance nordestino de 30" , estilo que dominou a ficção romanesca no Brasil durante a década de 1930. Depois do seu primeiro romance “Caetés" , publicado em 1933, apareceu apenas um ano depois, em 1934, o romance “S. Bernardo" . É a história de Paulo Honório, um grande proprietário de cinquenta anos, que, dois anos depois da morte da sua esposa Madalena, começa a escrever um livro. “Paulo Honório escreve seu livro e busca sentido na sua vida." (João Luiz Lafetá: p.100)

Madalena suicidou-se depois de ser tiranizada pelo ciúme agressivo e degradante do seu marido. Perseguido por remorsos e pelo sentimento de frustração, Honório inicia a sua história.

2. A construção da narrativa

O romance é narrado na primeira pessoa, como já mencionei na introdução, pelo proprietário Paulo Honório, e é divido em XXVI capítulos. A narrativa compõe-se em dois níveis temporais:

o passado, ou seja eventos que ocorreram na vida de Honório, e o presente, isto é, o movimento em que se escreve o livro.

Os capítulos I, II, XIX e XXVI pertencem ao nível presente, como se pode ver no segundo capítulo, quando Paulo Honório escreve:

“Tenciono contar a minha história …Aqui sentado à mesa da sala de jantar, fumando cachimbo e bebendo café…" (G. Ramos: p.12), o no capítulo XIX: “Quando os grilos cantam, sento-me aqui á mesa da sala de jantar, bebo café, acendo o cachimbo... Esqueço que eles me deixaram e que esta casa está quase deserta." (G. Ramos: p.89/90).

Nestes capítulos, e também no capítulo XXXI, no qual Madalena se suicida ( “Madalena estava estirada na cama, branca, de olhos vidrados, espuma nos cantos da boca. Aproximei-me, tomei-lhe as mãos, duras e frias, toquei-lhe o coração, parado." G. Ramos: p.146), surge com certa frequência a menção de um pio de coruja , cujo significado analisarei no terceiro capítulo.

3. O pio da coruja

Em “ São Bernardo " surge repetidamente a referência ao pio da coruja, que quase sempre se faz ouvir quando Paulo Honório recorda a sua esposa: Madalena suicidara-se há dois anos por causa do ciúme agressivo do seu marido.

O dito pio aparece no capítulo I: “Na torre da igreja uma coruja piou, Estremecei, pensei em Madalena." (G. Ramos: p.11), e dois: “ Abandonei a empresa, mas um dias destes ouvi novo pio de coruja - e iniciei a composição de repente…" (G. Ramos: p.12). Depois destes dois exemplos não aparece outro pio de coruja até o capítulo XIX, o qual, como os dois primeiros, representa o tempo enquanto Paulo Honório escreve o livro. “Uma coruja pia na torre da igreja. Terá realmente piado a coruja? Será a mesma que piava há dois anos? Talvez seja até o mesmo pio daquele tempo…Quanto ás corujas, Marciano subiu ao forro da igreja e acabou com elas a pau." (G. Ramos: p.90-91)

Ainda não sabe o leitor porque Paulo Honório reflecte tanto sobre o pio da coruja ou porque este o faz iniciar a composição do livro. Honório segue a sua narrativa e descreve nos capítulos XX até XXXVI a vida na fazenda São Bernardo que esclarecem ao leitor a relação entre a Madalena e o proprietário. Paulo Honório trata mal aos seus empregados e começa, guiado pelo ciúme, a desconfiar de Madalena:

“Qual seria a religião de Madalena? Talvez nenhuma…Mulher sem religião é capaz de tudo…Procurei Madalena e avistei-a derretendo-se sorrindo para o Nogueira…comecei a sentir ciúmes." (G. Ramos: p.116-117)

O ciúme de Paulo Honório aumenta e ao mesmo tempo cresce a sua raiva (“ O meu desejo era pegar Madalena e dar-lhe pancada até no céu da boca…Atormentava-me a ideia de surpreendê-la. Comecei a mexer-lhe nas malas, nos livros, e abrir-lhe a correspondência. Madalena chorou, gritou, teve um ataque de nervos. " G. Ramos: p.122) por Madalena. Ele está alucinado pela ideia de encontrar uma prova que justifique as suas suspeitas e o seu ciúme.

A obsessão culmina no capítulo XXXI, no qual há novamente uma menção de um pio de coruja. Este capítulo é a chave para o leitor perceber o sentido do pio:

Paulo Honório sobe à torre da igreja para procurar e matar corujas, porque “ algumas se haviam alojado no forro, e à noite era cada pio de rebentar os ouvidos da gente." (G. Ramos: p.138)

Lá de cima da torre contempla a paisagem e consegue ver à Madalena escrevendo no escritório. Enquanto “ uma coruja grita" , a curiosidade pelo escrito da sua mulher aumenta o ciúme:

“Em que estará pensando aquela burra? Escrevendo."

(G. Ramos: p.138)

Honório descobre no chão uma folha de prosa, com a letra de Madalena, e pensa ter encontrado a prova da infidelidade da mulher.

Cheio de fúria não consegue perceber que a carta encontrada fora dirigida a ele próprio e que não havia outro homem na vida da sua esposa.

[...]

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Details

Title
Graciliano Ramos-Sao Bernardo - O significado do pio da coruja
College
University of Lisbon
Grade
2,0
Author
Year
2007
Pages
8
Catalog Number
V160657
ISBN (eBook)
9783640747504
ISBN (Book)
9783640747689
File size
366 KB
Language
Portugues
Tags
Graciliano, Ramos-Sao, Bernardo
Quote paper
Sebastian Knoth (Author), 2007, Graciliano Ramos-Sao Bernardo - O significado do pio da coruja, Munich, GRIN Verlag, https://www.grin.com/document/160657

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