Graciliano Ramos nasceu a 27 de Outubro de 1892, em Quebrângulo, Alagoas, estado do Nordeste brasileiro.
Em 1936, durante a ditadura de Getúlio Vargas, era preso em Maceió e no Rio de Janeiro até Janeiro de 1937.
Em 1945 filiou-se no Partido Comunista Brasileiro e em 1951 foi eleito presidente da Associação Brasileira de Escritores.
Ramos morre de cancro de pulmão em 20 de Março de 1953, no Rio de Janeiro.
A sua obra literária faz parte do chamado “romance nordestino de 30”, estilo que dominou a ficção romanesca no Brasil durante a década de 1930. Depois do seu primeiro romance “Caetés”, publicado em 1933, apareceu apenas um ano depois, em 1934, o romance “S. Bernardo”. É a história de Paulo Honório, um grande proprietário de cinquenta anos, que, dois anos depois da morte da sua esposa Madalena, começa a escrever um livro. “Paulo Honório escreve seu livro e busca sentido na sua vida.” (João Luiz
Lafetá: p.100)
Madalena suicidou-se depois de ser tiranizada pelo ciúme agressivo e degradante do seu marido. Perseguido por remorsos e pelo sentimento de frustração, Honório inicia a sua história.
Índice
1. Introdução
2. A construção da narrativa
3. O pio da coruja
4. Bibliografia
Objetivos e Temas da Obra
Este trabalho analisa o papel simbólico do "pio da coruja" no romance "S. Bernardo" de Graciliano Ramos, explorando como este elemento sonoro atua como um gatilho para a memória e o remorso do protagonista Paulo Honório. A investigação procura entender a relação entre o trauma do suicídio de Madalena e a necessidade compulsiva de Honório de escrever sua própria história como forma de expiação.
- A análise da estrutura narrativa de "S. Bernardo" e seus níveis temporais.
- O significado metafórico e psicológico do pio da coruja ao longo do romance.
- A relação complexa e destrutiva entre Paulo Honório e sua esposa Madalena.
- O processo de autocrítica e a busca por sentido na vida do protagonista após a tragédia.
- A exploração dos temas do ciúme agressivo e do remorso na literatura brasileira do período.
Auszug aus dem Buch
3. O pio da coruja
Em “São Bernardo” surge repetidamente a referência ao pio da coruja, que quase sempre se faz ouvir quando Paulo Honório recorda a sua esposa: Madalena suicidara-se há dois anos por causa do ciúme agressivo do seu marido.
O dito pio aparece no capítulo I: “Na torre da igreja uma coruja piou, Estremecei, pensei em Madalena.” (G. Ramos: p.11), e dois: “Abandonei a empresa, mas um dias destes ouvi novo pio de coruja – e iniciei a composição de repente…” (G. Ramos: p.12). Depois destes dois exemplos não aparece outro pio de coruja até o capítulo XIX, o qual, como os dois primeiros, representa o tempo enquanto Paulo Honório escreve o livro. “Uma coruja pia na torre da igreja. Terá realmente piado a coruja? Será a mesma que piava há dois anos? Talvez seja até o mesmo pio daquele tempo…Quanto ás corujas, Marciano subiu ao forro da igreja e acabou com elas a pau.” (G. Ramos: p.90-91)
Ainda não sabe o leitor porque Paulo Honório reflecte tanto sobre o pio da coruja ou porque este o faz iniciar a composição do livro. Honório segue a sua narrativa e descreve nos capítulos XX até XXXVI a vida na fazenda São Bernardo que esclarecem ao leitor a relação entre a Madalena e o proprietário. Paulo Honório trata mal aos seus empregados e começa, guiado pelo ciúme, a desconfiar de Madalena.
Resumo dos Capítulos
1. Introdução: Apresenta o contexto biográfico de Graciliano Ramos e insere a obra "S. Bernardo" no panorama do romance nordestino de 30.
2. A construção da narrativa: Analisa a estrutura do romance narrado em primeira pessoa e a alternância entre os níveis temporais do passado e do presente.
3. O pio da coruja: Examina o valor simbólico do pio da coruja como elemento recorrente associado à memória de Madalena e ao remorso de Paulo Honório.
4. Bibliografia: Lista as fontes primárias e secundárias utilizadas para a elaboração do trabalho.
Palavras-Chave
Graciliano Ramos, S. Bernardo, literatura brasileira, pio da coruja, Paulo Honório, Madalena, romance de 30, memória, remorso, ciúme, narrativa, suicídio, estrutura temporal, autocrítica, busca de sentido.
Perguntas Frequentes
Sobre o que é fundamentalmente este trabalho?
O trabalho investiga o papel simbólico e narrativo do "pio da coruja" no romance "S. Bernardo", de Graciliano Ramos, conectando-o ao estado psicológico do protagonista.
Quais são os temas centrais abordados?
Os temas principais incluem o trauma, o remorso, a estrutura da narrativa memorialística, o impacto do ciúme agressivo e a busca por um novo sentido existencial.
Qual é o objetivo principal da pesquisa?
O objetivo é compreender como a menção recorrente da coruja funciona como um dispositivo que desencadeia a recordação do suicídio de Madalena e impulsiona o ato de escrever.
Qual método é utilizado nesta análise?
O trabalho utiliza uma abordagem de crítica literária, fundamentada na análise textual e na interpretação das motivações psicológicas do narrador Paulo Honório.
O que é discutido no desenvolvimento do texto?
O desenvolvimento explora a cronologia dos eventos, a relação conjugal destrutiva e a evolução da consciência de Paulo Honório entre os dois níveis temporais da narrativa.
Quais palavras-chave definem este trabalho?
As palavras-chave incluem Graciliano Ramos, S. Bernardo, memória, remorso, ciúme, pio da coruja e estrutura narrativa.
Como o pio da coruja se relaciona especificamente com a morte de Madalena?
O pio torna-se uma metáfora auditiva que transporta Paulo Honório para o passado, forçando-o a encarar a culpa pelo comportamento abusivo que levou ao suicídio da esposa.
De que forma a escrita do livro ajuda Paulo Honório?
A escrita atua como uma ferramenta de expiação e autocrítica, permitindo que, após dois anos de isolamento, ele reflita sobre a inutilidade de sua obsessão pela propriedade.
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- Sebastian Knoth (Author), 2007, Graciliano Ramos-Sao Bernardo - O significado do pio da coruja, Munich, GRIN Verlag, https://www.grin.com/document/160657