Portugal no Contexto Europeu. Sociedade e Conhecimento


Term Paper (Advanced seminar), 2010
18 Pages, Grade: 2,3

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Índice

1. Resumo

2. Introdução

3. Profissionais qualificados e sociedade do conhecimento
3.1. Uma nova competividade, da pelo preço à pela inovação
3.2. A segmentação no emprego
3.3. Diplomados do ensino superior e sociedade do conhecimento

4. Conclusão e apreciação crítica

5. Glossário

6. Bibliografia

7. Anexo

1. Resumo

Neste trabalho temático será abordado um estudo empírico-estatístico recente sobre, em termos mais gerais, as mudanças e novas exigências do mercado de trabalho português provocadas principalmente pelos efeitos da mundializaç­ão ao longo das últimas décadas. Nisto ainda mais detalhadamente, baseado em análise multivariada, o percurso profissional segundo a formação da popluação ativa e particularmente das pessoas com formação universitária. Vai ser mostrado a quase não-linearidade entre estudos feitos e emprego obtido depois.

Palavras-chave: sociedade do conhecimento, novo padrão de competividade, análise de correspondências múltiplas, cluster, nível de habilitação, setor de atividade, profissão

2. Introdução

“Que relação tem a sociedade actual com o conhecimento? O lugar do conhecimento na sociedade contemporânea tornou-se, de maneira crescente, tema de reflexão pessoal e dabete social, alvo de estratégias de grupos e organizações, domínio de incidência de políticas públicas. As ciências socias tomaram-no também como objecto de estudo, tendo algumas delas vindo a dedicar-lhe cada vez mais atenção.” (Costa et al., 2007: 1)

É acima esta pergunta geral que será abordada numa maneira bem detalhada num âmbito nacional como internacional ao longo da colectânea Sociedade e Conhecimento (2007) dos três organizadores portugueses António Firmino da Costa, Fernando Luís Machado e Patrícia Ávila. O livro é a segunda parte da trilogia Portugal no Contexto Europeu, organizada pelo Centro de Investigação e Estudos de Sociologia, do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa em Lisboa (CIES-ISCTE), que integra ainda os volumes I, Instituições e Política, e III, Quotidiano e Qualidade de Vida.

Nessa mesma colectânea, o meu objeto de estudo será o sexto capítulo, intitulado “Profissionais qualificados e sociedade do conhecimento” de Maria de Lurdes Rodrigues (professora do Departamento de Sociologia do ISCTE e investigadora do CIES-ISCTE), Luísa Oliveira (igualmente professora do Departamento de Sociologia do ISCTE e investigadora do CIES-ISCTE) e Helena Carvalho (professora do Departamento de Métodos Quantitativos do ISCTE e investigadora do CIES-ISCTE). Fizeram um estudo empírico-estatístico com foco especial na situação dos empregados portugueses com habilitação superior.

Começam, no entanto, com uma abordagem do que deve ser entendido no fenómeno chamado sociedade do conhecimento através da introdução e das seções As exigências de formação avançada e o novo padrão de competividade e Da competividade pelo preço, à competividade pela inovação, explicando as mudanças económico- e socio-estruturais que lideraram à génese da mesma e o que, depois já dentro dela, ficou cada vez mais importante para as pessoas, nomeadamente a população ativa. Adicionam, na seção Evolução dos níveis de escolarização da população activa em Portugal, informação empírica com referência a essas mudanças no setor formativo.

Em seguida, na seção A segmentação no emprego, tentam mostrar os traços mais marcantes da inserção setorial da população empregada portuguesa, primeiramente num ambiente largo de todas as pessoas nesse espaço. Em segundo lugar, depois de terem surgidos algumas questões quanto ao pessoal tendo obtido um ensino superior, fazem a mesma coisa com foco somente nas pessoas formadas universitariamente. Como na seção anterior, também em Diplomados do ensino superior e sociedade do conhecimento utilizam um meio da estatística descritiva, a análise de corresponências múltiplas[1] afim de ver se houver pólos de homogeneidade, chamados clusters, a partir dos quais seria possível tirar informação sobre uma “causalidade” entre estudos feitos e setores de atividade respetivamente emprego arranjado logo.

Finalmente – depois de ter dado um resumo da obra das autoras – eu planeo descrever e analisar o que as autoras observam e concluem ao longo do artigo delas, dando uma conclusão minha assim como um glossário onde eu pretendo explicar de uma forma clara e compreensível as definições feitas pelas três autoras nas duas análises estatísticas. As figuras e o quadro usados na parte analítica estarão disponíveis no final deste trabalho.

3. Profissionais qualificados e sociedade do conhecimento

3.1. Uma nova competividade, da pelo preço à pela inovação

“A sociedade do conhecimento tem, como um dos seus pilares essenciais, a formação dos chamados recursos humanos avançados, leia-se graduados e pós-graduados do ensino superior, partindo do princípio que a sociedade, globalmente considerada, atingiu já níveis razoáveis de instrução.” (Rodrigues et al., 2007: 103)

Assim começando a introdução, já dão a ideia principal do estudo delas, o enfoque nos formados superiores. Vêem num novo padrão de competividade, a atingir através de um aumento significativo de pessoas com habilitação universitária, nomeadamente no caso português, o caminho ideal afim de garantir a sustenção do modelo social europeu: “É neste quadro [...] que analisamos neste texto a evolução dos níveis de escolarização da população empregada [...] procurando identificar os traços mais marcantes da inserção sectorial destes profissionais e, portanto, do seu contributo para o desenvolvimento desses sectores.” (Idem)

Na seção As exigências de formação avançada e o novo padrão de competividade é dado uma definição desse mesmo padrão na vista das autoras, recorrendo à explicação do que entendem pelo chamado padrão convencional. Como o novo padrão, o velho também é um ideal-tipo. Tipicamente aplicado depois da Segunda Guerra Mundial, designa as medidas tomadas afim de “[...] permitir a rentabilidade das empresas, a produção de riqueza e um modelo relativamente mais equilibrado que o precendente de distribuição social da riqueza.” (2007: 104) Assim sendo, era necessário uma taxa larga de consumo na população, baseada numa acessibilidade geralmente fácil e barata que foi possibilitado por uma estandardização dos produtos e da maneira da produção dos mesmos (principalmente produção em massa). Como referem as autoras, dessa maneira o custo da produção e o ligado preço dos produtos constituíram a base da concorrência nos mercados e a política cambial entre os países: “[...] três décadas de expansão, pleno emprego, melhoria das condições de vida das populações, com o acesso generalizado à educação, a cuidados de saúde, assistência na doença e na velhice e em situações de desemprego.” (Idem)

Mas o fundamento disso, o desenvolvimento da automatização tecnológica nos processos de produção em massa, liderou, segundo as autoras, a um esgotamento do sistema mesmo pois a redução dos custos produtivos teve por consequência grandes vagas de demissões na mão-de-obra pouco qualificada que ao mesmo tempo restava numerosa. Esta sofisticação tecnológica, a crise do modelo convencional, significava o fim do velho contrato social.

No entanto gerava, do outro lado, novos produtos e, ao mesmo tempo, novos mercados onde estes últimos foram vendidos e com isto novas exigências internas e externas às empresas, como é referido. As internas são nomeadamente os processos de produção e organização, as externas sobretudo os níveis adequados dos empregados para estarem capazes de integrar-se neste novo sistema: o novo padrão de competividade a partir de “[...] um gigantesco processo de invenção social de necessidades que permitam a construção acelerada de novos produtos – tecnologicamente muito sofisticados – e de novos mercados.” (2007: 105)[2]

A seção Da competividade pelo preço, à competividade pela inovação é sobre o aspecto competitivo outra vez, falando preponderantemente da translação do foco industrial ao das ciências, sobretudo as ciências exatas num sentido que essas últimas são responsáveis do desenvolvimento tecnológico em si, mas dando recursos novos também às outras áreas científicas respetivamente setores de atividade ou seja, geralmente permitem “[...] acréscimentos de produtividade e transformações profundas nos modos de produzir.” (2007: 106) Referem assim que as ciências constituem doravante um factor produtivo enquanto “trabalho intelectual” (idem) e que as competências respetivas nele são totalmente diferentes. Por fim comparam os ideais-tipo dos dois padrões quanto a factores relevantes no âmbito do artigo das três investigadoras.

Em Evolução dos níveis de escolarização da população activa em Portugal Rodrigues, Oliveira e Carvalho mostram sucessivamente a partir de três quadros relativos ao nível da escolaridade portuguesa que numa comparação com os países da OCDE, uma evolução geral do nível de escolarização de 1960 a 2000 e da população empregada num prazo de 1991 a 2001. O resumo comum é que mesmo relativamente aos outros países ainda em atraso, Portugal por si conhecia um aumento visível nos níveis de escolaridade, os pesos percentuais se deslocando dos níveis baixos aos elevados.

[...]


[1] Outrossim é conhecida sob o termo análise de homogeneidade (HOMALS).

[2] Explicam as duas razões principais da importância do desenvolvimento tecnológico; primeiro “torna o processo de imitação mais difícil e, neste sentido, reforça a estratificação entre empresas, regiões e países” e segundo “permite [...] uma velocidade de obsolescência dos produtos e, portanto, de ‘refrescamento’ dos mercados, a um nível sem precedentes.” (Idem)

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Details

Title
Portugal no Contexto Europeu. Sociedade e Conhecimento
College
University of Porto
Grade
2,3
Author
Year
2010
Pages
18
Catalog Number
V232785
ISBN (eBook)
9783656496656
ISBN (Book)
9783656497530
File size
1435 KB
Language
Portugues
Tags
portugal, contexto, europeu, sociedade, conhecimento
Quote paper
Harry Körner (Author), 2010, Portugal no Contexto Europeu. Sociedade e Conhecimento, Munich, GRIN Verlag, https://www.grin.com/document/232785

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